sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Campeões de Gaia

Uma fantasia capaz de fazer uma fã de romances, como eu, se render e viciar na história. Merece uma salva de palmas e muitos novos leitores. A resenha de hoje é sobre o primeiro livro da Trilogia dos Três Domínios,  “Campeões de Gaia”, do autor L.L. Stockler.


 “Que as estrelas iluminem o caminho.”

Há cerca de quatrocentos anos, Celo, deus-pai e senhor dos céus, teria designado uma família para governar toda Gaia e instaurar sua ordem divina. Sobre as cinzas de seus inimigos, os Draconem então construíram o maior e mais vasto império já visto, dominando a tudo e a todos, como lhes era de direito.
Quando seu pai morre trinta e cinco anos após a Rebelião de Krallik, Kayla percebe que não havia mais nada que a prendesse à pacata fazenda onde crescera no interior de Jardinsul. Ela estava livre para explorar o mundo, que até então conhecia apenas pelas páginas de livros, e gravar seu nome na História. Determinada sua partida, Trevor, seu leal amigo, não vê escolha se não segui-la e descobrir, junto dela, o seu próprio destino.
Entretanto, a dupla logo aprenderá que a realidade pode ser mais dura do que contavam as histórias, que sequelas de séculos de disputas podem ser fortes o bastante para pôr em xeque a paz imperial, e consigo a vida de todos os habitantes de Gaia.



Com a morte de seu pai, Kayla não vê sentido em continuar na pequena vila sem nome do interior da província de Jandirsul. Ela não tem mais família, nada a prende naquele lugar, a não ser seu melhor amigo, Trevor. Kayla tem uma sede impressionante de explorar o mundo, conhecer tudo aquilo que só viu nos livros, desvendar o oculto e marcar seu nome na história.
Trevor é feliz onde vive, com sua vidinha pacata e sua bela família. Ele poderia terminar seus dias ali, mesmo que não tenha sido esse o destino traçado para ele. Mas como pode ver Kayla partir? Como continuar em paz deixando sua melhor amiga se afastar, talvez para nunca mais voltar? Como aceitar que a deixou desbravar o mundo sem sua proteção?
Embora ali fosse um lugar feliz, Trevor sabia que teria que partir. Entrar nessa aventura com Kayla, enfrentar os perigos do mundo, e neste processo, descobrir quem ele realmente é.
Partindo, os dois amigos encontram muitas aventuras, tornam-se mercenários, enfrentam bandidos, duelam. Eles estão tendo a vida que sonharam, destemidos e corajosos, enfrentando todos os perigos para, um dia, serem lembrados.

“A vida não são flores, menina.”

Porém a vida no poderoso Império Draconem pode ser muito mais perigosa do que eles pensavam. E subitamente os jovens se veem envoltos em uma disputa de poder regada a sangue, violência e vingança. Esta é a grande chance dos dois escreverem seu nome na história de Gaia, mas antes disso, eles terão de lutar para permanecerem vivos.

“O mundo se estende diante de vocês, basta esticar a mão e pegá-lo.”


Uma aventura fantástica recheada de ação, perigos e traições. Campeões de Gaia é aquele livro que te prende e te leva para dentro da história, que te permite viver junto com Kayla e Trevor todas aquelas aventuras eletrizantes.
Ambientado no Império Draconem, podemos acompanhar como era a vida neste tempo fictício. Os valores da população, a rotina dos mercenários e aventureiros, as disputas por poder, o descontentamento do povo, as rebeliões e injustiças.
Kayla e Trevor viviam tranquilamente em uma pequena província e tinham a garantia de segurança naquele pequeno povoado. Trevor poderia passar anos assim, cuidando de suas terras, perto da sua família. Porém Kayla não pensava da mesma maneira. Sua família já havia partido e nada a segurava ali.
Ela queria conquistar o mundo, marcar seu nome na história, viver todas as aventuras que ela só tinha presenciado nos livros. Uma menina de personalidade forte. Muitas vezes suas escolhas e atitudes podem chocar o leitor. Ela é extremamente fria e calculista, faz aquilo que tem que fazer, seja partir da sua cidade natal ou tirar a vida de alguém. Ela não tem reflexões sentimentalistas, simplesmente faz o que acha que é correto. Esse jeito polêmico pode dividir opiniões, alguns leitores podem achá-la inconsequente, eu a achei genial. Amei a personagem, sua coragem e ironia, fazendo tudo conforme sua cabeça manda. Encarando os perigos sem medo, convicta de que tem força suficiente para vencê-los.

“Para ela, a morte era tão necessária à vida assim como a noite era ao dia. A morte é o destino dos vivos e ponto final.”

Trevor é o oposto de Kayla. Ele é aquele bom moço, responsável. Mesmo sendo feliz na sua terra, não aguenta ver Kayla partir sozinha e embarca nessa viagem com o intuito de protegê-la, somente isso já diz muito sobre seu caráter.
Um garoto bonzinho que vive diante da moral e dos bons princípios, comprometido com sua honra, fazendo sempre o que é certo. Não consegue realizar algo sem pensar em como isso afetaria aos que estão ao seu redor.
A amizade entre os dois é linda e verdadeira. Um está preparado para dar a vida pelo outro. As personalidades extremamente diferentes se completam e os tornam inseparáveis. Mesmo enfrentando grandes perigos, juntos eles têm força para sobreviver.

A jornada desses dois amigos é intensa. A cada dia eles encontram dificuldades maiores, aventuras mais perigosas. Tornam-se mercenários e aceitam trabalhos que a maioria rejeitaria, lutam contra bandidos, rebeldes, seres místicos. Além de toda a ganancia por poder que eles presenciam. O que as pessoas fazem nessa busca cega por domínio e riqueza no livro é tão cruel. O povo sofre tanto e o mais triste de tudo isso é ver que a nossa realidade é semelhante: repleta de governantes corruptos buscando uma melhor qualidade de vida e massacrando a população para alcançar este fim.

“Eles mentem para si próprios. Negam a realidade que se estende à sua frente. Negam a revolta que queima ao seu redor. Negam a desigualdade fomentada ao seu lado! Negam que são os verdadeiros causadores deste estigma que tanto envenena e destrói a sociedade! Preferem apontar o dedo e jogar a culpa para o primeiro coitado que encontrarem do que encarar os fatos.”

Uma leitura sensacional. Não sou a maior fã de fantasia, mas este livro conquistou meu coração, entrou para os meus favoritos e me fez ver com outros olhos este gênero.
Tenho certeza que L.L. Stockler andou tomando chá das cinco com George R. R. Martin, porque aprendeu direitinho com ele a melhor forma de conquistar, destruir e reconquistar o coração do leitor.
Recomendo a leitura aos fãs de fantasia e também aos iniciantes nestes universos fantásticos. Certamente as aventuras de Kayla e Trevor serão uma iniciação perfeita para vocês, arrebatando corações e adquirindo novos fãs. Ansiosíssima pelo próximo volume da trilogia! *-*

“Serão o suficiente quando puderem derrotar cem inimigos sem derramar uma gota de suor, quando moverem montanhas com as mãos e se tornarem verdadeiros campeões de Gaia. Só então serão o suficiente para todos os perigos que a vida é capaz de lhes impor.”

Adquira seu exemplar clicando aqui.



“Mais vale uma vida curta e boa do que uma longa e entediante.”

“Sorte é para os fracos.”

 “Acho que você tem o direito de se portar como um babaca quando se é um príncipe.”

“-A corrupção está longe de ser uma questão de tempo (...). Apenas diz respeito ao preço, basta pagar-lhes a moeda certa.”

“O direito é uma ficção criada pelos governantes para justificar o próprio governo.”



Título: Campeões de Gaia
Autor: L.L. Stockler
Editora: Novo Século
Ano: 2016
Páginas: 318

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Por Lugares Incríveis

E essa resenha gente? Não tem como definir esse livro numa resenha! Mas com certeza é um dos livros mais ricos em quotes e pensamentos vivos que já li. Jennifer Niven entrou para as autoras favoritas, e sim, leio tudo que ela escrever. 



Theodore Finch está desperto novamente. Após dias de blecautes onde mal se lembra do que aconteceu, em especial as datas festivas do último fim de ano, ele acorda e não sabe exatamente por quantos dias ficará assim. E enquanto espera os dias de escuridão chegarem novamente, ele se pergunta todos os dias: "Hoje é um bom dia para morrer?" É quando se vê a seis metros de altura, prestes a pular da torre do sino da escola, que ele descobre que não está sozinho.

Violet Markey é o tipo de garota que leva uma vida perfeita, mas tudo acaba no dia que sua irmã, Eleanor, é vítima de um acidente de carro que apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada, ela se afasta de tudo e de todos e sem saber como, vê-se também no alto da torre do sino da escola, prestes a pular. Apavorada quando as pessoas lá embaixo começam a notá-la, Finch a ajuda a sair dali sã e salva, no que mais tarde fica conhecido como o dia em que Violet Markey salvou a vida de Theodore Aberração, o aluno mais suicida de todos os tempos da escola de Bartlett.

Quando o professor de geografia passa um trabalho para a turma no qual eles devem visitar lugares de Indiana, Violet se vê encurralada quando Finch, diante de toda a turma, a convida para ser sua dupla na tarefa. Sem mais desculpas sobre não estar preparada, ela e Finch se aventuram por lugares onde nunca pensaram visitar.

“[...]tenho no carro um mapa que praticamente pede pra ser usado, e existem lugares que precisam ser vistos. Talvez ninguém nunca vá até lá nem valorize esses lugares nem se dê o trabalho de pensar o quanto são importantes, mas talvez até o menor deles tenha algum significado. Se não tiverem pros outros, talvez tenham pra gente. No mínimo, quando a gente for embora, saberemos que pelo menos os visitamos. Então vamos. Vamos até lá. Vamos fazer alguma coisa. Vamos sair do parapeito.”

Inevitavelmente, essa improvável amizade se transforma em um amor verdadeiro e único. Finch mostra a Violet uma forma nova de ver a vida e aos poucos ela vai recuperando a esperança de viver e ser feliz.

Sinceramente, Violet, não sei por que a galera não gosta de mim. Mentira. Quer dizer, eu sei e não sei. Sempre fui diferente, mas pra mim diferente é normal.”

Como ser o que lhe dá na telha se sempre está sendo julgado pelos olhos da sociedade? Por Lugares Incríveis é mais um daqueles livros que me fazem refletir sobre os relacionamentos sociais. As pessoas estão se tornando uma massa homogênea, onde quem é “diferente” deve encarar sem medo os rótulos atribuídos às suas características ou sofrer as consequências. Finch não se importa com isso, ele escolhe uma personalidade diferente a cada semana, “Finch Canalha, Finch Largado, Finch Fodão, Finch anos 80.” Ele não se importa, mas infelizmente compreendemos todo o impacto do que é uma pessoa ser tachada como diferente.

“Quero me afastar do estigma que todos eles sentem só porque têm uma doença no cérebro e não, digamos, no pulmão ou no sangue. Quero me afastar de todos os rótulos. “Tenho TOC”, “Tenho depressão”, “Eu me corto”, eles dizem, como se essas coisas os definissem. Tem um coitado que tem déficit de atenção, é obsessivo-compulsivo, tem transtorno de personalidade limítrofe, é bipolar e, ainda por cima, tem um tipo de transtorno de ansiedade. Eu nem sei o que é transtorno de personalidade limítrofe. Sou o único que é só Theodore Finch.”

A perspectiva de Finch me trouxe a realidade da tristeza profunda. Nunca entendi os motivos dessa “doença” a que chamam depressão. Acreditava que a cura estava em ajudar a si próprio, procurar a felicidade no dia a dia e viver. Mas isso se mostrou inútil na história de Jennifer Niven, Finch pode até  assumir as personalidades desejadas e não se importar com os rótulos que ganha, mas lá no fundo, algo sempre está falando mais alto.

“Ao andar pelos corredores, não há como prever o que Finch Fodão vai fazer. Dominar o colégio, a cidade, o mundo. Será um mundo de compaixão, de amor ao próximo, de amor entre alunos ou, pelo menos, de respeito entre as pessoas. Sem julgamentos. Sem xingamentos. Nada, nada, nada disso.”

E ele encontra? Aquela imensidão azul pode ser o caminho.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O Que Aprendi Com O Amor

Na resenha de hoje vamos falar sobre o amor. Esse sentimento que nos acompanha todos os dias e foi reproduzido lindamente em verso e prosa pela autora Francélia Pereira. O livro “O que aprendi com o amor” retrata as várias faces e a forma como o amor nos atinge.


O amor sempre foi um sentimento inspirador, um sentimento que nos faz sorrir de pura felicidade, quando correspondido; e que nos joga na mais profunda tristeza, quando desprezado.

Nesse pequeno livro, que mistura verso e prosa, Francélia Pereira tenta registrar um pouco de tudo que aprendeu na companhia desse sentimento tão incompreendido por nós, o Amor!




O amor é o primeiro sentimento da nossa vida. Amamos nossa família, nossas descobertas, nossos bons momentos. Ele permanecerá conosco até o final e se manifestará de diversas formas.
Neste livro a autora representa parte daquilo que ela aprendeu com este sentimento, os erros e acertos; as partes boas e ruins. Como tudo na vida, o amor também é instável e nem sempre acaba como gostaríamos. São essas experiências que nos permitem conhecê-lo a fundo e, assim, transformá-lo em uma parte feliz do nosso dia-a-dia.

“Quem disse que os sentimentos foram feitos para serem correspondidos...”

Um livro lindo que além do seu conteúdo encantador, também conta com uma capa convidativa, diagramação maravilhosa e ilustrações fofíssimas, feitas por Tiago Calado.



A poesia foi o meu primeiro contato com a literatura. Ainda na escola, comecei lendo todas as obras disponíveis de Vinicius de Moraes. Cada nova estrofe me conquistava mais que a anterior. Depois disso conheci diversos outros poetas: Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Mário Quintana, Cecília Meirelles, Cora Coralina, Paulo Leminski e Luís de Camões.
Após esse período, comecei a ler romances e a poesia ficou em segundo plano. A leitura desta obra me trouxe as boas lembranças daqueles tempos e de todas as lindas linhas que apreciei.
A escrita de Francélia é encantadora, muito atual e fácil de compreender. Ela consegue colocar os sentimentos no papel com uma facilidade incrível. Nas palavras redigidas, conseguimos comparar nossas próprias experiências, além de compreender a mensagem e assimilar os bons conselhos para a vida.

“Impomos ao amor provas difíceis demais, cobramos dele tudo aquilo que não somos capazes de fazer; então cansado, humilhado e desprezado o amor desiste de nós.”

O amor é um sentimento lindo e que, de alguma forma, sempre está em nossos corações. Porém é no campo amoroso que muitas vezes não sabemos lidar com ele.

“Viver sem sentimentos
É existir, e de um jeito
Muito chato”

É algo tão inconstante e incerto. E ainda não depende apenas de nós. Muitas vezes esperamos um desfecho, mas não somos correspondidos.

“Vive-se saudade
De algo que nunca foi
E nunca será...”

A reciprocidade é uma alegria. A rejeição é um mar de tristeza. Apenas as experiências nos ajudam a fazer dele um aliado e não um inimigo.
Tudo que é extremo nos faz mal. A dependência do amor é um câncer em nossa alma, faz com que nossas opiniões fiquem distorcidas, provoca ações que não faríamos em outro contexto, incita pensamentos destrutivos que jamais deveriam nos assombrar.

“Não se iluda
Não confunda lembranças com esperança”

Bom mesmo é amar na medida certa, com calma e serenidade. Se for correspondido, ótimo! Mas e se não for? Que bom, também! Porque não se ama sozinho. E se este é o seu caso, sorte sua não perder tempo com algo sem futuro. Logo você encontrará a pessoa certa que fará seu coração disparar e seus dias se tornarem mais felizes. Assim como os dias dela serão muito mais coloridos com a sua presença.

“Sem desejo ou apego, o Amor cura, liberta... Torna-se pura Inspiração!”

Quando o verdadeiro amor é encontrado, aprendemos a conviver com defeitos e qualidades. Aprendemos que as dificuldades são mais fáceis quando são vencidas em equipe e que o gosto dos dias superados juntos é infinitamente melhor que uma vitória individual.
Vai ter lágrimas, vai ter risos; vai ter brigas e reconciliações; vai ter tristeza, mas terá alguém para segurar sua mão e afirmar que tudo vai ficar bem. E, principalmente, haverá o entendimento que o amor não é uma propriedade, não é uma imposição, nem uma necessidade. É um presente de Deus que garante que nosso coração continue sempre aquecido e habitado pelas pessoas amadas.

“Hoje sei que “morrer no outro” é trair a própria existência, é negar a si mesmo a capacidade de Ser.”

A leitura do livro me ensinou muitas coisas e me fez pensar em muitas que já tinha aprendido ao longo dos anos. A autora está de parabéns por esta obra incrível que me tocou profundamente e certamente terá o mesmo efeito em todos os leitores.
Ao final, pense naquilo que você aprendeu com o amor e use isso ao seu favor, sempre para alcançar dias mais felizes.

“O amor merece ser louvado e exaltado em todos os tempos.”





Título: O que aprendi com o amor
Autor: Francélia Pereira
Editora: Indie
Ano: 2016
Páginas: 70

sábado, 22 de outubro de 2016

Rebirth - Os novos titãs


A resenha hoje é uma aula de mitologia, os fãs dos deuses e suas culturas não podem perder esse incrível romance recheado de ação, romance e aventura. Conheçam a obra de Bianca Landim, mais uma autora nacional incrível.




Sinopse:


Quatro crianças foram postas nos caminhos imortais dos deuses do Olimpo e, delas, uma nova geração de titãs surgiu, mostrando-se incrivelmente mais poderosa que os primeiros titãs – derrotados por Zeus e seus irmãos –, e até mesmo que os próprios deuses! Missões lhes foram atribuídas e mundos imortais foram conhecidos, dando-lhes sabedoria, poderes e novos aliados. Acima de tudo isso, o amor único foi alcançado e suas origens, desvendadas, fazendo dos titãs uma nova ordem no Olimpo, com Zeus e os outros deuses, conhecidos como os Doze Olimpianos.
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“Num momento crucial dos imortais, conhecido como Titanomaquia, Zeus enfrentou e venceu seu pai, Cronos, destronando-o da regência do mundo fantástico dos imortais e tomando-o para si. Com a ajuda de seus irmãos criou o Olimpo. Muitos titãs foram aprisionados nesse novo mundo devido às suas alianças com Cronos; outros perderam seus poderes e se tornaram mortais. Poucos foram os que se aliaram aos deuses e permaneceram a salvo. Entretanto, Zeus sabia que os aprisionados um dia se revoltariam e que Cronos se beneficiaria desse momento. Para que isso não acontecesse, uma reunião com os Doze Olimpianos fora feita e nela decidiu-se algo que mudaria o mundo dos imortais para sempre.”

Quando as moiras, responsáveis por tecer o fio da vida, revelaram aos deuses que num futuro próximo Cronos retornaria em busca de vingança e que quatro crianças estavam destinadas a serem os novos titãs, sendo que apenas eles teriam poderes suficientes para combater a fúria do deus Supremo, Ártemis, Apolo, Ares e Hefesto sabiam que teriam uma missão pela frente.

Dividido em três partes, o romance de Bianca Landim nos dá uma aula sobre Mitologia! E após o final da leitura, me peguei pesquisando o que era real e o que era parte da fantástica história de criada pela autora.

A primeira parte de Rebirth, se passa Grécia, cerca de 1.200 A.C.

Dezoito anos após a revelação das moiras, somos apresentados aos novos titãs: Celes é aprendiz da deusa Ártemis, deusa da caça; Discórdia aprende todas as artimanhas da guerra com Ares; Solaris é aprendiz de Apolo e Pyro, de Hefesto.

Inevitavelmente, Celes e Solaris se apaixonam, mas o amor é algo proibido para a protegida de Ártemis, já que a castidade é regra de seu treinamento como amazona; porém, o amor que um nutre pelo outro é maior do que os obstáculos que eles sabem que precisarão enfrentar e não medirão esforços, passando por cima do que for necessário para tornar esse amor possível.

Mas a beleza da Amazona não chama a atenção apenas de Solaris, Como previsto pelas mouras, no momento certo a origem dos titãs seria conhecida, e ao descobrir a verdadeira origem de Celes, Cronos ressurge para tentar aproveitar-se do poder que a menina demonstra e fará de tudo para conseguir o que quer, pois sabe que é a oportunidade perfeita para criar um ser superior a Zeus, seu filho.

Diante do risco que Celes corre quando Cronos finalmente consegue se aproximar, Solaris desperta um poder do qual nem ele imaginava ter e em suas mãos está a chance de finalmente se livrar de Cronos.

Mas os problemas dos titãs não param por aí. Após um longo tempo, ao menos para os mortais, já que a história passa a ser contada no Cairo de 1922. Zeus, Ares e Solaris encontram-se disfarçados em meio aos mortais na busca de resolverem um mistério, após uma escavação e alguns outros acontecimentos, o elmo de Hades acabou sumindo, assim como os chamados “vasos canopos”,  dos deuses egípcios, responsáveis estes por guardarem órgãos humanos no processo de mumificação. Quando em Asgard, o martelo Mjolnir de Thor também é roubado, os titãs sabem que um desafio está em suas mãos, pois a volta de um deus há muito esquecido, que consegue evocar um poder capaz de destruir todos os deuses, ameaça o eterno descanso dos seres supremos.

Após muitas batalhas e ação e já em nosso tempo presente, somos levados à Índia do ano de 2012, onde os deuses hindus se mostram presentes. Aqui, um antigo inimigo retorna com um poder devastador e seu único desejo aniquilar todos os deuses existentes. Para isso, os titãs e os deuses de todas as mitologias se unirão para tentar combatê-lo, contando ainda com o incrível poder dos filhos de Celes e Solaris. (eu disse que esse amor era imortal, não disse?)

O que Bianca nos dá em todas as três fases de sua história é uma mistura de ação e romance da qual nunca havia presenciado em um livro. Minha falta de conhecimento sobre mitologia me sentir vontade de ler mais e mais sobre esses incríveis deuses, sendo até um pouco desnecessário, já que Bianca conseguiu apresentar o mundo e os costumes de todos eles com uma precisão enorme.

O romance nacional mais uma vez se mostra de uma qualidade incrível. A própria experiência da autora, ao conhecer os lugares nos quais o Rebirth foi ambientado, nos serve com uma viagem ao redor do mundo, proporcionando ao leitor uma das maiores alegrias que as histórias podem oferecer: viajar sem sair do lugar.

  Título: Rebirth - Os novos titãs
  Autora: Bianca Landim
  Ano: 2015 / Páginas: 366
  Editora: Talentos da Literatura Brasileira / Novo Século

Conheça a autora



Foi por meio da história, dos idiomas e das culturas estudadas que Bianca Landim concluiu a faculdade de Turismo. Os personagens deste livro surgiram em 2008, depois de uma viagem à Grécia. Ganharam retoques anos depois, quando foi a vez de o Egito ser visitado. A última etapa da jornada foi a Índia, onde viajou de trem por oito dias. Atualmente, Bianca mora com os pais no estado do Rio de Janeiro.

Acompanhe a autora nas redes sociais Skoob, Facebook e Instagram.



sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A Face dos Deuses

Os habitantes de Dünya ainda sofrem os horrores deixados pela Longa Guerra. Mesmo depois de tantos anos, a mais simples ameaça de um novo desentendimento pode fazer com que alianças e pactos improváveis sejam selados. A Face dos Deuses, primeiro volume da série As Crônicas da Aurora, do autor Gleyzer Wendrew, inicia em meio a conflitos em iminência de explosão.


Sinopse: A Face dos Deuses ultrapassa a linha imaginária que delimita o campo de batalha, penetrando profundamente na carne exposta da dor e do sofrimento de quem sobreviveu à guerra… O que fazer, para onde ir e como continuar, quando todas as pessoas que você amava foram tiradas para sempre de você? 
A guerra que deixa sobreviventes, deixa também vencedores? Para ato tão bárbaro e desumano não existe vitória. Todos já perderam.
           O livro te transporta para um mundo onde apenas o sentimento de vingança queima dentro do peito e os deuses silenciosos assistem ao espetáculo da tragédia com suas faces misteriosas...


Quando Heros Kinnhäert, rei de Mäaen, decidiu ignorar as inúmeras cartas de Kazoya Vennian para ajudá-lo a encontrar o Tesouro de Venn, desaparecido há nove meses, ele não imaginava que estaria traçando o destino de sua própria família e também de seu povo.

Tarde demais, ele percebe que Kazoya faria o possível e o impossível para encontrar a isäh Soraya, sua filha, inclusive selar um acordo com o cruel general vatriano Cleyo Blo'Siänkh. Quando Cleyo informa que não somente casará a isäh com seu filho Mäthias, unindo de vez os povos que antes quase se aniquilaram na Longa Guerra, virando-se desta vez contra Maäen, caso o Kennëg se oponha, mas que também, como termo do acordo, levará para ser criado em Vatra seu filho mais novo, o O’kennëg Antau, Heros se vê novamente em uma teia de conspirações e intrigas que ao menor sinal de fracasso, poderá terminar de vez com tudo que reconstruiu após a última guerra.

Vatra, localizado no norte do continente, é um país sombrio, onde a luz de Sühnt, o deus-sol, nunca chega. Habitado por adoradores de Fyaär, deus do ódio, o país é conhecido pela grande brutalidade de seu povo, que pratica a maldade apenas por devoção a seu deus.

As três maiores Famílias de Vatra são quem governam o lugar, os vatrianos nascem com um losango na testa, denominada “dádiva de Fyaär”, ou “brilho de fogo” que queima em sua testa de acordo com suas emoções. Os vatrianos que nascem sem a dádiva são considerados infiéis.

“Após a extinção dos antigos Mestres da Pena Negra, assim eram conhecidos os membros da Família Bë’Goöf, e com o Pactos dos Três recém assinado, Blo’Siänkhs, Sh’Fäelns e K’Voöks, uniram-se e deram início a um cerco contra Entia. Após quatro anos de inúmeras tentativas fracassadas de invasão, os Fyaraänos, ao retornarem a Vatra, além de exterminarem todas as tribos de hraoös que encontraram em seu caminho, deixaram entre os dois países um tremendo rastro de crucificações. Feita de pedra, a estrada carrega apenas sofrimento e destruição.”

“Sobre Vatra: cultura e história”,  p. 327, Autor Desconhecido – Ano Desconhecido

Após a Longa Guerra, nenhum tratado de paz foi selado entre Mäaen, Venn e Vatra, e apesar desse convívio aparentemente pacífico, qualquer passo em falso nesse jogo poderá reabrir as cicatrizes de que todos ainda se recuperam.

“Mentiras, laços frágeis, falsas emoções e adagas traiçoeiras permeiam um mundo cercado de religião, política e deuses misteriosos.”

Mais uma vez me deparo com uma história na qual não sei, afinal, quem são os mocinhos e quem são os vilões. Apesar de serem claros os objetivos e feitos de cada um, Gleyzer demonstra de cada ponto de vista os motivos que fazem homens justos ou brutais procurarem vingança.

“No norte, Koran K’Voöhk é um orgulhoso guerreiro que retorna à sua cidade após o exílio que lhe foi imposto ainda garoto, e depara-se com a mais pura decadência: sua Família está em declínio; seu castelo, abandonado aos ratos; seus inimigos, ainda mais poderosos...Conseguirá ele reerguer o nome de sua Família e recuperar o prestígio que ela um dia tivera?”

Intercalando os acontecimentos ocorridos em Arthä capital de Maäen, Väll capital de Vatra, Akähm, capital de Venn e também acompanhando o trajeto de Antau, partindo de seu lar no sul, com destino a Vatra, no norte do continente, A Face dos Deuses é um livro que considerei de um tipo quase “poético”. A escrita de Gleyzer é extremamente rica e o cenário é descrito com tamanho cuidado, que um mundo complexo e muito bem construído vai se formando em nossa imaginação.

Quando terminei a leitura, perguntei ao autor se tudo isso havia mesmo existido algum tempo na história, e ao saber que não, mais uma vez me perguntei se não existem, de fato, universos paralelos onde essas histórias criadas sejam reais. Pois acho quase injusto um mundo tão bem criado existir apenas em nossa imaginação.

Sem obedecer uma ordem cronológica de acontecimentos, os capítulos são narrados tanto no presente quanto no passado, e não tenho outra palavra que resuma melhor esta história: Genial.
Tendo um apoio fortíssimo na religião, os habitantes de Dünya veneram diferentes deuses, e é simplesmente incrível a forma como suas emoções são representadas por eles.

“A fome, a miséria e o caos imperavam numa capital que já vira dias melhores e agora pensava em deitar-se sobre o declínio. O próprio Sürm parecia caminhar onipotente pela cidade e a face de Vaäth era vista no rosto das pessoas.”

Vaäth – A Obscura, deusa do medo e do desespero.
Sürm – O Incógnito, deus do caos.                            

Com inspiração em Game of Thrones e outras histórias do gênero, A Face dos Deuses é diferente de tudo que já li, um livro daqueles que terminam bem na hora “errada” e o gosto de quero mais fica entalado após o término da leitura, pois Gleyzer soube prender o leitor em um universo riquíssimo e cheio de ação.

“ A Fyaraäna dançava levemente de um lado para o outro enquanto desviava dos ataques desajeitados. Suas espadas  pararam um, dois, três golpes antes de voltarem a atacar (...) Dois metros de terra seca e poeira os separavam. A guerreira vatriana adotou sua posição de ataque e se preparou para a última dança.”

Como qualquer história digna de finais “pqp!”, A Face dos Deuses encerra sua apresentação de forma inesperada e cheia de mistérios a serem resolvidos. Entre eles, um me deixou com os nervos a flor da pele: 

"Existe um antigo ditado nähfeno que diz:  A Floresta Dokah devolve apenas os puros de coração." 

 E já sou a primeira a aguardar fervorosamente a continuação.

Já digo como aviso que não pude contar nem a metade de toda a riqueza literária que o livro proporciona, existe uma lista de personagens importantes e muito bem construídos que infelizmente ficaram de fora, assim como lugares e fatos dessa história que são relatados ao longo da narrativa. Na verdade, não é fácil fazer jus a esta obra em uma resenha. O leitor deve embarcar a fundo nessa série que veio para conquistar os amantes de um bom livro de ação e reviravoltas astuciosas.

O livro conta com um mapa para podermos nos localizar, o que adoro, já que fico olhando a todo momento onde determinado personagem está. Além disso, um Apêndice é encontrado nas últimas páginas do livro, dando significado a alguns termos da história. Os Brasões de todas as grandes Famílias também encontram-se ali e a cronologia de todos os personagens e mais importantes acontecimentos de Dünya podem ser acompanhados.


Uma obra completíssima e que merece se difundir por todos os leitores que apreciam uma obra nacional de tirar o fôlego.

Gleyzer está de parabéns pela sua escrita e merece alcançar o maior sucesso possível por onde passar, pois criou uma das histórias mais envolventes que já tive o prazer de conhecer, logo eu, que amo uma boa fantasia.


Autor: Gleyzer Wendrew
Ano: 2016 / Páginas: 180
Idioma: português 
                Editora: Kiron

Encontre mais sobre o mundo de A Face dos Deuses no site As Crônicas da Aurora


Conheça um pouco sobre o autor



Gleyzer Wendrew  nasceu no dia 19 de abril de 1992, em Brasília, cidade na qual cresceu e ainda reside. Embora formado em Administração de Empresas, curso do qual se orgulha, tem sua grande paixão na Filosofia de Nietzsche, na História Medieval europeia e asiática, e nas diversas mitologias espalhadas pelo mundo. Fã incondicional de J. R. R. Tolkien, Bernard Cornwell e George Martin, não tentaria excluir desta sua primeira obra os conhecimentos que adquiriu com os mestres da literatura fantástica. Atualmente se dedica a consolidar o universo criado enquanto escreve os outros 3 volumes da saga.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Se Arrependimento Matasse



                Uma noite de tempestade, um grupo de pessoas presas em um hotel e um assassino à solta. Estes são os ingredientes de um suspense arrebatador, que entrou para a minha lista de favoritos. A resenha de hoje é sobre o livro “Se ArrependimentoMatasse” do autor Alma Cervantes.


Alex, Alice e Rebeca são grandes amigos e decidem se reencontrar depois de alguns anos sem se verem. O lugar escolhido é o hotel dos pais de Alex, mas o que parecia uma viagem especial, repleta de conversas agradáveis e descontraídas com os outros hóspedes durante o jantar se transforma, em seguida, num pesadelo. 
Quando os três se preparam para dormir, ouvem batidas desesperadas à porta e seguem ao salão, onde logo descobrem que o cozinheiro fora assassinado. Com a comoção, somada à dificuldade de fuga devido à tempestade e névoa lá fora, a confusão logo se instala no hotel, além de um desagradável clima de suspeita entre os hóspedes.

Alex, Alice e Rebeca eram grandes amigos na escola. Com o passar do tempo, seguiram caminhos diferentes e acabaram se separando.
Após um longo tempo sem se ver, eles resolvem fazer uma viagem para retomar a amizade, o destino escolhido é o hotel dos pais de Alex. O objetivo era colocar o papo em dia, saber os rumos que a vida de cada um tomou, relembrar os bons momentos e a partir disso manter contato.
Tudo corria bem, a sintonia entre eles era a mesma do passado. Com a chegada dos demais hóspedes, os pais de Alex planejam um jantar para receber um suposto investidor. Neste momento todos se conhecem e têm uma refeição agradável.
A partir disso toda a paz da noite se esvai. Um assassinato ocorre no local. Victor, o cozinheiro, é encontrado morto. Uma tempestade terrível acontece lá fora. Com as estradas bloqueadas e carros sabotados, seria improvável que o assassino fosse alguém de fora, logo todas as pessoas que estão no hotel são suspeitas.

 “A única coisa certa era que estavam em perigo e precisariam cooperar.”

A cada minuto que passa o clima de tensão aumenta, uma investigação inicia entre eles para encontrar o criminoso, porém é difícil ver a verdade em meio a uma tragédia como essa, que afeta o comportamento de todos.
O tempo está passando, mais mortes acontecendo e para se salvar, eles terão de juntar as peças e encontrar o responsável por toda essa tragédia. Nunca o amanhecer foi tão esperado e demorou tanto a chegar. Quem dera eles não tivessem chegado a este hotel. Se arrependimento matasse...

“É dito que quando alguém conhece o verdadeiro desespero, se não houver distração constante e eficiente, a pessoa se perde nas profundezas da loucura até o fim de sua vida.”



Um suspense eletrizante que intriga o leitor do início ao fim. Em toda a narrativa surgem dúvidas sobre quem é o culpado, e isso acaba nos envolvendo ainda mais. Acompanhando a investigação fiz minhas próprias análises e, ao longo do livro, culpei todos em algum momento. Rs

 “Não se preocupe. Independente das circunstâncias, tudo acabará bem ao amanhecer.”

Alex, Alice e Rebeca são os principais personagens da história, é com o encontro deles que vamos conhecendo os demais e o desenrolar da trama. Alice é o mais centrado dos amigos, um pouco introvertido ele é mais observador, consegue manter a calma, mesmo em situações tão criticas. Alex é um cara mimado e explosivo, seu jeito manipulador e impositivo acaba aumentando a tensão do ambiente. Rebeca é uma menina doce e agradável, apaixonada por Alex desde a juventude, esperava que nesta viagem ele a notasse, logo esta era a sua maior preocupação.
Os demais personagens são misteriosos em uma primeira impressão. À medida que detalhes sobre eles vão sendo revelados, se tornam ainda mais suspeitos.

 “Discernir a verdade em meio a tantas possibilidades... Essa é minha preocupação.”

O que mais intriga no livro é que na realidade todos são extremamente suspeitos. Você pode imaginar uma razão para cada um, todas as histórias têm falhas e mistérios a serem desvendados que podem levar a um culpado. Isso faz com que o leitor fique angustiado e curioso, não conseguindo largar o livro até descobrir o verdadeiro assassino.

 “Sinto dizer, porém tomar uma sugestão de natureza tão aleatória como verdade é inadmissível à minha posição.”

A trama acontece no hotel dos pais de Alex, um lugar bem afastado que, embora não seja tão grande, tem um requinte que o torna bem acolhedor. Com os acontecimentos, os sentimentos que se seguiram: medo, desconfiança, tensão e instinto de sobrevivência. Juntamente com a situação do tempo e suas consequências: tempestade, neblina, estradas bloqueadas, isolamento; o cenário acaba se tornando sombrio e assustador, como se o mal estivesse à espreita, nas sombras, esperando o momento certo para fazer uma nova vítima.
Com a investigação acontecendo, todos acabam desconfiando uns dos outros, e a cada segundo é mais importante descobrir o autor dos crimes, para assim neutralizá-lo e sobreviver até o amanhecer.

 “Quem busca a verdade absoluta deve ser frio, imparcial, e manter sempre acima de tudo a razão, ignorando qualquer comentário desacompanhado de fatos.”

O fechamento da história é extremamente impressionante. De todos os finais que eu imaginei, este não chegou nem perto, e isso foi incrível. Nada melhor que mergulhar em uma história imprevisível, terminando com aquela sensação gostosa de descoberta. Os motivos que levaram a essa catástrofe também são impossíveis de adivinhar ao longo da narrativa.

 “São poucos aqueles capazes de discernir a verdade tão minuciosamente em meio a tantas incertezas e sugestões.”

Me senti tensa e apreensiva em cada página, sem saber o que iria acontecer, quantas vidas ainda seriam perdidas até a noite acabar e tentando sempre descobrir quem é o assassino. Porém com tantas coisas envolvidas é muito difícil distinguir culpados e inocentes. A adrenalina atrapalha nosso discernimento.
Amei a leitura e entendi o porquê desta obra receber tantos elogios. A narrativa é ágil e envolvente; os personagens, ainda que complexos, são bem construídos e despertam a curiosidade dos leitores. Além de toda a aura do livro. Estar preso em um hotel, com um assassino a solta e totalmente expostos a muitos perigos acaba mexendo muito com o leitor, que vive a história junto com os personagens. Uma leitura viciante, impossível de largar antes da última página.
Recomendo aos fãs de suspenses e histórias policiais. E também para as pessoas que ainda não leram nada assim, para vocês essa obra será um inicio com o pé direito.

 “Mudanças, por mais estudadas e planejadas que sejam, desencadeiam outras mudanças, estas inesperadas.”

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Título: Se Arrependimento Matasse
Autor: Alma Cervantes
Editora: Novo Século
Ano: 2013
Páginas: 248