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domingo, 12 de março de 2017

Vertygo, O suicídio de Lukas


Multiverso, Delírio ou Fantasia? 
Sincronicidade, Coincidência ou Destino? 
Universo Paralelo, Alucinação ou Fuga Da Realidade? 
– Bem Vindo À Vertygo – 
 

            Dica de leitura nacional pra quem adora mistério. Vertygo, O suicídio de Lukas, aborda, entre outros fenômenos da mente, a teoria da sincronicidade. Será que tudo que está para acontecer tem algum significado?





O livro de Marcus Deminco inicia com o que talvez seja uma das mais difíceis decisões sobre a vida, o suicídio. A que ponto da vida uma pessoa precisa chegar para precisar desistir? E o que faz com que algumas enfrentem tudo sem sequer pensar nessa hipótese?

Lukas de Castro decidiu que aos 33 anos já viveu o suficiente. Fato é que uma depressão tão grande tomou-lhe conta, que nem mais seus mais agradáveis passatempos conseguiam lhe alegrar. Parou de dar antroponímia na faculdade onde lecionava, deixou de lado seu cachimbo e seus discos de Jazz e permitiu somente que a vontade de morrer crescesse em seu interior.

Mas então, qual seria a melhor forma de morrer? Lukas sabia que deveria no mínimo ser de uma forma digna e sem falhas, e são nesses questionamentos que uma ideia lhe passa pela cabeça: 
“O que acontecerá com as faturas dos meus cartões de créditos quando eu morrer? Quem vai pagá-las?”

Com esse pensamento, Lukas decidiu que poderia ter, em seu último dia de vida, todo luxo que do qual se privara até aquele dia. Encomendou seu funeral, desfrutou de um bom almoço, comprou caras lembranças para seus entes queridos e partiu para um hotel de luxo de onde escolhera se jogar.

Mas Lukas, que havia usado seu conhecimento em antroponímia para ligar às "casualidades" do seu dia, não poderia imaginar a surpresa que o encontraria no quarto do hotel: 
Um belo Komboloi grego com a seguinte escrita cravejada: ΚαλώςήρθεςστοΒέρτιγκο (Bem vindo à VERTYGO)”.

A menção à enigmática ilha faz com que repentinamente Lukas mude, mesmo que temporariamente, seus planos, fazendo com que ele embarque em uma viagem alucinante em busca dos segredos de Vertygo.

Amo livros com temáticas diferentes, como é o caso de Vertygo. O autor usa de um certo suspense já na sinopse, nos inserindo profundamente dentro dos sentimentos e pensamentos do personagem. Sabemos que há um mistério nessa trajetória até a ilha, mas a surpresa no final é inimaginável. Considerei o livro um verdadeiro plot twist, daqueles onde todas as suposições não serão o suficiente.

Sou fã dos mistérios do subconsciente e Marcus soube explorar muito bem todos esses aspectos no enredo da história.  Uma leitura envolvente, que com certeza vai surpreender muitos leitores em sua jornada.



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O autor


Marcus Deminco é Escritor e Psicólogo brasileiro. Professor de Educação Física, tutor de Programação Neurolinguística e Dr. h. c. em Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A Melodia do Coração


          Hoje é o aguardadíssimo lançamento do segundo volume da trilogia Fury Hunters, A Melodia do Coração, da autora Michelle Mariani. Confira a resenha


"[...] Tudo o que eu mais desejava era ouvir a sua voz."



            A vida nunca foi fácil para Benny. Pais abusivos, maus-tratos, uma infância interrompida pelas constantes mudanças de orfanato, Benício nunca pensou que encontraria motivos para sorrir. Até conhecer Cat.
Catarina foi largada na porta de um orfanato aos seis anos, quando perdeu a audição e deixou de ser a filha perfeita que seus pais desejavam. O silêncio que a cercava se tornou mais tolerável ao conhecer o garoto protetor que carregava nos braços seu passado sofrido, mesmo que essa felicidade durasse muito pouco. Quatorze anos depois, seus caminhos se cruzam de maneira inesperada, e o ex-baterista dos Fury Hunters não permitirá que eles se separem novamente. Ele nunca esqueceu Cat e ela sempre sonhou em reencontrar seu melhor amigo. A linha entre o amor e a amizade é muito tênue, e uma vez cruzada, não há deficiência que possa separar duas almas destinadas a ficarem juntas.


Para o bem ou para o mal, a vida é capaz de surpreender de formas inimagináveis. Foi assim com Catarina, quando certo dia, aos seis anos, acordou em um mundo totalmente silencioso. Após ser deixada na porta de um orfanato por seus pais, por não ser mais a filha perfeita que eles desejavam, ela se isolou em um mundo solitário, tendo que lidar com o abandono e o preconceito das pessoas a seu redor.

Benício foi tirado de seus pais ainda quando criança, mas as marcas que carregava nos braços eram uma lembrança constante dos maus tratos que recebia de quem deveria o proteger.

Quando suas vidas se cruzam em um dos tantos orfanatos pelos quais passaram, eles criam uma amizade capaz de transpor qualquer barreira, inclusive seus “defeitos”. Eles apenas não imaginavam que o tempo que tinham juntos seria tão pouco. Sempre de mangas compridas, o menino se tornou o protetor e melhor amigo de Cat, até que o dia em foram separados.

Benny, mesmo aos 14 anos, foi adotado e partiu para seu novo lar. Dias depois, Catarina foi mandada a um orfanato próprio para crianças com algum tipo de deficiência, de onde saiu apenas aos vinte e dois anos, com uma mala na mão, uma proposta de emprego em Villa Bella e toda uma vida para encarar.

Passados catorze anos, Cat não passa um só dia sem desejar reencontrar seu melhor amigo, e Benny, que a leva em seu coração desde o dia em que a perdeu, nem imagina que ao ajudar uma moça a se livrar de alguns bêbados na rua, está mais próximo de sua Cat do pode imaginar. Agora, eles vão descobrir que a amizade que guardavam desde a infância está ainda mais forte e junto a ela, um sentimento novo e único, que vem para amenizar todo o sofrimento de suas vidas.

Com uma escrita leve e fluída, Michelle Mariani nos introduz em umas das histórias de vida mais lindas que já tive o prazer de conhecer. Cat realizou seu maior desejo ao ver Ben novamente, mas ele cresceu, os lindos braços tatuados encobrem as marcas dos maus tratos do passado e as mulheres caem aos seus pés por onde ele passa, mas Benny não quer nenhuma delas. Depois de 14 anos, sua melhor amiga está de volta e ele fará o que for possível para fazê-la ficar.

Quando se sofre tantas perdas e desilusões como eu sofri, aparentemente nos tornamos mais corajosos e resistentes às pancadas e decepções. Eu podia ser muitas coisas, mas medroso nunca foi um dos meus defeitos. Eu só desejava que o sentimento fosse recíproco e que minha gata ficasse feliz por descobrir o quão profundo era o meu carinho e amor por ela.

Ao acompanhar as dificuldades de Catarina com sua surdez, um questionamento é inevitável: As pessoas não precisam falar sobre suas limitações para serem aceitas ou respeitadas, ou será que precisam?

"Meus olhos se encheram de lágrimas, mas pisquei o mais rápido que pude para contê-las e corri até onde estava minha mala. Tinha tão poucas coisas que minha vida inteira cabia dentro dela. Minha vontade era de implorar ao homem que me deixasse ficar, mas o pouco de orgulho que restava dentro de mim me impediu de fazer isso. Depois de uma última olhada no lugar que tinha sido minha casa pelos últimos três meses, virei-me de costas e comecei a caminhar sem destino pelas ruas."

Cat é uma garota forte, mas cresceu com a insegurança sempre a acompanhando; ficar com Benny, tendo a tão sonhada vida feliz ao lado de pessoas que ama é ameaçada apenas por uma coisa e é ela quem tem a decisão sobre isso.


Uma história pra levar pra vida! Em A Melodia do Coração, aprendemos sobre superação, amizade, confiança e força, força para enfrentar as adversidades da vida, para vencer os obstáculos que aparecem a cada curva e aprender que o amor é sempre o melhor caminho.

Eu amei cada detalhe deste livro, não falei muito sobre os outros personagens, mas cada um deles tem um lugar especial no meu coração! São todos pessoas do bem, e principalmente Cat e Benny, que mesmo com todos os problemas que tiveram em suas vidas, não deixaram que nenhum deles os guiasse, se não para o bem, e é assim que eles vivem, fazendo sempre o melhor por quem precisa, não olhando para qualquer deficiência, dificuldade ou rótulo.





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A autora


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Michelle Mariani é formada em Publicidade e Propaganda, mas seu dia a dia é dividido entre editar vídeos para a TV, criar peças publicitárias e escolher o próximo livro da sua lista infinita de leituras. Natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, tem uma paixão enorme por romances água com açúcar, o que já arrancou risadas das amigas por odiar ler dramas exagerados e por amar saber o que acontece no final de cada livro antes mesmo de começar a leitura. 
Desde a infância é, uma leitora compulsiva, mas só se arriscou a escrever depois de adulta, decidindo que já estava na hora de colocar no papel o seu romance dos sonhos.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Os últimos dias de Dilúvio da Serra


A resenha de hoje é de um livro simplesmente sensacional! Os últimos dias de Dilúvio da Serra, do autor Adriano Paciello, publicado pela Chiado Editora, é a primeira surpresa de 2017, entrando facilmente para os favoritos e caindo na lista de indicações para a vida.


Sinopse:
Dilúvio da Serra é uma cidade repleta de superstições e sua aversão ao número 13 é uma obsessão. Prestes a completar 100 anos e com 12.999 habitantes, uma chuva avassaladora e o iminente nascimento do próximo diluviano endossam o medo da extinção do local. Pegue seu guarda-chuva e acompanhe os últimos dias de Dilúvio da Serra.




O que move uma crença? Uma crença pode mover uma cidade? As vésperas de seu aniversário de cem anos, Dilúvio da Serra respira superstição. Uma crença que começou junto à sua fundação, quando a esperança fazia parte da vida das doze famílias que ali fizeram morada.

Mognos da Serra seria o nome. Uma bonita placa de madeira para batizar o local e seguir a vida. Estamos em 1813, mais precisamente no dia 13 de setembro daquele ano, às 13 horas. O discurso de inauguração nem chegou a acontecer, pois a chuva veio forte e terminou com tudo. Depois de doze dias de chuva incessante, uma explicação. Fizeram todas as ligações possíveis e o problema era um número: 13 na data, no número de letras do nome da cidade, o “M” de Mognos, ocupando a décima terceira posição no alfabeto; era o número em tudo e isso justificava sua ruína.

Ali não havia espaço para a lógica, para o bom senso.


“O amor incondicional a algo, a alguém, aos olhos dos normais, soa como uma aberração, incomoda, revolta, contudo, enquanto o véu mágico estiver cobrindo a realidade, dor e limites ficam a dias de distância.”

Passados doze dias, um novo nome, uma nova placa de madeira, o milagroso fim da chuva e uma vida que seguiria irreversivelmente contada.

O tempo foi passando e a cidade foi crescendo de uma forma peculiar, sempre guiados pelas contagens e exclusão de quase tudo que houvesse o número 13 ou sua letra correspondente no alfabeto.

Dilúvio da Serra, próximo ao seu primeiro centenário, teme o fim. Com 12.999 habitantes e a chegada próxima de mais um diluviano, eles aguardam fielmente o cumprimento da profecia, que dita a extinção da cidade.

Neste cenário, o Padre Magno Manqueso, único a iniciar seu nome com M e a conter no nome treze letras, tenta abrir os olhos dessas pessoas e mostrar que a deve ser maior que suas crendices, mas para isso, ele deve enfrentar Johann Von Becke, que traz como tradição de família o medo e a precaução a tudo que possa atrair a desgraça novamente à sua cidade.

Beirando a insanidade, Johann tenta, de todas as formas, manter a crença da população de Dilúvio de Serra, enquanto Magno luta para trazer o bom senso àquelas pessoas. Com os dias contados para o centenário, os quase treze mil habitantes que mesmo temendo, aguardam o fim, se encaminham para uma catástrofe quase que desejada.

Que livro! Não tenho outras palavras para descrevê-lo; um final inimaginável e não sei se posso defini-lo assim, mas “hecatômbico” seria uma palavra adequada, mesmo que aparentemente esta variação não exista. Mas e as crendices, elas existem? São reais? A fixação por um número pode abalar uma sociedade inteira ou a fúria da natureza age conforme sua vontade, ignorando o temor dos que em meio ao pavor na terra vivem? Todo o medo que a população diluviana alimentou por cem anos, tem sequer uma gota de fundamento? De um lado, um homem que cresceu rodeado por histórias fatais associadas a um número, de outro, um Padre decidido a livrar a população de um medo infundado. No meio, pessoas que não sabem viver de outra forma se não a qual foram instruídas a viver, pois é o que se espera de uma desencorajadora e sincera cidade que acolhe seus visitantes assim: quando se entra “Pena que viestes; ao sair, Bom que vais”.

Os últimos dias de Dilúvio da Serra traz uma análise profunda da sociedade, entrou para meus favoritos e ao contar seu resumo para amigos, que infelizmente não carregam consigo o hábito da leitura, é impossível não assistir essa história, que em poucas páginas e raros diálogos, fala tanto e mostra muito. Quando penso em Dilúvio, posso visualizar perfeitamente a grande praça, a confeitaria e alguns personagens ali tomando café. Os acontecimentos ocorridos nos dias que antecederam ao centenário da cidade e que foram por Adriano Paciello contados, ficaram marcados em minha memória quase que como um filme, não sendo mais nítido apenas do que a certeza de que as lendas, as crenças, são o que as pessoas fazem delas.

Onde comprar: Chiado Editora I Martins Fontes Paulista


Título: Os Últimos Dias de Dilúvio da Serra
Autor: Adriano Paciello
Ano: 2016
Editora: Chiado
Páginas: 127
Gênero: Ficção / Romance

O autor:



Adriano Paciello

Professor de Lingua Portuguesa ha 21 anos no ramo de cursos preparatórios a concursos públicos

sábado, 22 de outubro de 2016

Rebirth - Os novos titãs


A resenha hoje é uma aula de mitologia, os fãs dos deuses e suas culturas não podem perder esse incrível romance recheado de ação, romance e aventura. Conheçam a obra de Bianca Landim, mais uma autora nacional incrível.




Sinopse:


Quatro crianças foram postas nos caminhos imortais dos deuses do Olimpo e, delas, uma nova geração de titãs surgiu, mostrando-se incrivelmente mais poderosa que os primeiros titãs – derrotados por Zeus e seus irmãos –, e até mesmo que os próprios deuses! Missões lhes foram atribuídas e mundos imortais foram conhecidos, dando-lhes sabedoria, poderes e novos aliados. Acima de tudo isso, o amor único foi alcançado e suas origens, desvendadas, fazendo dos titãs uma nova ordem no Olimpo, com Zeus e os outros deuses, conhecidos como os Doze Olimpianos.
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“Num momento crucial dos imortais, conhecido como Titanomaquia, Zeus enfrentou e venceu seu pai, Cronos, destronando-o da regência do mundo fantástico dos imortais e tomando-o para si. Com a ajuda de seus irmãos criou o Olimpo. Muitos titãs foram aprisionados nesse novo mundo devido às suas alianças com Cronos; outros perderam seus poderes e se tornaram mortais. Poucos foram os que se aliaram aos deuses e permaneceram a salvo. Entretanto, Zeus sabia que os aprisionados um dia se revoltariam e que Cronos se beneficiaria desse momento. Para que isso não acontecesse, uma reunião com os Doze Olimpianos fora feita e nela decidiu-se algo que mudaria o mundo dos imortais para sempre.”

Quando as moiras, responsáveis por tecer o fio da vida, revelaram aos deuses que num futuro próximo Cronos retornaria em busca de vingança e que quatro crianças estavam destinadas a serem os novos titãs, sendo que apenas eles teriam poderes suficientes para combater a fúria do deus Supremo, Ártemis, Apolo, Ares e Hefesto sabiam que teriam uma missão pela frente.

Dividido em três partes, o romance de Bianca Landim nos dá uma aula sobre Mitologia! E após o final da leitura, me peguei pesquisando o que era real e o que era parte da fantástica história de criada pela autora.

A primeira parte de Rebirth, se passa Grécia, cerca de 1.200 A.C.

Dezoito anos após a revelação das moiras, somos apresentados aos novos titãs: Celes é aprendiz da deusa Ártemis, deusa da caça; Discórdia aprende todas as artimanhas da guerra com Ares; Solaris é aprendiz de Apolo e Pyro, de Hefesto.

Inevitavelmente, Celes e Solaris se apaixonam, mas o amor é algo proibido para a protegida de Ártemis, já que a castidade é regra de seu treinamento como amazona; porém, o amor que um nutre pelo outro é maior do que os obstáculos que eles sabem que precisarão enfrentar e não medirão esforços, passando por cima do que for necessário para tornar esse amor possível.

Mas a beleza da Amazona não chama a atenção apenas de Solaris, Como previsto pelas mouras, no momento certo a origem dos titãs seria conhecida, e ao descobrir a verdadeira origem de Celes, Cronos ressurge para tentar aproveitar-se do poder que a menina demonstra e fará de tudo para conseguir o que quer, pois sabe que é a oportunidade perfeita para criar um ser superior a Zeus, seu filho.

Diante do risco que Celes corre quando Cronos finalmente consegue se aproximar, Solaris desperta um poder do qual nem ele imaginava ter e em suas mãos está a chance de finalmente se livrar de Cronos.

Mas os problemas dos titãs não param por aí. Após um longo tempo, ao menos para os mortais, já que a história passa a ser contada no Cairo de 1922. Zeus, Ares e Solaris encontram-se disfarçados em meio aos mortais na busca de resolverem um mistério, após uma escavação e alguns outros acontecimentos, o elmo de Hades acabou sumindo, assim como os chamados “vasos canopos”,  dos deuses egípcios, responsáveis estes por guardarem órgãos humanos no processo de mumificação. Quando em Asgard, o martelo Mjolnir de Thor também é roubado, os titãs sabem que um desafio está em suas mãos, pois a volta de um deus há muito esquecido, que consegue evocar um poder capaz de destruir todos os deuses, ameaça o eterno descanso dos seres supremos.

Após muitas batalhas e ação e já em nosso tempo presente, somos levados à Índia do ano de 2012, onde os deuses hindus se mostram presentes. Aqui, um antigo inimigo retorna com um poder devastador e seu único desejo aniquilar todos os deuses existentes. Para isso, os titãs e os deuses de todas as mitologias se unirão para tentar combatê-lo, contando ainda com o incrível poder dos filhos de Celes e Solaris. (eu disse que esse amor era imortal, não disse?)

O que Bianca nos dá em todas as três fases de sua história é uma mistura de ação e romance da qual nunca havia presenciado em um livro. Minha falta de conhecimento sobre mitologia me sentir vontade de ler mais e mais sobre esses incríveis deuses, sendo até um pouco desnecessário, já que Bianca conseguiu apresentar o mundo e os costumes de todos eles com uma precisão enorme.

O romance nacional mais uma vez se mostra de uma qualidade incrível. A própria experiência da autora, ao conhecer os lugares nos quais o Rebirth foi ambientado, nos serve com uma viagem ao redor do mundo, proporcionando ao leitor uma das maiores alegrias que as histórias podem oferecer: viajar sem sair do lugar.

  Título: Rebirth - Os novos titãs
  Autora: Bianca Landim
  Ano: 2015 / Páginas: 366
  Editora: Talentos da Literatura Brasileira / Novo Século

Conheça a autora



Foi por meio da história, dos idiomas e das culturas estudadas que Bianca Landim concluiu a faculdade de Turismo. Os personagens deste livro surgiram em 2008, depois de uma viagem à Grécia. Ganharam retoques anos depois, quando foi a vez de o Egito ser visitado. A última etapa da jornada foi a Índia, onde viajou de trem por oito dias. Atualmente, Bianca mora com os pais no estado do Rio de Janeiro.

Acompanhe a autora nas redes sociais Skoob, Facebook e Instagram.



sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A Face dos Deuses

Os habitantes de Dünya ainda sofrem os horrores deixados pela Longa Guerra. Mesmo depois de tantos anos, a mais simples ameaça de um novo desentendimento pode fazer com que alianças e pactos improváveis sejam selados. A Face dos Deuses, primeiro volume da série As Crônicas da Aurora, do autor Gleyzer Wendrew, inicia em meio a conflitos em iminência de explosão.


Sinopse: A Face dos Deuses ultrapassa a linha imaginária que delimita o campo de batalha, penetrando profundamente na carne exposta da dor e do sofrimento de quem sobreviveu à guerra… O que fazer, para onde ir e como continuar, quando todas as pessoas que você amava foram tiradas para sempre de você? 
A guerra que deixa sobreviventes, deixa também vencedores? Para ato tão bárbaro e desumano não existe vitória. Todos já perderam.
           O livro te transporta para um mundo onde apenas o sentimento de vingança queima dentro do peito e os deuses silenciosos assistem ao espetáculo da tragédia com suas faces misteriosas...


Quando Heros Kinnhäert, rei de Mäaen, decidiu ignorar as inúmeras cartas de Kazoya Vennian para ajudá-lo a encontrar o Tesouro de Venn, desaparecido há nove meses, ele não imaginava que estaria traçando o destino de sua própria família e também de seu povo.

Tarde demais, ele percebe que Kazoya faria o possível e o impossível para encontrar a isäh Soraya, sua filha, inclusive selar um acordo com o cruel general vatriano Cleyo Blo'Siänkh. Quando Cleyo informa que não somente casará a isäh com seu filho Mäthias, unindo de vez os povos que antes quase se aniquilaram na Longa Guerra, virando-se desta vez contra Maäen, caso o Kennëg se oponha, mas que também, como termo do acordo, levará para ser criado em Vatra seu filho mais novo, o O’kennëg Antau, Heros se vê novamente em uma teia de conspirações e intrigas que ao menor sinal de fracasso, poderá terminar de vez com tudo que reconstruiu após a última guerra.

Vatra, localizado no norte do continente, é um país sombrio, onde a luz de Sühnt, o deus-sol, nunca chega. Habitado por adoradores de Fyaär, deus do ódio, o país é conhecido pela grande brutalidade de seu povo, que pratica a maldade apenas por devoção a seu deus.

As três maiores Famílias de Vatra são quem governam o lugar, os vatrianos nascem com um losango na testa, denominada “dádiva de Fyaär”, ou “brilho de fogo” que queima em sua testa de acordo com suas emoções. Os vatrianos que nascem sem a dádiva são considerados infiéis.

“Após a extinção dos antigos Mestres da Pena Negra, assim eram conhecidos os membros da Família Bë’Goöf, e com o Pactos dos Três recém assinado, Blo’Siänkhs, Sh’Fäelns e K’Voöks, uniram-se e deram início a um cerco contra Entia. Após quatro anos de inúmeras tentativas fracassadas de invasão, os Fyaraänos, ao retornarem a Vatra, além de exterminarem todas as tribos de hraoös que encontraram em seu caminho, deixaram entre os dois países um tremendo rastro de crucificações. Feita de pedra, a estrada carrega apenas sofrimento e destruição.”

“Sobre Vatra: cultura e história”,  p. 327, Autor Desconhecido – Ano Desconhecido

Após a Longa Guerra, nenhum tratado de paz foi selado entre Mäaen, Venn e Vatra, e apesar desse convívio aparentemente pacífico, qualquer passo em falso nesse jogo poderá reabrir as cicatrizes de que todos ainda se recuperam.

“Mentiras, laços frágeis, falsas emoções e adagas traiçoeiras permeiam um mundo cercado de religião, política e deuses misteriosos.”

Mais uma vez me deparo com uma história na qual não sei, afinal, quem são os mocinhos e quem são os vilões. Apesar de serem claros os objetivos e feitos de cada um, Gleyzer demonstra de cada ponto de vista os motivos que fazem homens justos ou brutais procurarem vingança.

“No norte, Koran K’Voöhk é um orgulhoso guerreiro que retorna à sua cidade após o exílio que lhe foi imposto ainda garoto, e depara-se com a mais pura decadência: sua Família está em declínio; seu castelo, abandonado aos ratos; seus inimigos, ainda mais poderosos...Conseguirá ele reerguer o nome de sua Família e recuperar o prestígio que ela um dia tivera?”

Intercalando os acontecimentos ocorridos em Arthä capital de Maäen, Väll capital de Vatra, Akähm, capital de Venn e também acompanhando o trajeto de Antau, partindo de seu lar no sul, com destino a Vatra, no norte do continente, A Face dos Deuses é um livro que considerei de um tipo quase “poético”. A escrita de Gleyzer é extremamente rica e o cenário é descrito com tamanho cuidado, que um mundo complexo e muito bem construído vai se formando em nossa imaginação.

Quando terminei a leitura, perguntei ao autor se tudo isso havia mesmo existido algum tempo na história, e ao saber que não, mais uma vez me perguntei se não existem, de fato, universos paralelos onde essas histórias criadas sejam reais. Pois acho quase injusto um mundo tão bem criado existir apenas em nossa imaginação.

Sem obedecer uma ordem cronológica de acontecimentos, os capítulos são narrados tanto no presente quanto no passado, e não tenho outra palavra que resuma melhor esta história: Genial.
Tendo um apoio fortíssimo na religião, os habitantes de Dünya veneram diferentes deuses, e é simplesmente incrível a forma como suas emoções são representadas por eles.

“A fome, a miséria e o caos imperavam numa capital que já vira dias melhores e agora pensava em deitar-se sobre o declínio. O próprio Sürm parecia caminhar onipotente pela cidade e a face de Vaäth era vista no rosto das pessoas.”

Vaäth – A Obscura, deusa do medo e do desespero.
Sürm – O Incógnito, deus do caos.                            

Com inspiração em Game of Thrones e outras histórias do gênero, A Face dos Deuses é diferente de tudo que já li, um livro daqueles que terminam bem na hora “errada” e o gosto de quero mais fica entalado após o término da leitura, pois Gleyzer soube prender o leitor em um universo riquíssimo e cheio de ação.

“ A Fyaraäna dançava levemente de um lado para o outro enquanto desviava dos ataques desajeitados. Suas espadas  pararam um, dois, três golpes antes de voltarem a atacar (...) Dois metros de terra seca e poeira os separavam. A guerreira vatriana adotou sua posição de ataque e se preparou para a última dança.”

Como qualquer história digna de finais “pqp!”, A Face dos Deuses encerra sua apresentação de forma inesperada e cheia de mistérios a serem resolvidos. Entre eles, um me deixou com os nervos a flor da pele: 

"Existe um antigo ditado nähfeno que diz:  A Floresta Dokah devolve apenas os puros de coração." 

 E já sou a primeira a aguardar fervorosamente a continuação.

Já digo como aviso que não pude contar nem a metade de toda a riqueza literária que o livro proporciona, existe uma lista de personagens importantes e muito bem construídos que infelizmente ficaram de fora, assim como lugares e fatos dessa história que são relatados ao longo da narrativa. Na verdade, não é fácil fazer jus a esta obra em uma resenha. O leitor deve embarcar a fundo nessa série que veio para conquistar os amantes de um bom livro de ação e reviravoltas astuciosas.

O livro conta com um mapa para podermos nos localizar, o que adoro, já que fico olhando a todo momento onde determinado personagem está. Além disso, um Apêndice é encontrado nas últimas páginas do livro, dando significado a alguns termos da história. Os Brasões de todas as grandes Famílias também encontram-se ali e a cronologia de todos os personagens e mais importantes acontecimentos de Dünya podem ser acompanhados.


Uma obra completíssima e que merece se difundir por todos os leitores que apreciam uma obra nacional de tirar o fôlego.

Gleyzer está de parabéns pela sua escrita e merece alcançar o maior sucesso possível por onde passar, pois criou uma das histórias mais envolventes que já tive o prazer de conhecer, logo eu, que amo uma boa fantasia.


Autor: Gleyzer Wendrew
Ano: 2016 / Páginas: 180
Idioma: português 
                Editora: Kiron

Encontre mais sobre o mundo de A Face dos Deuses no site As Crônicas da Aurora


Conheça um pouco sobre o autor



Gleyzer Wendrew  nasceu no dia 19 de abril de 1992, em Brasília, cidade na qual cresceu e ainda reside. Embora formado em Administração de Empresas, curso do qual se orgulha, tem sua grande paixão na Filosofia de Nietzsche, na História Medieval europeia e asiática, e nas diversas mitologias espalhadas pelo mundo. Fã incondicional de J. R. R. Tolkien, Bernard Cornwell e George Martin, não tentaria excluir desta sua primeira obra os conhecimentos que adquiriu com os mestres da literatura fantástica. Atualmente se dedica a consolidar o universo criado enquanto escreve os outros 3 volumes da saga.

sábado, 24 de setembro de 2016

Em Tuas Mãos

A Resenha de hoje é sobre uma das histórias das quais mais tenho a alegria de ter conhecido. Um dos maiores prazeres de um leitor é conhecer livros que deixam um sentimento de realização e conforto no coração. Michelle Passos transmite tudo isso e muito mais. Confiram a continuação de Aos teus pés, o segundo livro da duologia O Jogador e a Bailarina.


"E como eu posso duvidar do destino se ele usou a minha vida para trazer a ajuda necessária e na hora certa para o cara que passou minutos me encarando por debaixo de uma escada, numa festa onde ele e todo mundo não passavam de desconhecidos, me desafiou numa mesa de sinuca com sua língua afiada e seu jeito impertinente, tinha tudo para ser o homem errado, mas se tornou a única coisa que parece ser certa para mim?"



Marina Casanova fugiu de sua cidade natal e de seu pai, extremamente egoísta, para ir atrás de seus sonhos e tentar oferecer uma vida melhor à sua mãe e seus irmãos. Chegando à cidade grande, mal sabia ela que sua primeira noite na capital estava para mudar totalmente seu destino e o de todos a sua volta.

Agora, passados apenas pouco mais de dois meses e após ter enfrentado obstáculos e decepções inimagináveis, dentre eles a recusa a uma vaga na Special Corpus Ballet, escola de dança dos seus sonhos, ela tem em mãos o futuro de seu relacionamento com Fred, o que, graças ao bom Deus, se resolve nos primeiros capítulos da história.

Eu bem disse que Michelle não perde tempo em amenidades! Quando quase infartei ao terminar Aos teus pés, fiquei imaginando o que poderia vir pela frente na vida de Mari e Fred. E a resposta é simples: Se Aos teus pés me arrancou suspiros... Em tuas mãos me tirou o fôlego! E não foi pouco!

Espiando a sinopse, descobri que alguém do passado de Marina viria para acertar as contas com ela. Imaginei todo um drama que talvez se enrolasse durante o livro para atrapalhar esse romance lindo... Nada disso! Sem espaço para mimimi, o passado de Mari chega e logo vai, mas não sem antes deixar marcas que atingem toda a família Casanova.

Quando tudo parece aos poucos ir se ajeitando, Leandro Lamarck revela um segredo que pode abalar toda a estrutura que Fred pensou ter construído em torno de si e dos que ama. Aos poucos, todo o resultado de seu esforço em benefício de Leandro começa a ruir. De uma hora para outra, o destino da felicidade de sua família parece novamente estar em suas mãos e Fred não medirá esforços para ver o final dessa história feliz. Mas, e se o final feliz desejado por Frederico colocar em jogo a felicidade de muitas outras pessoas?

“Eu daria a minha vida pela dele. Eu daria sem pensar meia vez.”

Quando os atalhos da vida parecem ser mais fáceis, é necessário grande força de vontade para ignorar o que é errado e seguir pelo caminho certo. Leandro tem um grande problema para resolver, nada que alguns milhares de dólares não resolvam. Fred recebe a proposta perfeita para ajudar seu irmão, mas essa escolha pode colocar em risco o sonho de seus melhores companheiros e amigos.

Em tuas mãos não é só mais um romance cheio de obstáculos a serem superados pelos protagonistas. Em tuas mãos fala sobre dor, escolhas e perdão. Uma palavra não saiu de minha cabeça após finalizar a leitura: humano. Ele vai fundo na alma das pessoas e mostra os mais íntimos sentimentos, nos fazendo entender os motivos de suas escolhas, sendo certas ou não. Muitas vezes o que parece ser imperdoável, consegue encontrar o caminho para o sincero perdão e no fim percebemos que não há vilão nem mocinho, ninguém pode tentar ser Deus nem mudar o destino das coisas; o que há, são pessoas; pessoas que escolhem, que erram ou acertam, que podem se redimir ou não, que podem perdoar ou não, que podem amar ou perder uma das coisas mais belas que a vida pode oferecer: o amor. Mas no fim, entendem que tudo acontece exatamente da forma como deve acontecer.

“Mas não se tem tudo na vida e, no final das contas, a gente nunca passa por nada que não seja o que nos destinado.”


Quando digo que o livro de Michelle é de tirar o fôlego, é porque é assim! Os personagens vão nos cativando a cada novo capítulo e quando vi, estava apaixonada por essa história incrível que não perdeu nem um pouco o impulso em seu segundo volume. Me emocionei, sorri e estive diversas vezes à beira das lágrimas; não é difícil sentir o que os personagens sentem. Em tuas mãos explora as dificuldades da vida, os desafios impostos por ela, as difíceis escolhas que devemos fazer e reforça, acima de tudo, que somente a amizade, a confiança e o amor são capazes de nos guiar aos caminhos certos, rumo à felicidade que todos buscam.



Em tuas mãos
Autora: Michelle Passos
Ano: 2016
Editora: Independente
Duologia o Jogador e a Bailarina #2



Um recado da Fran para a melhor autora: Obrigada! Obrigada Michelle, qualquer dia fica mais feliz quando lembro da história linda que você escreveu. Como já disse antes, desejo que teus livros alcancem o mundo todo, pois você merece. Tem nas mãos o dom de encantar e nos pés a possibilidade conhecer o mundo e levar, através do que escreve, muito mais alegria aos teus leitores. Que seja cada vez mais abençoada. 
Estarei te acompanhando para sempre. 
Como disse uma personagem que gosto muito: "eu leria até sua lista de compras" Bjos :** 


Michelle Passos nasceu e vive em Belo Horizonte, Minas Gerais. Formou-se em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pela Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte e já trabalhou como repórter e fotógrafa.
Leu seu primeiro livro aos sete anos e desde então nunca mais parou. Escreveu sua primeira história aos onze, onde usava seus colegas de sala como personagens. Gosta de viajar, é apaixonada por música, ama estar entre seus amigos e adora ler um bom romance. “Aos T
eus pés” é seu romance de estreia e teve cerca de um milhão e meio de visualizações na internet.

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