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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Desencontros e Desencantos

        Me aventurei em uma leitura de época. Uma das primeiras, e ele é Nacional! Confiram a resenha do livro Desencontros e Desencantos, da autora Nathalia Batista, publicado pela nossa querida Chiado Editora.


Sinopse:

A Inglaterra, do início do século XIX, é palco de um romance repleto de paixão, dor, encontros, encantos, desencontros e desencantos. O romance é composto por pessoas e com elas, tudo o que há de pior e de melhor no ser humano.  São sentimentos explorados em uma cadência lenta nas fases mais difíceis da vida de uma mulher. Suzanne é uma doce e ingênua moça de dezessete anos, cercada e castigada pela maldosa Veronika, de quem era dama de companhia. A vida tem seu próprio jeito de ensinar aos ingênuos e proporciona um longo e árduo caminho a menina em meio a uma sociedade onde respeito e posição não raramente eram construídos com crueldade, inveja, mentiras, intrigas e vingança.


Suzanne Black mora com as Hampton desde que sua mãe, a antiga Dama de Companhia da senhora da casa, falecera. Desde então, a moça é Dama de Companhia de Veronika, uma menina arrogante e má, que faz o possível e o impossível para ser desagradável com sua criada.

Aos dezessete anos, Suzanne vê sua vida mudar quando a Sra. Hampton lhe revela mais uma das promessas feitas à mãe da garota antes de morrer: garantir-lhe um bom casamento. A Senhora Hampton não está com boa saúde e tem esperanças de casar também sua intragável filha. É dessa forma que as três mulheres deixam sua propriedade em Forxes Park e vão até Londres, com intenção de debutar as garotas.

No primeiro baile, o Marquês Alexander Radcliff, que não tem planos de casar-se, como deseja sua mãe, se encanta a primeira vista com Suzanne, que também se sente atraída pelo rapaz. Mas Alexander é um tanto quanto ciumento, e seu temperamento forte faz com que ambos se desentendam logo no primeiro encontro, pois Suzanne acaba chamando a atenção por sua beleza, simpatia e talento ao tocar piano, conquistando também o Duque Underwood.

Veronika não admite que sua criada se saia bem na história, diante da possível felicidade de Suzanne e Alexander, ela começa a planejar a separação do casal, que entra em uma paixão rapidamente.

"Na verdade, ambos gostaram de sentir o contato de seus corpos, um do outro. A moça ficou sem fôlego, não entendia o que se passava com ela. Ele, já experiente, soube naquele momento que estava perdido de amor por ela, e que seu coração só a ela pertenceria, pois nunca sentira tamanha atração por mulher alguma, até hoje."

Eu ainda não tive maior contato com o romance de época, portanto, não sei qual o perfil das pessoas da sociedade dessa época. Achei a história bastante corrida, Alexander se apaixonou por Suzanne rapidamente, e com essa rapidez, surgiu também grande ciúme - doentio e possessivo. Não conheço os costumes da época, mas achei o romance bastante precoce quanto a estes sentimentos.

Como o título sugere, Desencontros e Desencantos acontecem, guiando os caminhos dos personagens. A linha geral da história é agradável, o que ficou meio forçado foram os desfechos que delimitaram a trama. Suzzane e Alexander agem com muito impulso em alguns momentos, tomando decisões importantes demais para serem resolvidas com meias palavras e poucos minutos.

São estes atos impulsivos que levam a história a dar um salto no tempo. Veronika tem êxito em seus planos e consegue separar Suzzane de Alexander. De repente, viramos a página e se passaram doze anos. Depois desse tempo, em que sabemos rasamente sobre o que aconteceu em suas vidas, somos levados novamente a momentos importantes que acabam unindo novamente nossos protagonistas, e então vamos ao desfecho dessa história de amor mal resolvida.

É uma leitura rápida e não muito profunda. Mesmo assim, é possível entender a moral da história, que fala sobre tempo, vingança e perdão.


Livro no site da Editora: Desencontros e Desencantos



segunda-feira, 27 de março de 2017

A Mais Bela Melodia


Eu queria ter um balão. Faria cópias e mais cópias de A Mais Bela Melodia e sairia pelo mundo, jogando páginas ao vento e deixando com que cada pessoa no mundo pegasse apenas uma página, uma frase ou uma cena. Existem livros que você não precisa chegar até o final para saber que vai ficar ali, gravado em cada pedacinho do coração que, aliás, ainda está apertadinho depois do fim dessa leitura.



Ativista ambiental ferrenha, Lorena Sanchez não faz o tipo simpática. Prova disso é a ausência de amigos na escola e também na vida. Mas Lorena não se importa em agradar ninguém, fazendo questão de esbanjar rebeldia e ironia por onde passa. O que ninguém sabe, é que Lorena esconde, sob a faixada de durona, as agressões de um pai que usa a imagem de bom pastor para esconder sua autoridade, crenças e preconceitos.

"Eu era filha de um monstro. Tinha picos de terror em mim também. Como poderia derrotar algo, se pedaço dele vivia dentro mim, o tempo inteiro? Mas não iria pensar nisso agora. Talvez em outro dia. Um dia menos frio e com uma lareira que me ajudasse a encontrar a luz do sol. Por agora, estava na hora de voltar para o escuro”.

Klaus Hunter é popular e provavelmente o melhor músico que Esperança poderia ter. Encontrou em Adônis, seu melhor amigo, o irmão e a família que nunca teve, pois abandonado pela mãe ainda na infância, convive com o Delegado da cidade, um pai distante que não soube lidar com o abandono da esposa.

Um incêndio na escola acaba fazendo com que Klaus salve a vida de Lorena e seus dias passam a se revezar entre favores devidos e guerras que atormentam toda a escola. E então Lorena é obrigada a entrar para o musical que Adônis, Samuel, Dominic e toda a turma de Klaus fazem parte.

Engana-se quem acredita que esse possa ser mais um livro onde o casal protagonista se odeia e o amor acontece no final da história. Tem disso, mas é apenas o começo do grande emaranhado que se tornam suas vidas. Mesmo opostos totalmente um ao outro, o universo conspira para a aproximação de Klaus e Lorena, ao mesmo tempo em que os problemas sociais desses dois núcleos familiares vão sendo jogados sem piedade para o leitor.

 “Eu não era uma das loiras patricinhas que desfilavam pela cidade com brincos de ouro comprado pelos pais e namoravam caras bonitos e de sorriso maquiado. Eu era a porra da filha de pastor que havia sido soldado e que tratava os filhos com experiência de guerra. Eu tinha mais machucados no meu corpo do que a maioria do exército do estado inteiro. Eu tinha cicatrizes na alma suficientes para montar uma história de arte bizarra. Não estava a fim de deixar ninguém entrar, porque quando a gente deixava, as pessoas iam e nos deixavam numa vala mais funda do que a que estávamos anteriormente. E eu não queria isso. Não de novo.”

É um misto de sentimentos inexplicável. É um romance imprevisível. Com um final arrebatador, que pela primeira vez na vida me deixou com medo de seguir em frente.

Se as escolhas para os adolescentes já são difíceis, imaginem quando você precisa escolher entre o amor da sua vida e seu futuro. Entre ir ou ficar. Entre salvar uma vida ou permitir que ela acabe se tornando apenas um eco de tudo que já foi. Às vezes parece que há apenas uma alternativa, e é então que Klaus, Adônis e Lorena se envolvem em escolhas difíceis e tomam decisões uns pelos outros, fazendo com que suas vidas tomem um rumo totalmente inesperado.

“Minha alma ainda doía, mas eu a consertaria. Faria o máximo de remendos possíveis, e continuaria a viver com ela costurada. Era isso que todos faziam diariamente, e era assim que eu faria.”

Psicologicamente falando, não resta muito raciocínio nem palavras para descrever essa história, que traz uma carga emocional enorme durante toda a narrativa. A forma como Carol escreve é simplesmente esplêndida! Como leitora, desejo do fundo do coração que ela alcance o maior número de leitores possíveis pelo mundo, A Mais Bela Melodia tem um roteiro tão perfeito, que não ficaria nada menos do que maravilhoso em uma tela de cinema. É uma pena nosso país não valorizar isso. Como futura escritora, peço aos céus que um dia me permita escrever com tanta vida através das palavras como Carol faz.


E-books disponíveis na Amazon: 


A autora

Nascida em Maceió, Carol Teles sempre soube que seu universo pessoal estaria relacionado aos livros. Assim, tentou, primeiro, exercer a profissão de professora, que não deu muito certo, passando, então, para a de bibliotecária e, atualmente, para a de agente de saúde, além de ser mãe, blogueira e escritora. Leitora compulsiva, tem mais livros em casa do que roupas no armário. Apaixonada por Tolkien e D’Avenia, aprendeu a ser uma boa observadora das pessoas e de fatos da vida. Foi assim que começou a escrever textos pequenos, na escola, até que, de acordo com ela, do nada lhe surgiu uma ideia, a qual logo vislumbrou que culminaria em um livro. Juntou essa intuição à sua segunda grande paixão artística, a música, criando A Mais Bela Melodia.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O Amor Está Esperando



Uma garota destruída pelos fantasmas do passado. Uma chance de recomeçar. Uma história de amor, fé e redenção. A resenha de hoje é sobre o maravilhoso livro "O amor está esperando", da autora Larisse Soares.

Lucy Souza é uma jovem bela e inteligente, amiga e companheira daqueles que a cercam, mas nem tudo em sua vida são flores. Ela esconde um passado triste, um trauma que a fez desistir do amor e culpar Deus por tudo. Sua família e seus amigos tentam tirá-la desse mundo de tristeza e amargura no qual mergulhou, mas tudo parece em vão... até que Lucy conhece Adam. O rapaz vai mexer com as emoções da menina, porém, poderá esse sentimento sarar todas as feridas?


Lucy convive com grandes traumas do passado. Essas feridas determinaram a sua forma de viver. Ela se fechou para o mundo, não suporta a ideia de viver um relacionamento e utiliza uma personalidade agressiva para repelir qualquer um que ouse se aproximar dela.

"- Você devia tentar ser mais doce às vezes.
Dei um beliscão no braço dele e ele sorriu, passando a mão no braço.
-Ai! Essa doeu.
-Não nasci para ser doce."

Adam chegou ao Brasil sabendo que este era um plano de Deus, que algo maior estava reservado para ele. Entrar em um relacionamento não estava em seus planos para a passagem pelo país, mas desde a primeira vez que viu Lucy, soube que ela era a mulher destinada a ele.
Para conquistar o coração de Lucy, ele terá de percorrer um longo caminho, provando a ela que um futuro feliz pode fazer parte da sua vida.
Uma história de amor, perdão, recomeços e do poder de transformação que o amor de Deus tem em nossas vidas.


Lucy teve uma vida difícil, sua infância foi marcada pela separação dos pais e isso deixou marcas expressivas na sua personalidade. Ela não acredita em casamento, na união entre homem e mulher. Acha que qualquer um do sexo oposto irá traí-la e machucá-la, então aposta todas as suas fichas em se tornar uma mulher independente.
Faz o possível para dar orgulho a sua mãe e tem uma boa relação com seus amigos Lais e Mateus, mas seu relacionamento com os demais é complicado. Ela não se sente pronta para compartilhar os segredos do seu passado e não consegue confiar em ninguém. Até o amor a Deus deixou de fazer parte de sua vida, pois acredita que ele poderia tê-la livrado de tanto sofrimento.
Tudo muda quando conhece Adam, que além de lindo, ele tem uma personalidade incrível: carinhoso, compreensivo, confiável, divertido. Tudo que Lucy, mesmo no seu subconsciente, sempre sonhou em um homem para viver ao seu lado.
Adam começa a congregar na mesma igreja que Lucy frequenta. Mesmo percebendo a resistência dela, ele sente que ela é a garota certa para amar pelo resto dos seus dias. Quanto mais tempo passa ao seu lado, mais ele descobre a menina incrível por baixo da máscara de indiferença. Entra fundo em seus segredos e se apaixona cada vez mais.
  
"Você já teve a sensação de estar no seu corpo e ao mesmo tempo não estar, como se você flutuasse além das nuvens? Essas eram as sensações que ele me trazia. Um bem-estar sem igual."

Mas será possível que alguém tão machucado, a ponto de virar as costas para Deus, seja capaz de amar e compartilhar sua vida com outra pessoa?


Esta história me surpreendeu do início ao fim. A história de Lucy é triste e chocante. Ao descobrir seus segredos, uma tristeza imensa tomou conta de mim. Não era nada do que esperava e com um trauma tão grande, cheguei a pensar que ela jamais se libertaria.
Este livro trata do amor de Deus. De como ele pode curar até as feridas mais profundas.

"No entanto, como Pai  Ele sabe que seus filhos podem escolher não viver  perto da sua proteção. Esse é o ciúme de Deus: um amor que liberta , e não aprisiona."

A resistência e falta de fé que Lucy demonstrou foi preocupante, mas ao longo do livro  tudo fica mais claro. Quando coisas ruins acontecem na vida das pessoas, é comum que elas se voltem contra Deus. Aliás, ele pode livrar de tudo, não é mesmo? Sempre temos de culpar alguém por tudo que acontece de ruim em nossas vidas. Este foi o pensamento de Lucy, e foi isto que a destruiu aos poucos.

"Ninguém tem culpa pelo o que houve com você. Ninguém precisa beber do mesmo copo de amargura de que você insiste em provar todos os dias. Quer ser infeliz tudo bem, mas não culpe ninguém por isso."

Ela já não se conhecia, vivia nas sombras, envolta em uma tristeza constante provocada pelas dolorosas lembranças. Foi a dor que definiu quem ela era e como iria viver. Cercada por medos e inseguranças. Pelo julgamento das outras pessoas. Lucy simplesmente não imaginava que poderia ser feliz.
O encontro com Adam desperta  nela o desejo de ser mais que alguém consumida pela dor., vendo nele uma saída para o deserto que sua vida se tornou. Mas não é o amor de Adam que a salva. É o amor de Deus que a liberta de todas as dores, todas as tristezas, todos os traumas.

"Aquela mulher com jeito de menina me desarmou, tomou meu coração de mim, fez-me sentir como um menino em dia de chuva."

É através de Deus que ela se livra de tudo que a atormenta desde a infância e tem a chance de trilhar um novo caminho. Esta é a mensagem que o livro nos traz, de que o amor que Deus tem por nós é a chave para a nossa felicidade. Mas a única forma de alcançá-lo é abrindo nosso coração e aceitando tudo de bom que ele nos reserva.
A escolha está em cada um de nós, e mesmo enquanto estamos perdidos sem saber o melhor caminho a seguir, beirando o desespero e desacreditados em melhores possibilidades para o futuro, o amor estará sempre esperando para nos provar que nas mãos de Deus tudo é possível.

"Um pássaro triste, sem poder voar, sem vontade de cantar. Agora eu estava livre."

A escrita de Larisse é encantadora. Ela tem o dom de tocar o leitor profundamente com as palavras. Em vários momentos do livro não consegui conter as lágrimas, em muitos outros os sorrisos tomaram conta de mim. A autora consegue descrever com destreza a linda amizade entre Lucy, Mateus e Lais, A relação de amor e companheirismo entre ela e sua mãe, toda a trajetória entre ela e Adam até se apaixonarem. Tudo de forma leve e agradável. Mas o que mais me chamou a atenção foi a forma como a autora trata da mensagem que quer passar, em como faz com que o leitor sinta o amor de Deus em sua vida e consiga refletir sobre tantas coisas que os afastam dele.

"Desde criança, aprendi que Deus havia criado todas as coisas, e eu acreditava nisso. Que pessoa seria capaz de fazer algo tão lindo como o mar? Que pintor seria tão habilidoso para desenhar os céus em toda a sua imensidão e as nuvens que flutuam sobre ele, como grandes pedaços de algodão? Há quem diga que foi uma explosão. Mas que explosão tão inteligente foi essa que fez as flores crescerem, a chuva cair do céu e as aves voarem? Por isso creio, sim, que Deus é o autor de toda a criação."

Um dos melhores livros que li em 2016, e que certamente ficará guardado em meu coração. O amor de Deus é lindo e estará sempre a nossa espera. Recomendo a todos. Se emocionem com a história de Lucy e Adam. Certamente não irão terminar este livro da mesma forma que começaram. Ele tem um poder transformador. Simplesmente maravilhoso.

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Título: OAmor Está Esperando
Autor: Larisse Soares
Editora: Novo Século
Ano: 2016
Páginas: 225

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Uma Vida Para Sempre


Com os olhos inchados de tantas lágrimas, o estoque de post-it acabado e o coração explodindo de alegria, vamos à resenha da semana. Hoje falo sobre um livro emocionante e encantador, que está entre as minhas melhores leituras de 2016,“Uma vida para sempre” da autora Simone Taietti.

Ethel diz estar morrendo, contudo, não afirma isso apenas em razão de sua doença. Talvez a única certeza de nossa existência seja a morte, o fato de que ela chega para todos. Mas nem por isso deixa de ser a maior incógnita da vida.
Em um hospital, em meio à dor das histórias dos pacientes, Ethel encontrou amigos. Entre passeios em cemitérios, frequentando velórios e enterros de estranhos, ela tenta preparar a si e aqueles que ama, para o que parece estar ali tão próximo, o fim. Entretanto, não esperava enfrentar algumas surpresas que a fizessem duvidar de tal preparação.
As estatísticas ruins, a inexorável passagem do tempo. Onde reside a lógica disso que nos arranca pedaços, da súbita inexistência do que outrora era vívido e pulsante? Um corpo que jaz. Palavras que se perdem. A finitude de tudo o que é tão belo talvez seja a maior dor do mundo.
Uma vida para sempre é um compilado de desejos, pensamentos e dias.
Quanto dura o para sempre?
Ethel descobriu.


“A Ethel é especial sim, como você havia me falado, mas não por ser portadora de uma anomalia. Ethel é especial sem precisar de justificativa para isso. Ela simplesmente é especial.”


Ethel é aparentemente uma garota comum. Aos seus 17 anos ela deveria ocupar seu tempo com festas, amores e diversão, mas ao invés disso ela está frequentando velórios de estranhos, buscando entender a dor e desvendar a morte. Tudo isso porque ela tem CIPA, Insensibilidade Congênita a Dor Com Anidrose, uma doença rara, com um nome difícil, que nada mais é que a junção da impossibilidade de sentir dor com a impossibilidade de transpirar. A expectativa de vida para pessoas com esta doença é de cerca de 20 anos, e ao descobrir este fato, Ethel começa uma contagem regressiva para seus dias.

“As pessoas parecem não gostar de falar sobre a morte, como se fosse algo proibido. É preciso aceitar este futuro inevitável para, de certa forma, viver plenamente.”

Com isso ela tenta entender a dor que é incapaz de sentir. Em contato com pacientes do hospital que frequenta ela explora histórias e sentimentos, faz amigos e até encontra seu primeiro amor.
A busca para entender a dor a levou a descobrir muitas outras coisas. E nos leva a entender que a vida poder ser mais do que pensamos.

“A dor ensina. A dor protege. Ela pode trazer momentos muito ruins para a nossa vida, mas o que seríamos sem ela? Pois bem, eu acho que sei um pouco sobre isso...”.

Narrado em forma de diário, acompanhamos dia após dia a vida de Ethel. Todos os seus medos, inseguranças e descobertas. Portadora de uma rara doença ela vive com diversas restrições. Sua mãe não se importaria em colocá-la em uma bolha para protegê-la de todo mal. A incapacidade de sentir dor a deixa as cegas para qualquer coisa errada com seu corpo, de uma simples dor de cabeça até fraturas graves, por isso ela sempre deve fazer um autoexame em busca de qualquer acidente que possa ter acontecido com ela.
Sua mãe daria a vida por sua filha e para que ela não sofresse seria capaz de qualquer coisa. Inclusive lhe proibir de frequentar e fazer amigos no hospital, pois acha que a tristeza que envolve aquele lugar pode acabar atingindo o coração da menina.

“Eu preciso de alguém que me ajude a lutar e não que tente a todo momento me tirar da linha de frente da batalha.”

Ethel não concorda com essa teoria. É lá que encontra as respostas para as dúvidas que sempre teve. Ela consegue entender o que a dor faz com as pessoas. Pode parecer um pouco mórbido, mas funciona para ela. Faz com que ela se sinta normal. Ali ela não é a garota doente, é apenas mais alguém lutando para viver.

“O mais engraçado de tudo é justamente essa inexatidão da morte, esse presente de grego que ela representa muitas vezes.”

Também é lá que ela conhece amigos como Gertrude, uma velha senhora que já não pode contar com seus rins e passa por hemodiálises constantes. Uma mulher forte que adquiriu muito conhecimento com sua vivência. É a pessoa que mais dá força para Ethel, sua melhor amiga, confidente, que sempre tem a palavra certa para confortá-la.
Nos corredores do hospital ela conhece Vitor, uma rapaz de 19 anos que luta contra uma leucemia. Eles se apaixonam desde o primeiro instante e vivem uma história de amor linda, valida por várias vidas.
Victor é engraçado e divertido. Sua companhia torna os dias de Ethel mais felizes.

“E mais um daqueles sorrisos tentando ligar sul-americanos e africanos iluminou não só seu rosto, mas todo o quarto. E minha alma.”

Fora do hospital, sua grande amiga é Catarina. Elas se conhecem desde a infância e mesmo com altos e baixos, ainda preservam o carinho e amizade.
Juntos os quatro iniciam um projeto para mostrar a todos a importância da vida. Levando ao maior número de pessoas as suas histórias e ressaltando a importância de viver e aproveitar sempre e não apenas ao descobrir que seu tempo está contado.

“A pergunta dela: “Pelo quê estou lutando, afinal?” acabou de ter uma nova resposta: “Já que você está muito provavelmente com os dias contados, ajude alguém a viver”.”

Nessa jornada eles conseguem atingir um grande público, mas os maiores beneficiados sãos eles próprios, que conseguem enxergar o verdadeiro sentido da vida e transformar seus monótonos momentos a espera da morte em dias memoráveis.
Um livro incrível que toca o coração profundamente. Por suas particularidades, acabamos nos sentindo íntimos de Ethel, olhando tudo com seus olhos. Esta experiência nos permite acompanhar o que  sua vida significa. Como ela se sente sufocada. A angústia de não ser uma adolescente normal.

“Somos pequenos detalhes, descartáveis, e o fato de estar aqui, de pé, lutando apesar de tudo, já é um grande motivo para celebrar.”




Uma leitura para refletirmos o quanto de valor realmente damos à nossa vida. Sempre que estamos em momentos de grandes dificuldades tentamos nos lembrar dos bons motivos, de fazer coisas boas para si mesmo e pelos outros. Mas quantas vezes fazemos isso quando está tudo bem?

”A quantidade de horas ou de dias não é o primordial e sim o que fazemos desse tempo, de que forma nos ocupamos dele.”

Ethel soube tirar o melhor da sua existência enquanto desfrutava dela. Mesmo que supostamente sua expectativa de vida fosse curta, ela estava bem. Entender a dor e a morte era uma preparação para algo que poderia acontecer, mas que não estava previsto. Victor tinha seus dias contados, e ao mesmo  tempo que ela lutava para compreender coisas que nunca sentiu, ela o ajudou a viver sua vida ao máximo. Planejou momentos que marcaram sua memória, o enchendo de felicidade. Marcou seu nome no seu coração e nas lembranças dele. Eles se amaram profundamente, como muitos não fazem durante uma longa vida.

“É por essas e outras que sempre defendo a importância de se olhar as coisas de vários ângulos. Mesmo que um não expresse nada, outro pode te surpreender.”

E foi essa a lição que retirei deste livro. Que não devemos esperar nossos dias estarem contados para viver plenamente. Para amar, sorrir, se divertir, realizar os nossos sonhos. Devemos fazer isso enquanto temos saúde e disposição, pois na realidade não sabemos ao certo quanto tempo temos aqui. Nossa vida pode durar dias, ou anos. O que determina a intensidade dos nossos momentos  é a forma como decidimos aproveitá-los e como podemos gravar nossa existência no coração daqueles que nos cercam.
Fãs de “A culpa é das estrelas”, este livro não tem nada a ver com história de John Green, pois na minha opinião é infinitamente melhor, tenho certeza que irão amar. Recomendadíssimo!

“A gente vive desejando o que não pode ter. Acho que apesar de todos os planos que fazemos, todos temos a plena consciência de que nada sairá como planejado. É sempre assim. As coisas simplesmente não acontecem como desejamos.”


 

 “Dizem que o tempo cura as feridas, mas eu não concordo muito com isso. Ele apenas ameniza, ao passo que a cicatriz continua ali, lembrando-nos de tudo.”

“Às vezes percebemos que estamos empenhando esforços em coisas erradas e que não nos acrescentam em nada. Então, é hora de desistir. E isto não é covardia. É perspicácia, para dizer a verdade.”

“A maturidade é conquistada através de experiências, principalmente das mais duras.”

 “Engraçado mesmo é perceber que o que não tem valor para alguns, representa simplesmente tudo para outros.”

“De que forma fazer algo que me faz querer viver pode me machucar, Ethel?”

“É engraçado como o ser humano adora usar exemplo de outros para tentar consertar sua vida miserável.”

“A dor é aquilo que, mesmo temendo a solidão, suplicamos por viver sozinhos. As lágrimas, o desespero, os urros e inconformismos que denotam a fragilidade que nos é inerente. Longe dos olhos alheios, seja para não magoar, incomodar ou mesmo para sentirmo-nos mais fortes, já que as aparências sempre enganam.”



Título: Uma Vida Para Sempre
Autor: Simone Taietti
Editora: Novo Século
Ano: 2014
Páginas: 347

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Os últimos dias de Dilúvio da Serra


A resenha de hoje é de um livro simplesmente sensacional! Os últimos dias de Dilúvio da Serra, do autor Adriano Paciello, publicado pela Chiado Editora, é a primeira surpresa de 2017, entrando facilmente para os favoritos e caindo na lista de indicações para a vida.


Sinopse:
Dilúvio da Serra é uma cidade repleta de superstições e sua aversão ao número 13 é uma obsessão. Prestes a completar 100 anos e com 12.999 habitantes, uma chuva avassaladora e o iminente nascimento do próximo diluviano endossam o medo da extinção do local. Pegue seu guarda-chuva e acompanhe os últimos dias de Dilúvio da Serra.




O que move uma crença? Uma crença pode mover uma cidade? As vésperas de seu aniversário de cem anos, Dilúvio da Serra respira superstição. Uma crença que começou junto à sua fundação, quando a esperança fazia parte da vida das doze famílias que ali fizeram morada.

Mognos da Serra seria o nome. Uma bonita placa de madeira para batizar o local e seguir a vida. Estamos em 1813, mais precisamente no dia 13 de setembro daquele ano, às 13 horas. O discurso de inauguração nem chegou a acontecer, pois a chuva veio forte e terminou com tudo. Depois de doze dias de chuva incessante, uma explicação. Fizeram todas as ligações possíveis e o problema era um número: 13 na data, no número de letras do nome da cidade, o “M” de Mognos, ocupando a décima terceira posição no alfabeto; era o número em tudo e isso justificava sua ruína.

Ali não havia espaço para a lógica, para o bom senso.


“O amor incondicional a algo, a alguém, aos olhos dos normais, soa como uma aberração, incomoda, revolta, contudo, enquanto o véu mágico estiver cobrindo a realidade, dor e limites ficam a dias de distância.”

Passados doze dias, um novo nome, uma nova placa de madeira, o milagroso fim da chuva e uma vida que seguiria irreversivelmente contada.

O tempo foi passando e a cidade foi crescendo de uma forma peculiar, sempre guiados pelas contagens e exclusão de quase tudo que houvesse o número 13 ou sua letra correspondente no alfabeto.

Dilúvio da Serra, próximo ao seu primeiro centenário, teme o fim. Com 12.999 habitantes e a chegada próxima de mais um diluviano, eles aguardam fielmente o cumprimento da profecia, que dita a extinção da cidade.

Neste cenário, o Padre Magno Manqueso, único a iniciar seu nome com M e a conter no nome treze letras, tenta abrir os olhos dessas pessoas e mostrar que a deve ser maior que suas crendices, mas para isso, ele deve enfrentar Johann Von Becke, que traz como tradição de família o medo e a precaução a tudo que possa atrair a desgraça novamente à sua cidade.

Beirando a insanidade, Johann tenta, de todas as formas, manter a crença da população de Dilúvio de Serra, enquanto Magno luta para trazer o bom senso àquelas pessoas. Com os dias contados para o centenário, os quase treze mil habitantes que mesmo temendo, aguardam o fim, se encaminham para uma catástrofe quase que desejada.

Que livro! Não tenho outras palavras para descrevê-lo; um final inimaginável e não sei se posso defini-lo assim, mas “hecatômbico” seria uma palavra adequada, mesmo que aparentemente esta variação não exista. Mas e as crendices, elas existem? São reais? A fixação por um número pode abalar uma sociedade inteira ou a fúria da natureza age conforme sua vontade, ignorando o temor dos que em meio ao pavor na terra vivem? Todo o medo que a população diluviana alimentou por cem anos, tem sequer uma gota de fundamento? De um lado, um homem que cresceu rodeado por histórias fatais associadas a um número, de outro, um Padre decidido a livrar a população de um medo infundado. No meio, pessoas que não sabem viver de outra forma se não a qual foram instruídas a viver, pois é o que se espera de uma desencorajadora e sincera cidade que acolhe seus visitantes assim: quando se entra “Pena que viestes; ao sair, Bom que vais”.

Os últimos dias de Dilúvio da Serra traz uma análise profunda da sociedade, entrou para meus favoritos e ao contar seu resumo para amigos, que infelizmente não carregam consigo o hábito da leitura, é impossível não assistir essa história, que em poucas páginas e raros diálogos, fala tanto e mostra muito. Quando penso em Dilúvio, posso visualizar perfeitamente a grande praça, a confeitaria e alguns personagens ali tomando café. Os acontecimentos ocorridos nos dias que antecederam ao centenário da cidade e que foram por Adriano Paciello contados, ficaram marcados em minha memória quase que como um filme, não sendo mais nítido apenas do que a certeza de que as lendas, as crenças, são o que as pessoas fazem delas.

Onde comprar: Chiado Editora I Martins Fontes Paulista


Título: Os Últimos Dias de Dilúvio da Serra
Autor: Adriano Paciello
Ano: 2016
Editora: Chiado
Páginas: 127
Gênero: Ficção / Romance

O autor:



Adriano Paciello

Professor de Lingua Portuguesa ha 21 anos no ramo de cursos preparatórios a concursos públicos

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Meu Erro Predileto


Hora de conhecer um bad boy irresistível. A resenha de hoje é sobre o New Adult  “Meu Erro Predileto” da autora GiselleTavares.

Jullyanna vivia um conto de fadas até que ela descobre que o seu príncipe perdeu o encanto e voltou a ser um sapo, transformando sua vida perfeita em um pesadelo.

Decidida a nunca mais se apaixonar, e certa de que o amor não existe, ela jura a si mesma que manterá distância do sexo masculino.

Tudo está indo perfeitamente bem até que Daniel entra em sua vida. A partir desse momento, ela se vê sem saída e acaba cometendo uma sequência de erros. O que ela não esperava, era que um desses erros, se tornaria o seu erro predileto.


“Quando se comete um erro por amor, não pode ser chamado de erro. O amor nunca será um erro.”


Jullyana encontrou seu primeiro amor nos tempos da escola. Um relacionamento aparentemente perfeito, que completa seis anos.
Pedro mudou muito desde que se conheceram. O nerd tímido se tornou um gato popular. Mesmo com isso e com o desgaste natural da relação, Jully permaneceu ao seu lado. O conto de fadas termina com ele partindo seu coração.

“Sequei as lágrimas e naquele momento jurei a mim mesma que nunca mais choraria por homem nenhum.”

Destruída, Jully luta para esquecer tudo que aconteceu e seguir em frente, mas não é fácil esquecer uma história tão longa. Para completar seu péssimo momento, após expulsar Pedro do apartamento, ela e as amigas não conseguiram arcar com as despesas do lugar e tiveram que encontrar um novo colega de quarto.

“-Isso vai doer!
-Vai doer hoje e por muito tempo.”

Daniel é um bad boy maravilhoso, que foi concebido especialmente para destruir corações.  Ao colocar os olhos nele, Jully já sabia que aquele deus grego representava problemas.

“Não acredito nisso, em uma hora ele era o cara que eu odiava, agora é o cara que está fazendo o gelo do meu coração derreter.”

Com a convivência ela vai descobrindo que Dan é mais que um rostinho (e corpinho) bonito. Fica impossível frear os sentimentos crescentes e apavorantes que ela tem por ele.
Talvez Daniel seja o único capaz de juntar os cacos de seu coração. Porém problemas no paraíso ameaçam destruir o relacionamento dos dois e eles terão que provar que esse amor é forte o suficiente para superar as tempestades que se aproximam.

“(...)Ficar com você, é como tentar colar os pedaços com um martelo.(...) -Um martelo nunca vai colar, ele somente vai destruir mais ainda os pedaços.”


Jullyana é uma menina doce, meiga e leal. Tem uma relação linda com os amigos Thi e Luz e se doa integralmente ao relacionamento com Pedro. Com a decepção que sofreu, ela altera em parte a sua personalidade, passando a ser mais desconfiada. Além de se sentir triste em muitos momentos. A impulsividade e marra também fazem parte do seu jeito, construindo assim uma personagem sensível e divertida.

“(...) – A menina marrenta, doce, a mulher fatal que me conquistou com um sorriso, com um olhar.”


Daniel, meu novo crush literário, é a perfeição em pessoa. Um príncipe lindo e sexy disfarçado de bad boy destinado a tirar o fôlego do público feminino.  Sabe aquela musica “Moreno, alto, bonito e sensual”? Pois então, foi feita especialmente para ele.

“Filho da mãe, ele tinha que dar esse maldito sorriso perfeito e deixar tudo ainda mais difícil e mais constrangedor?”

Somando a todos os atributos físicos, sua personalidade tem um destaque imenso no pacote homem perfeito, ele é fofo, meigo, irônico e um pouco convencido (com razão). Onde encontra um boy desses, please?

 “-Na boa, se você estava tentando me fazer te odiar, já pode parar, porque você já conseguiu.”

Dan se sente atraído por Jully desde o primeiro instante. O que chama a atenção dele no primeiro momento é a aparência física, mas o jeito explosivo dela o intriga e atrai. Ao passar mais tempo com ela a atração vai se transformando em paixão, e é recíproca.

“O teto do meu quarto tinha estrelas que brilhavam no escuro, para toda vez que eu olhasse para cima percebesse que o universo é um mar de oportunidades.”

Tudo anda bem, mas alguns segredos podem atrapalhar o casal e como sempre, tem aqueles personagens irritantes querendo acabar com a felicidade alheia, além das ameaças anônimas que Jully vem sofrendo. Com tantas adversidades, somente um amor verdadeiro poderia sobreviver. Mas será que o deles é forte o bastante?


“(...) Infelizmente sou o resultado de sonhos interrompidos, planos abandonados e um “para sempre” que teve um fim.”


Uma única palavra pode me definir ao terminar de ler este livro: Apaixonada!
Sou fã de new adult e ver uma obra nacional deste gênero e desta qualidade encheu meu coração de alegria.
A primeira vez que vi o livro me apaixonei pela capa. Após folhear a primeira vez vi a playlist e me encantei ainda mais. Dan foi amor à primeira vista e para completar esse ciclo de sentimentos, fiquei maravilhada com a escrita da autora Giselle Tavares.
É uma narrativa atual e gostosa, escrita com todos os elementos necessários para cativar e prender o leitor. Em alguns momentos compartilhamos o sofrimento dos personagens, em outros nos divertimos com as situações, diálogos e personalidades deles. Tudo na medida certa, sem exageros.
Essa dosagem foi fatal pra mim. Devorei o livro em uma noite. Já estava encantada pelo romance, mas foi com o mistério que surgiu ao longo da narrativa que me senti presa a leitura.
Amei tudo, entrou para os meus favoritos e deixo aqui a minha recomendação para todos os que curtem um bad boy. Vocês precisam conhecer o Dan, ele é irresistível! E a história? É tão encantadora que será impossível largar antes do fim.

“Se tiver que escolher entre a verdade e o amor, escolha o amor, pois o amor é a maior verdade que existe.”

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Título: Meu Erro Predileto
Autor: Giselle Tavares
Editora: PenDragon
Ano: 2016
Páginas: 210

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A chance de encontrar o amor no metrô


Trago hoje para vocês uma história linda sobre os caminhos incertos. O que pode haver no fim daquele dia que parece todo atravessado, todo errado, que te tira da rotina e te faz mudar totalmente a rota? 


Não é um bom dia para Tess. Depois de acordar extremamente atrasada para um importante compromisso na faculdade, perceber que seu carro não vai sair do estacionamento naquele dia e constatar que não tem qualquer dinheiro para pagar um taxi, ela já sabe que terá um longo dia. Mesmo atrasada e sabendo que Liv, sua melhor amiga, deve estar pensando em uma forma bem criativa de lhe matar, Tess escolhe a última opção que lhe resta, ir de metrô.

É nesse dia totalmente anormal, indo à faculdade em um horário que normalmente já estaria na aula, que ela conhece Adam, o garoto que senta ao seu lado no vagão. Quando tenta a todo custo ver o nome do livro que ele está lendo, Tess e Adam acabam iniciando uma conversa e em pouco tempo, se conhecem e se entendem de uma forma difícil até para amizades de longo prazo.

 Tess tem um tipo de trauma que carrega desde a infância por conta de lugares escuros, Adam foi diagnosticado há pouco tempo com diabetes. O curto trajeto no metrô se mostra complicado além do normal e faz com que ambos revivam o terror de seus problemas pessoais.

Depois de muitas reviravoltas, na qual Adam vai embora de repente, Tess finalmente chega à estação próxima à faculdade. Antes de descer ela nota que o livro de Adam ficou no metrô. Por algum motivo ela sabe que precisa devolver o livro e com apenas o carimbo da loja onde o exemplar foi comprado, Tess inicia uma aventura em busca do garoto.

Esta história nos faz refletir sobre as coincidências da vida. Destino ou acaso? Às vezes, junto de um dia totalmente atravessado, onde tudo parece estar fora do comum, pode ser que surpresas apareçam.

"Saiba que os dias que parecem ser ruins podem ser os melhores da sua vida".

Mostrando como um único dia pôde alterar a vida de Tess e também a de Adam, este é um conto leve e divertido, que nos faz pensar, ao final da leitura, em como os caminhos errados nos levam para os destinos certos.

 O primeiro pensamento é: quero mais! Rafael podia fazer um livro a partir da história desses dois. Em uma história onde não há nada de triste, consegui terminar a última frase com os olhos cheios de água, emoção de alegria, o que todo romance deveria proporcionar.


Parabéns Rafael. Sua escrita me cativou. 

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Sobre o autor:



Rafael nasceu em Salvador em 1994, formado em gastronomia pela UNIFACS, apaixonado por confeitaria, e atualmente estudante de engenharia civil na UNIUBE, é apaixonado por literatura e ama inventar histórias que poderiam acontecer com qualquer pessoa.