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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Campeões de Gaia

Uma fantasia capaz de fazer uma fã de romances, como eu, se render e viciar na história. Merece uma salva de palmas e muitos novos leitores. A resenha de hoje é sobre o primeiro livro da Trilogia dos Três Domínios,  “Campeões de Gaia”, do autor L.L. Stockler.


 “Que as estrelas iluminem o caminho.”

Há cerca de quatrocentos anos, Celo, deus-pai e senhor dos céus, teria designado uma família para governar toda Gaia e instaurar sua ordem divina. Sobre as cinzas de seus inimigos, os Draconem então construíram o maior e mais vasto império já visto, dominando a tudo e a todos, como lhes era de direito.
Quando seu pai morre trinta e cinco anos após a Rebelião de Krallik, Kayla percebe que não havia mais nada que a prendesse à pacata fazenda onde crescera no interior de Jardinsul. Ela estava livre para explorar o mundo, que até então conhecia apenas pelas páginas de livros, e gravar seu nome na História. Determinada sua partida, Trevor, seu leal amigo, não vê escolha se não segui-la e descobrir, junto dela, o seu próprio destino.
Entretanto, a dupla logo aprenderá que a realidade pode ser mais dura do que contavam as histórias, que sequelas de séculos de disputas podem ser fortes o bastante para pôr em xeque a paz imperial, e consigo a vida de todos os habitantes de Gaia.



Com a morte de seu pai, Kayla não vê sentido em continuar na pequena vila sem nome do interior da província de Jandirsul. Ela não tem mais família, nada a prende naquele lugar, a não ser seu melhor amigo, Trevor. Kayla tem uma sede impressionante de explorar o mundo, conhecer tudo aquilo que só viu nos livros, desvendar o oculto e marcar seu nome na história.
Trevor é feliz onde vive, com sua vidinha pacata e sua bela família. Ele poderia terminar seus dias ali, mesmo que não tenha sido esse o destino traçado para ele. Mas como pode ver Kayla partir? Como continuar em paz deixando sua melhor amiga se afastar, talvez para nunca mais voltar? Como aceitar que a deixou desbravar o mundo sem sua proteção?
Embora ali fosse um lugar feliz, Trevor sabia que teria que partir. Entrar nessa aventura com Kayla, enfrentar os perigos do mundo, e neste processo, descobrir quem ele realmente é.
Partindo, os dois amigos encontram muitas aventuras, tornam-se mercenários, enfrentam bandidos, duelam. Eles estão tendo a vida que sonharam, destemidos e corajosos, enfrentando todos os perigos para, um dia, serem lembrados.

“A vida não são flores, menina.”

Porém a vida no poderoso Império Draconem pode ser muito mais perigosa do que eles pensavam. E subitamente os jovens se veem envoltos em uma disputa de poder regada a sangue, violência e vingança. Esta é a grande chance dos dois escreverem seu nome na história de Gaia, mas antes disso, eles terão de lutar para permanecerem vivos.

“O mundo se estende diante de vocês, basta esticar a mão e pegá-lo.”


Uma aventura fantástica recheada de ação, perigos e traições. Campeões de Gaia é aquele livro que te prende e te leva para dentro da história, que te permite viver junto com Kayla e Trevor todas aquelas aventuras eletrizantes.
Ambientado no Império Draconem, podemos acompanhar como era a vida neste tempo fictício. Os valores da população, a rotina dos mercenários e aventureiros, as disputas por poder, o descontentamento do povo, as rebeliões e injustiças.
Kayla e Trevor viviam tranquilamente em uma pequena província e tinham a garantia de segurança naquele pequeno povoado. Trevor poderia passar anos assim, cuidando de suas terras, perto da sua família. Porém Kayla não pensava da mesma maneira. Sua família já havia partido e nada a segurava ali.
Ela queria conquistar o mundo, marcar seu nome na história, viver todas as aventuras que ela só tinha presenciado nos livros. Uma menina de personalidade forte. Muitas vezes suas escolhas e atitudes podem chocar o leitor. Ela é extremamente fria e calculista, faz aquilo que tem que fazer, seja partir da sua cidade natal ou tirar a vida de alguém. Ela não tem reflexões sentimentalistas, simplesmente faz o que acha que é correto. Esse jeito polêmico pode dividir opiniões, alguns leitores podem achá-la inconsequente, eu a achei genial. Amei a personagem, sua coragem e ironia, fazendo tudo conforme sua cabeça manda. Encarando os perigos sem medo, convicta de que tem força suficiente para vencê-los.

“Para ela, a morte era tão necessária à vida assim como a noite era ao dia. A morte é o destino dos vivos e ponto final.”

Trevor é o oposto de Kayla. Ele é aquele bom moço, responsável. Mesmo sendo feliz na sua terra, não aguenta ver Kayla partir sozinha e embarca nessa viagem com o intuito de protegê-la, somente isso já diz muito sobre seu caráter.
Um garoto bonzinho que vive diante da moral e dos bons princípios, comprometido com sua honra, fazendo sempre o que é certo. Não consegue realizar algo sem pensar em como isso afetaria aos que estão ao seu redor.
A amizade entre os dois é linda e verdadeira. Um está preparado para dar a vida pelo outro. As personalidades extremamente diferentes se completam e os tornam inseparáveis. Mesmo enfrentando grandes perigos, juntos eles têm força para sobreviver.

A jornada desses dois amigos é intensa. A cada dia eles encontram dificuldades maiores, aventuras mais perigosas. Tornam-se mercenários e aceitam trabalhos que a maioria rejeitaria, lutam contra bandidos, rebeldes, seres místicos. Além de toda a ganancia por poder que eles presenciam. O que as pessoas fazem nessa busca cega por domínio e riqueza no livro é tão cruel. O povo sofre tanto e o mais triste de tudo isso é ver que a nossa realidade é semelhante: repleta de governantes corruptos buscando uma melhor qualidade de vida e massacrando a população para alcançar este fim.

“Eles mentem para si próprios. Negam a realidade que se estende à sua frente. Negam a revolta que queima ao seu redor. Negam a desigualdade fomentada ao seu lado! Negam que são os verdadeiros causadores deste estigma que tanto envenena e destrói a sociedade! Preferem apontar o dedo e jogar a culpa para o primeiro coitado que encontrarem do que encarar os fatos.”

Uma leitura sensacional. Não sou a maior fã de fantasia, mas este livro conquistou meu coração, entrou para os meus favoritos e me fez ver com outros olhos este gênero.
Tenho certeza que L.L. Stockler andou tomando chá das cinco com George R. R. Martin, porque aprendeu direitinho com ele a melhor forma de conquistar, destruir e reconquistar o coração do leitor.
Recomendo a leitura aos fãs de fantasia e também aos iniciantes nestes universos fantásticos. Certamente as aventuras de Kayla e Trevor serão uma iniciação perfeita para vocês, arrebatando corações e adquirindo novos fãs. Ansiosíssima pelo próximo volume da trilogia! *-*

“Serão o suficiente quando puderem derrotar cem inimigos sem derramar uma gota de suor, quando moverem montanhas com as mãos e se tornarem verdadeiros campeões de Gaia. Só então serão o suficiente para todos os perigos que a vida é capaz de lhes impor.”

Adquira seu exemplar clicando aqui.



“Mais vale uma vida curta e boa do que uma longa e entediante.”

“Sorte é para os fracos.”

 “Acho que você tem o direito de se portar como um babaca quando se é um príncipe.”

“-A corrupção está longe de ser uma questão de tempo (...). Apenas diz respeito ao preço, basta pagar-lhes a moeda certa.”

“O direito é uma ficção criada pelos governantes para justificar o próprio governo.”



Título: Campeões de Gaia
Autor: L.L. Stockler
Editora: Novo Século
Ano: 2016
Páginas: 318

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A Face dos Deuses

Os habitantes de Dünya ainda sofrem os horrores deixados pela Longa Guerra. Mesmo depois de tantos anos, a mais simples ameaça de um novo desentendimento pode fazer com que alianças e pactos improváveis sejam selados. A Face dos Deuses, primeiro volume da série As Crônicas da Aurora, do autor Gleyzer Wendrew, inicia em meio a conflitos em iminência de explosão.


Sinopse: A Face dos Deuses ultrapassa a linha imaginária que delimita o campo de batalha, penetrando profundamente na carne exposta da dor e do sofrimento de quem sobreviveu à guerra… O que fazer, para onde ir e como continuar, quando todas as pessoas que você amava foram tiradas para sempre de você? 
A guerra que deixa sobreviventes, deixa também vencedores? Para ato tão bárbaro e desumano não existe vitória. Todos já perderam.
           O livro te transporta para um mundo onde apenas o sentimento de vingança queima dentro do peito e os deuses silenciosos assistem ao espetáculo da tragédia com suas faces misteriosas...


Quando Heros Kinnhäert, rei de Mäaen, decidiu ignorar as inúmeras cartas de Kazoya Vennian para ajudá-lo a encontrar o Tesouro de Venn, desaparecido há nove meses, ele não imaginava que estaria traçando o destino de sua própria família e também de seu povo.

Tarde demais, ele percebe que Kazoya faria o possível e o impossível para encontrar a isäh Soraya, sua filha, inclusive selar um acordo com o cruel general vatriano Cleyo Blo'Siänkh. Quando Cleyo informa que não somente casará a isäh com seu filho Mäthias, unindo de vez os povos que antes quase se aniquilaram na Longa Guerra, virando-se desta vez contra Maäen, caso o Kennëg se oponha, mas que também, como termo do acordo, levará para ser criado em Vatra seu filho mais novo, o O’kennëg Antau, Heros se vê novamente em uma teia de conspirações e intrigas que ao menor sinal de fracasso, poderá terminar de vez com tudo que reconstruiu após a última guerra.

Vatra, localizado no norte do continente, é um país sombrio, onde a luz de Sühnt, o deus-sol, nunca chega. Habitado por adoradores de Fyaär, deus do ódio, o país é conhecido pela grande brutalidade de seu povo, que pratica a maldade apenas por devoção a seu deus.

As três maiores Famílias de Vatra são quem governam o lugar, os vatrianos nascem com um losango na testa, denominada “dádiva de Fyaär”, ou “brilho de fogo” que queima em sua testa de acordo com suas emoções. Os vatrianos que nascem sem a dádiva são considerados infiéis.

“Após a extinção dos antigos Mestres da Pena Negra, assim eram conhecidos os membros da Família Bë’Goöf, e com o Pactos dos Três recém assinado, Blo’Siänkhs, Sh’Fäelns e K’Voöks, uniram-se e deram início a um cerco contra Entia. Após quatro anos de inúmeras tentativas fracassadas de invasão, os Fyaraänos, ao retornarem a Vatra, além de exterminarem todas as tribos de hraoös que encontraram em seu caminho, deixaram entre os dois países um tremendo rastro de crucificações. Feita de pedra, a estrada carrega apenas sofrimento e destruição.”

“Sobre Vatra: cultura e história”,  p. 327, Autor Desconhecido – Ano Desconhecido

Após a Longa Guerra, nenhum tratado de paz foi selado entre Mäaen, Venn e Vatra, e apesar desse convívio aparentemente pacífico, qualquer passo em falso nesse jogo poderá reabrir as cicatrizes de que todos ainda se recuperam.

“Mentiras, laços frágeis, falsas emoções e adagas traiçoeiras permeiam um mundo cercado de religião, política e deuses misteriosos.”

Mais uma vez me deparo com uma história na qual não sei, afinal, quem são os mocinhos e quem são os vilões. Apesar de serem claros os objetivos e feitos de cada um, Gleyzer demonstra de cada ponto de vista os motivos que fazem homens justos ou brutais procurarem vingança.

“No norte, Koran K’Voöhk é um orgulhoso guerreiro que retorna à sua cidade após o exílio que lhe foi imposto ainda garoto, e depara-se com a mais pura decadência: sua Família está em declínio; seu castelo, abandonado aos ratos; seus inimigos, ainda mais poderosos...Conseguirá ele reerguer o nome de sua Família e recuperar o prestígio que ela um dia tivera?”

Intercalando os acontecimentos ocorridos em Arthä capital de Maäen, Väll capital de Vatra, Akähm, capital de Venn e também acompanhando o trajeto de Antau, partindo de seu lar no sul, com destino a Vatra, no norte do continente, A Face dos Deuses é um livro que considerei de um tipo quase “poético”. A escrita de Gleyzer é extremamente rica e o cenário é descrito com tamanho cuidado, que um mundo complexo e muito bem construído vai se formando em nossa imaginação.

Quando terminei a leitura, perguntei ao autor se tudo isso havia mesmo existido algum tempo na história, e ao saber que não, mais uma vez me perguntei se não existem, de fato, universos paralelos onde essas histórias criadas sejam reais. Pois acho quase injusto um mundo tão bem criado existir apenas em nossa imaginação.

Sem obedecer uma ordem cronológica de acontecimentos, os capítulos são narrados tanto no presente quanto no passado, e não tenho outra palavra que resuma melhor esta história: Genial.
Tendo um apoio fortíssimo na religião, os habitantes de Dünya veneram diferentes deuses, e é simplesmente incrível a forma como suas emoções são representadas por eles.

“A fome, a miséria e o caos imperavam numa capital que já vira dias melhores e agora pensava em deitar-se sobre o declínio. O próprio Sürm parecia caminhar onipotente pela cidade e a face de Vaäth era vista no rosto das pessoas.”

Vaäth – A Obscura, deusa do medo e do desespero.
Sürm – O Incógnito, deus do caos.                            

Com inspiração em Game of Thrones e outras histórias do gênero, A Face dos Deuses é diferente de tudo que já li, um livro daqueles que terminam bem na hora “errada” e o gosto de quero mais fica entalado após o término da leitura, pois Gleyzer soube prender o leitor em um universo riquíssimo e cheio de ação.

“ A Fyaraäna dançava levemente de um lado para o outro enquanto desviava dos ataques desajeitados. Suas espadas  pararam um, dois, três golpes antes de voltarem a atacar (...) Dois metros de terra seca e poeira os separavam. A guerreira vatriana adotou sua posição de ataque e se preparou para a última dança.”

Como qualquer história digna de finais “pqp!”, A Face dos Deuses encerra sua apresentação de forma inesperada e cheia de mistérios a serem resolvidos. Entre eles, um me deixou com os nervos a flor da pele: 

"Existe um antigo ditado nähfeno que diz:  A Floresta Dokah devolve apenas os puros de coração." 

 E já sou a primeira a aguardar fervorosamente a continuação.

Já digo como aviso que não pude contar nem a metade de toda a riqueza literária que o livro proporciona, existe uma lista de personagens importantes e muito bem construídos que infelizmente ficaram de fora, assim como lugares e fatos dessa história que são relatados ao longo da narrativa. Na verdade, não é fácil fazer jus a esta obra em uma resenha. O leitor deve embarcar a fundo nessa série que veio para conquistar os amantes de um bom livro de ação e reviravoltas astuciosas.

O livro conta com um mapa para podermos nos localizar, o que adoro, já que fico olhando a todo momento onde determinado personagem está. Além disso, um Apêndice é encontrado nas últimas páginas do livro, dando significado a alguns termos da história. Os Brasões de todas as grandes Famílias também encontram-se ali e a cronologia de todos os personagens e mais importantes acontecimentos de Dünya podem ser acompanhados.


Uma obra completíssima e que merece se difundir por todos os leitores que apreciam uma obra nacional de tirar o fôlego.

Gleyzer está de parabéns pela sua escrita e merece alcançar o maior sucesso possível por onde passar, pois criou uma das histórias mais envolventes que já tive o prazer de conhecer, logo eu, que amo uma boa fantasia.


Autor: Gleyzer Wendrew
Ano: 2016 / Páginas: 180
Idioma: português 
                Editora: Kiron

Encontre mais sobre o mundo de A Face dos Deuses no site As Crônicas da Aurora


Conheça um pouco sobre o autor



Gleyzer Wendrew  nasceu no dia 19 de abril de 1992, em Brasília, cidade na qual cresceu e ainda reside. Embora formado em Administração de Empresas, curso do qual se orgulha, tem sua grande paixão na Filosofia de Nietzsche, na História Medieval europeia e asiática, e nas diversas mitologias espalhadas pelo mundo. Fã incondicional de J. R. R. Tolkien, Bernard Cornwell e George Martin, não tentaria excluir desta sua primeira obra os conhecimentos que adquiriu com os mestres da literatura fantástica. Atualmente se dedica a consolidar o universo criado enquanto escreve os outros 3 volumes da saga.

sábado, 23 de julho de 2016

Nildrien - O Pergaminho


          Nildrien foi minha mais recente surpresa. Uma fantasia muito bem escrita, personagens fortes e cativantes, vilões de personalidade única, batalhas contra monstros mitológicos e aventura que não acaba mais. Com uma narrativa fluída e nada previsível, o livro de Manoel Batista veio para ficar entre os leitores desse gênero fantástico, que amam uma boa dose de adrenalina, ação e suspense, assim como eu.




Sinopse:


Em um mundo de fantasia medieval, o despertar de uma poderosa energia em uma caverna milenar e remota faz com que os mais poderosos reinos de Nildrien se mobilizem para conseguir o artefato portador do poder: um antigo pergaminho criado pelo maior de todos os magos, contendo feitiços capazes de afetar o equilíbrio mundial. Sem poder enviar seus mais experientes e poderosos membros, resta às forças de reinos aliados formarem um grupo de jovens aventureiros para enviá-los ao maior desafio de suas vidas: uma aventura entre guerreiros, magos e monstros que dividem um cenário onde o fantástico e a magia se mostram mais presentes do que nunca. Uma jornada que mudará para sempre a vida desses jovens, repleta de drama, ação e humor.

____


Nos profundos e obscuros caminhos da Caverna Antiga, alguns mineradores acabaram por descobrir o esconderijo de Arkross Shawron, um dos maiores magos de Nildrien, falecido há mais de mil anos, na Era das Trevas.

O antigo Pergaminho de Arkross, ao que parece, é portador de um imenso poder, sendo cobiçado então pelo Reino das Trevas de Nildrien, Asenhar, que na posse de um mapa criado por um dos mineradores, acabou seguindo, sem perca de tempo, para a Caverna Antiga em busca do local exato onde encontra-se o Pergaminho.

Na tentativa de impedir Asenhar de colocar as mãos no poderoso Pergaminho, Dyla, a Rainha de Nalim, um dos reinos de Nildrien, forma uma expedição de jovens magos e guerreiros, incluindo a própria princesa de Skyllus, o Reino da Luz, que determinados a proteger o reino, seguem atrás de Asenhar nessa perigosa jornada.

Tendo somente o rastro do grupo inimigo à frente, eles precisarão enfrentar obstáculos inimagináveis pelo caminho; após passar pelo Campo de Dalend, Kobolds, Cães Infernais, Worgs, Bugbears, Medusas e outras criaturas serão apenas um pouco do que os espera em cada canto escuro da Floresta das Sombras e a cada curva dos sinuosos e complexos caminhos da Caverna Antiga. Um risco necessário para que as trevas permaneçam longe do restante do reino.


É assim que começa essa fantástica aventura chamada Nildrien, O Pergaminho. Os primeiros capítulos são dedicados a apresentar os personagens que formarão o grupo de Nalim. Com riqueza em detalhes, um pouco da história e motivações de cada membro, que fará parte da expedição, é narrado para que o leitor conheça a personalidade de cada um.

Quinze membros, por fim, são enviados no encalço de Asenhar, dentre eles magos, guerreiros, clérigas e meio-demônios, dentre outras raças. É aqui que se encontra o diferencial do livro de Manoel Batista. Com inspiração em jogos de RPG, é surpreendente ler batalhas onde as mais diversas habilidades são usadas e a cura, habilidade oferecida pelas clérigas, são um ingrediente de grande importância para que os ferimentos de batalha sejam rapidamente fechados, garantindo a integridade dos lutadores.

Uma história que com certeza entrou para o top cinco de minhas fantasias preferidas. O autor criou um mundo fantástico onde minha única tristeza durante a leitura foi a ausência de um mapa. Em nenhum momento por dificuldade na localização, mas sim pela vontade de ver Nalim, Asenhar, a intimidante Floresta das Sombras, o reino da luz, Skyllus, a Caverna Antiga e todo o universo de Nildrien.

Se esse fosse o caso de um RPG, eu não saberia com qual dos personagens jogaria. Alguns são destemidos, como Reks, Karson, Histran e  Hanns, outros, como Ylis e Karedrine são cativantes e outros ainda, inoportunos; como a dupla Nayhan e Raven, que se aventuram até a Caverna Antiga para tentar passar a perna em ambos os grupos e chegar primeiro ao Pergaminho. Ambos são personagens confiantes e destemidos, assim como os membros de Asenhar, que são, aparentemente, inabaláveis. Me chamou atenção em especial a dupla improvável formada por Lóris, a princesa de Skyllus e Josh, o príncipe das Trevas; não pude deixar de imaginar ambos juntos em algum outro tipo de missão.

A leitura é fluída, as cenas foram narradas com extremo cuidado, tornando possível ler batalhas incríveis que se deram em todos os cantos por onde os personagens passaram. Diversas escolhas tiveram de ser feitas ao longo do trajeto e muitas vezes os caminhos se separaram, juntando-se novamente nas horas certas, rumo a um final de tirar o fôlego do qual me encheu de medo e angustias precipitadas, mas que levaram a um final digno de uma fantasia inacreditável.


Autor: Manoel Batista 
Ano: 2015 
Páginas: 588
Editora: Talentos da Literatura - Novo Século

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Johnny Bleas – Um Novo Mundo


Todo livro de fantasia nos remete a reinos longínquos, lugares mágicos e seres incríveis que, em nossa cética Neifs, escondem-se de nossos olhos ou passam despercebidos. No livro (que com certeza foi o que mais me chamou atenção no quesito: Nota do autor) o escritor nacional João Gabriel Brene, nos define com maestria os mundos fantásticos dos quais tanto amamos e sonhamos conhecer.


“Nosso mundo é feito de energias. Assim como os outros mundos, 
as energias estão por toda a parte. 
O acúmulo de energia estável forma fusões dimensionais.
Em alguns lugares do nosso mundo podemos encontrar 
esses canais de fusões dimensionais,
 nos lugares mais inacreditáveis e imprevisíveis que podemos imaginar.
São essas fusões dimensionais que nos levam a viajar entre mundos desconhecidos, 
que nos levam à fantasia, que nos levam à mundos mágicos, que nos levam à Asterium.
Onde nossa história começa.”   

João Gabriel Brene 




          Johnny Bleas era um menino comum. Órfão de pai e mãe, Johnny foi criado pelos tios em uma fazenda, mas tudo em sua vida começa a mudar a partir do triste dia em que sua tia Marta é encontrada morta dentro de sua própria casa. Durante o velório, Johnny percebe um estranho menino que parece o chamar. É seguindo aquele pequeno de vestes esquisitas, que Johnny acaba entrando em uma caverna, que mais tarde ele descobre ser um portal, que o leva ao mundo mágico de Asterium.

Eu, como uma eterna apaixonada por fantasia, me encantei com a forma como o autor separou o mundo mágico do não mágico, a Terra, que com o tempo perdeu toda a magia, e Asterium, a dimensão onde toda a magia do mundo se encontra.

Em Asterium, Johnny descobre que toda sua vida em Neifs (Terra), fora apenas uma forma que encontraram para mantê-lo protegido, e que seu retorno não é em vão. Uma antiga profecia está para ser cumprida e a ajuda dele será fundamental para ajudar Asterium.

Diferente de alguns livros que já li (aonde protagonistas chegam e incrivelmente já sabem resolver tudo “magicamente”,) Johnny Bleas chega a Asterium de forma humilde, João soube encontrar uma forma perfeita para Johnny aprender as coisas de uma forma que não pensássemos que o menino é um herói nato. Descobrindo, aos poucos, as novidades de seu novo mundo, ele acaba entrando em algumas confusões no início da história, o que me tirou boas risadas, mas com a coragem e determinação que ele tem, não demora muito a pegar o ritmo de sua nova vida, para enfrentar os desafios que encontrará pela frente.

Sem tempo para mais adaptações, Johnny precisa rapidamente encontrar uma profissão para seguir, mas, quando as opções, diferentes das tradicionais, envolvem espadas, magias, curas e poções, a escolha pode não ser tão simples assim. Com a ajuda de Thabillus (o “menino” de vestes esquisitas, que Johnny descobriu ser, na verdade, um duende) e do Sr. Yougen, um mordomo que ajuda Johnny a entender um pouco sobre sua nova realidade, eles saem à procura de alguém que ajudará Johnny a aprender a profissão que ele escolheu. Que é.... qual será ? Essa vou deixar para vocês descobrirem!

Enquanto isso, as três partes que formam o coração de Asterium correm perigo, já que, caso tomadas pelo mal, o reino cairá nas trevas. Johnny está em uma corrida contra o tempo para salvar seu povo, já que Kourem, o grande vilão da história, parece estar sempre um passo a frente.


Várias surpresas esperam o leitor ao longo das páginas; Johnny precisará enfrentar vários desafios em seu caminho, entre eles, uma traição inesperada. Aos poucos, vários personagens vão chegando à história, com características que enriquecem a narrativa e nos faz desejar o próximo volume em mãos, assim que a primeira parte dessa incrível trilogia se encerra.


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