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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Desencontros e Desencantos

        Me aventurei em uma leitura de época. Uma das primeiras, e ele é Nacional! Confiram a resenha do livro Desencontros e Desencantos, da autora Nathalia Batista, publicado pela nossa querida Chiado Editora.


Sinopse:

A Inglaterra, do início do século XIX, é palco de um romance repleto de paixão, dor, encontros, encantos, desencontros e desencantos. O romance é composto por pessoas e com elas, tudo o que há de pior e de melhor no ser humano.  São sentimentos explorados em uma cadência lenta nas fases mais difíceis da vida de uma mulher. Suzanne é uma doce e ingênua moça de dezessete anos, cercada e castigada pela maldosa Veronika, de quem era dama de companhia. A vida tem seu próprio jeito de ensinar aos ingênuos e proporciona um longo e árduo caminho a menina em meio a uma sociedade onde respeito e posição não raramente eram construídos com crueldade, inveja, mentiras, intrigas e vingança.


Suzanne Black mora com as Hampton desde que sua mãe, a antiga Dama de Companhia da senhora da casa, falecera. Desde então, a moça é Dama de Companhia de Veronika, uma menina arrogante e má, que faz o possível e o impossível para ser desagradável com sua criada.

Aos dezessete anos, Suzanne vê sua vida mudar quando a Sra. Hampton lhe revela mais uma das promessas feitas à mãe da garota antes de morrer: garantir-lhe um bom casamento. A Senhora Hampton não está com boa saúde e tem esperanças de casar também sua intragável filha. É dessa forma que as três mulheres deixam sua propriedade em Forxes Park e vão até Londres, com intenção de debutar as garotas.

No primeiro baile, o Marquês Alexander Radcliff, que não tem planos de casar-se, como deseja sua mãe, se encanta a primeira vista com Suzanne, que também se sente atraída pelo rapaz. Mas Alexander é um tanto quanto ciumento, e seu temperamento forte faz com que ambos se desentendam logo no primeiro encontro, pois Suzanne acaba chamando a atenção por sua beleza, simpatia e talento ao tocar piano, conquistando também o Duque Underwood.

Veronika não admite que sua criada se saia bem na história, diante da possível felicidade de Suzanne e Alexander, ela começa a planejar a separação do casal, que entra em uma paixão rapidamente.

"Na verdade, ambos gostaram de sentir o contato de seus corpos, um do outro. A moça ficou sem fôlego, não entendia o que se passava com ela. Ele, já experiente, soube naquele momento que estava perdido de amor por ela, e que seu coração só a ela pertenceria, pois nunca sentira tamanha atração por mulher alguma, até hoje."

Eu ainda não tive maior contato com o romance de época, portanto, não sei qual o perfil das pessoas da sociedade dessa época. Achei a história bastante corrida, Alexander se apaixonou por Suzanne rapidamente, e com essa rapidez, surgiu também grande ciúme - doentio e possessivo. Não conheço os costumes da época, mas achei o romance bastante precoce quanto a estes sentimentos.

Como o título sugere, Desencontros e Desencantos acontecem, guiando os caminhos dos personagens. A linha geral da história é agradável, o que ficou meio forçado foram os desfechos que delimitaram a trama. Suzzane e Alexander agem com muito impulso em alguns momentos, tomando decisões importantes demais para serem resolvidas com meias palavras e poucos minutos.

São estes atos impulsivos que levam a história a dar um salto no tempo. Veronika tem êxito em seus planos e consegue separar Suzzane de Alexander. De repente, viramos a página e se passaram doze anos. Depois desse tempo, em que sabemos rasamente sobre o que aconteceu em suas vidas, somos levados novamente a momentos importantes que acabam unindo novamente nossos protagonistas, e então vamos ao desfecho dessa história de amor mal resolvida.

É uma leitura rápida e não muito profunda. Mesmo assim, é possível entender a moral da história, que fala sobre tempo, vingança e perdão.


Livro no site da Editora: Desencontros e Desencantos



segunda-feira, 27 de março de 2017

A Mais Bela Melodia


Eu queria ter um balão. Faria cópias e mais cópias de A Mais Bela Melodia e sairia pelo mundo, jogando páginas ao vento e deixando com que cada pessoa no mundo pegasse apenas uma página, uma frase ou uma cena. Existem livros que você não precisa chegar até o final para saber que vai ficar ali, gravado em cada pedacinho do coração que, aliás, ainda está apertadinho depois do fim dessa leitura.



Ativista ambiental ferrenha, Lorena Sanchez não faz o tipo simpática. Prova disso é a ausência de amigos na escola e também na vida. Mas Lorena não se importa em agradar ninguém, fazendo questão de esbanjar rebeldia e ironia por onde passa. O que ninguém sabe, é que Lorena esconde, sob a faixada de durona, as agressões de um pai que usa a imagem de bom pastor para esconder sua autoridade, crenças e preconceitos.

"Eu era filha de um monstro. Tinha picos de terror em mim também. Como poderia derrotar algo, se pedaço dele vivia dentro mim, o tempo inteiro? Mas não iria pensar nisso agora. Talvez em outro dia. Um dia menos frio e com uma lareira que me ajudasse a encontrar a luz do sol. Por agora, estava na hora de voltar para o escuro”.

Klaus Hunter é popular e provavelmente o melhor músico que Esperança poderia ter. Encontrou em Adônis, seu melhor amigo, o irmão e a família que nunca teve, pois abandonado pela mãe ainda na infância, convive com o Delegado da cidade, um pai distante que não soube lidar com o abandono da esposa.

Um incêndio na escola acaba fazendo com que Klaus salve a vida de Lorena e seus dias passam a se revezar entre favores devidos e guerras que atormentam toda a escola. E então Lorena é obrigada a entrar para o musical que Adônis, Samuel, Dominic e toda a turma de Klaus fazem parte.

Engana-se quem acredita que esse possa ser mais um livro onde o casal protagonista se odeia e o amor acontece no final da história. Tem disso, mas é apenas o começo do grande emaranhado que se tornam suas vidas. Mesmo opostos totalmente um ao outro, o universo conspira para a aproximação de Klaus e Lorena, ao mesmo tempo em que os problemas sociais desses dois núcleos familiares vão sendo jogados sem piedade para o leitor.

 “Eu não era uma das loiras patricinhas que desfilavam pela cidade com brincos de ouro comprado pelos pais e namoravam caras bonitos e de sorriso maquiado. Eu era a porra da filha de pastor que havia sido soldado e que tratava os filhos com experiência de guerra. Eu tinha mais machucados no meu corpo do que a maioria do exército do estado inteiro. Eu tinha cicatrizes na alma suficientes para montar uma história de arte bizarra. Não estava a fim de deixar ninguém entrar, porque quando a gente deixava, as pessoas iam e nos deixavam numa vala mais funda do que a que estávamos anteriormente. E eu não queria isso. Não de novo.”

É um misto de sentimentos inexplicável. É um romance imprevisível. Com um final arrebatador, que pela primeira vez na vida me deixou com medo de seguir em frente.

Se as escolhas para os adolescentes já são difíceis, imaginem quando você precisa escolher entre o amor da sua vida e seu futuro. Entre ir ou ficar. Entre salvar uma vida ou permitir que ela acabe se tornando apenas um eco de tudo que já foi. Às vezes parece que há apenas uma alternativa, e é então que Klaus, Adônis e Lorena se envolvem em escolhas difíceis e tomam decisões uns pelos outros, fazendo com que suas vidas tomem um rumo totalmente inesperado.

“Minha alma ainda doía, mas eu a consertaria. Faria o máximo de remendos possíveis, e continuaria a viver com ela costurada. Era isso que todos faziam diariamente, e era assim que eu faria.”

Psicologicamente falando, não resta muito raciocínio nem palavras para descrever essa história, que traz uma carga emocional enorme durante toda a narrativa. A forma como Carol escreve é simplesmente esplêndida! Como leitora, desejo do fundo do coração que ela alcance o maior número de leitores possíveis pelo mundo, A Mais Bela Melodia tem um roteiro tão perfeito, que não ficaria nada menos do que maravilhoso em uma tela de cinema. É uma pena nosso país não valorizar isso. Como futura escritora, peço aos céus que um dia me permita escrever com tanta vida através das palavras como Carol faz.


E-books disponíveis na Amazon: 


A autora

Nascida em Maceió, Carol Teles sempre soube que seu universo pessoal estaria relacionado aos livros. Assim, tentou, primeiro, exercer a profissão de professora, que não deu muito certo, passando, então, para a de bibliotecária e, atualmente, para a de agente de saúde, além de ser mãe, blogueira e escritora. Leitora compulsiva, tem mais livros em casa do que roupas no armário. Apaixonada por Tolkien e D’Avenia, aprendeu a ser uma boa observadora das pessoas e de fatos da vida. Foi assim que começou a escrever textos pequenos, na escola, até que, de acordo com ela, do nada lhe surgiu uma ideia, a qual logo vislumbrou que culminaria em um livro. Juntou essa intuição à sua segunda grande paixão artística, a música, criando A Mais Bela Melodia.


domingo, 12 de março de 2017

Vertygo, O suicídio de Lukas


Multiverso, Delírio ou Fantasia? 
Sincronicidade, Coincidência ou Destino? 
Universo Paralelo, Alucinação ou Fuga Da Realidade? 
– Bem Vindo À Vertygo – 
 

            Dica de leitura nacional pra quem adora mistério. Vertygo, O suicídio de Lukas, aborda, entre outros fenômenos da mente, a teoria da sincronicidade. Será que tudo que está para acontecer tem algum significado?





O livro de Marcus Deminco inicia com o que talvez seja uma das mais difíceis decisões sobre a vida, o suicídio. A que ponto da vida uma pessoa precisa chegar para precisar desistir? E o que faz com que algumas enfrentem tudo sem sequer pensar nessa hipótese?

Lukas de Castro decidiu que aos 33 anos já viveu o suficiente. Fato é que uma depressão tão grande tomou-lhe conta, que nem mais seus mais agradáveis passatempos conseguiam lhe alegrar. Parou de dar antroponímia na faculdade onde lecionava, deixou de lado seu cachimbo e seus discos de Jazz e permitiu somente que a vontade de morrer crescesse em seu interior.

Mas então, qual seria a melhor forma de morrer? Lukas sabia que deveria no mínimo ser de uma forma digna e sem falhas, e são nesses questionamentos que uma ideia lhe passa pela cabeça: 
“O que acontecerá com as faturas dos meus cartões de créditos quando eu morrer? Quem vai pagá-las?”

Com esse pensamento, Lukas decidiu que poderia ter, em seu último dia de vida, todo luxo que do qual se privara até aquele dia. Encomendou seu funeral, desfrutou de um bom almoço, comprou caras lembranças para seus entes queridos e partiu para um hotel de luxo de onde escolhera se jogar.

Mas Lukas, que havia usado seu conhecimento em antroponímia para ligar às "casualidades" do seu dia, não poderia imaginar a surpresa que o encontraria no quarto do hotel: 
Um belo Komboloi grego com a seguinte escrita cravejada: ΚαλώςήρθεςστοΒέρτιγκο (Bem vindo à VERTYGO)”.

A menção à enigmática ilha faz com que repentinamente Lukas mude, mesmo que temporariamente, seus planos, fazendo com que ele embarque em uma viagem alucinante em busca dos segredos de Vertygo.

Amo livros com temáticas diferentes, como é o caso de Vertygo. O autor usa de um certo suspense já na sinopse, nos inserindo profundamente dentro dos sentimentos e pensamentos do personagem. Sabemos que há um mistério nessa trajetória até a ilha, mas a surpresa no final é inimaginável. Considerei o livro um verdadeiro plot twist, daqueles onde todas as suposições não serão o suficiente.

Sou fã dos mistérios do subconsciente e Marcus soube explorar muito bem todos esses aspectos no enredo da história.  Uma leitura envolvente, que com certeza vai surpreender muitos leitores em sua jornada.



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O autor


Marcus Deminco é Escritor e Psicólogo brasileiro. Professor de Educação Física, tutor de Programação Neurolinguística e Dr. h. c. em Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Soul Rebel - Reviravolta



"Eu só estava meio hipnotizada, como qualquer menina ficaria na presença de um cara bonito. Mentira, no fundo eu sabia que não era só isso. Mason era egocêntrico, misterioso e aparentemente perigoso. Seus olhos me diziam para não ultrapassar a área de segunrança, mas já era tarde demais. Eu já havia furado o cordão de isolamento."

Um livro cheio de ação, perigos e paixão. Soul Rebel - Reviravolta, o primeiro livro da trilogia escrita pela autora Kimberly Mascarenhas. 



Sinopse:

Reviravolta é o primeiro volume da série "Soul Rebel", grande fenômeno da internet. Cassidy, a protagonista desta história, é uma jovem tímida, mas muito forte e decidida. A certa altura, depois de alguns acontecimentos inesperados em sua vida, Caissy conhecerá Mason, um cara lindo e sexy, mas com fama de perigoso. E uma atração inevitável entre eles vira o combustível de uma paixão conturbada. Cheia de dúvidas e conflitos internos, ela decide se entregar à paixão e correr todos os riscos, sem saber que se relacionar com ele talvez signifique colocar a própria vida em jogo. Com muita emoção, desejo e ação, Reviravolta conquista o leitor de imediato e o deixa contando as horas para ler toda a trilogia.


Cassidy mora em um colégio interno desde os nove anos, quando sua mãe foi internada em uma clínica por seu pai, que logo após sumiu no mundo. Aos 17 anos, Caissy tem somente um sonho, sair da escola e cuidar de sua mãe, mas de uma hora para a outra, ela vai descobrir que a vida tinha outros planos.

As convenções rígidas do colégio interno nunca foram um empecilho para Cassidy e Claire, sua melhor amiga, encontrarem a diversão. Fugindo à noite, elas iam para a balada sem nunca serem pegas pelas irmãs, e é numa dessas fugas que ela conhece Drew Becker, um cara com fama de bad boy perigoso e que parece conseguir quem ou o que ele desejar. Após jogar um copo de bebida no rosto de Drew e fugir as pressas da festa, Caissy volta ao colégio interno e tem sua última noite de normalidade, no outro dia, nada mais voltaria a ser como antes.

Soul Rebel, fazendo jus ao nome, é um livro cheio de reviravoltas. Após perder a mãe, Cassidy se vê indo para a casa de Deborah, uma amiga de infância de sua mãe, da qual ela não tinha conhecimento. Chegando lá, ela descobre que Deborah tem um filho, Mason Becker, o tão famoso Drew Becker das ruas.

Mason se mostra agressivo e extremamente mal educado ao ver a garota da noite anterior em sua casa, o que faz com que Caissy fuja pelas ruas da cidade e se meta na primeira confusão da história. Como imaginado, Mason aparece para salvá-la, no dia que ficaria como o mais turbulento de sua vida.

Em alguns momentos achei que os acontecimentos aconteceram rápidos demais. Caissy é rejeitada sem piedade por Mason, mas sua insistência acaba fazendo com ela force encontros pela casa e se entregue a ele no mesmo dia em que ela perde a mãe, aparentemente esquecendo toda a dor de sua perda.

A verdade é que Cassidy é uma garota confusa e que ignora todos os sinais de perigo que Mason lhe dá. Sua curiosidade acaba a levando para dentro da vida criminosa que ele e seus amigos vivem e por amor, ela será capaz de tudo, inclusive de colocar sua própria vida em jogo.

" - Você sempre faz escolhas idiotas? Você mal me conhece, não pode entregar sua vida para mim dessa forma. Não sou nada.
- Eu não tenho nada, Mason. Nunca tive, na verdade. Por isso faço do "nada", o meu "tudo"."

Cheio de ação e reviravoltas, o leitor vai acompanhando o desenvolvimento da relação entre Mason e Cassidy, suas discussões, seus medos e a paixão entre eles, que consegue superar qualquer obstáculo. Mason é um cara marrento e foi difícil gostar dele, levando-se em conta que um amor do passado, responsável por torná-lo tão indiferente e frio, acaba voltando para atrapalhar e confundir seus sentimentos por Cassidy.

Toda a história tem um desenvolvimento bom, mas o ponto forte para mim foi o final. Enquanto Alexia, a ex de Mason se esforça para acabar com a felicidade do casal, Cassidy aos poucos se torna uma mulher forte e decidida, deixando a imaturidade de lado. Ela sabe exatamente o que quer e não medirá esforços para recuperar o que lhe foi tirado.


Terminei o livro “roendo as unhas” para saber o que iria acontecer, há muito tempo um final não me deixa num estado do tipo: WTF? Não acompanhei a fanfic e não faço ideia do que está por vir nas próximas sequências, mas vou aguardar fielmente, pois as expectativas são boas.



A autora:



Kimberly é uma estudante de direito que escreveu sua primeira fanfic, Soul Rebel, em 2011 e desde então criou uma legião de fãs. Soul Rebel foi excluída para o lançamento de seu livro pela Editora Leya, Reviravolta, primeiro volume de uma trilogia que já está a venda em todo o Brasil.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A Melodia do Coração


          Hoje é o aguardadíssimo lançamento do segundo volume da trilogia Fury Hunters, A Melodia do Coração, da autora Michelle Mariani. Confira a resenha


"[...] Tudo o que eu mais desejava era ouvir a sua voz."



            A vida nunca foi fácil para Benny. Pais abusivos, maus-tratos, uma infância interrompida pelas constantes mudanças de orfanato, Benício nunca pensou que encontraria motivos para sorrir. Até conhecer Cat.
Catarina foi largada na porta de um orfanato aos seis anos, quando perdeu a audição e deixou de ser a filha perfeita que seus pais desejavam. O silêncio que a cercava se tornou mais tolerável ao conhecer o garoto protetor que carregava nos braços seu passado sofrido, mesmo que essa felicidade durasse muito pouco. Quatorze anos depois, seus caminhos se cruzam de maneira inesperada, e o ex-baterista dos Fury Hunters não permitirá que eles se separem novamente. Ele nunca esqueceu Cat e ela sempre sonhou em reencontrar seu melhor amigo. A linha entre o amor e a amizade é muito tênue, e uma vez cruzada, não há deficiência que possa separar duas almas destinadas a ficarem juntas.


Para o bem ou para o mal, a vida é capaz de surpreender de formas inimagináveis. Foi assim com Catarina, quando certo dia, aos seis anos, acordou em um mundo totalmente silencioso. Após ser deixada na porta de um orfanato por seus pais, por não ser mais a filha perfeita que eles desejavam, ela se isolou em um mundo solitário, tendo que lidar com o abandono e o preconceito das pessoas a seu redor.

Benício foi tirado de seus pais ainda quando criança, mas as marcas que carregava nos braços eram uma lembrança constante dos maus tratos que recebia de quem deveria o proteger.

Quando suas vidas se cruzam em um dos tantos orfanatos pelos quais passaram, eles criam uma amizade capaz de transpor qualquer barreira, inclusive seus “defeitos”. Eles apenas não imaginavam que o tempo que tinham juntos seria tão pouco. Sempre de mangas compridas, o menino se tornou o protetor e melhor amigo de Cat, até que o dia em foram separados.

Benny, mesmo aos 14 anos, foi adotado e partiu para seu novo lar. Dias depois, Catarina foi mandada a um orfanato próprio para crianças com algum tipo de deficiência, de onde saiu apenas aos vinte e dois anos, com uma mala na mão, uma proposta de emprego em Villa Bella e toda uma vida para encarar.

Passados catorze anos, Cat não passa um só dia sem desejar reencontrar seu melhor amigo, e Benny, que a leva em seu coração desde o dia em que a perdeu, nem imagina que ao ajudar uma moça a se livrar de alguns bêbados na rua, está mais próximo de sua Cat do pode imaginar. Agora, eles vão descobrir que a amizade que guardavam desde a infância está ainda mais forte e junto a ela, um sentimento novo e único, que vem para amenizar todo o sofrimento de suas vidas.

Com uma escrita leve e fluída, Michelle Mariani nos introduz em umas das histórias de vida mais lindas que já tive o prazer de conhecer. Cat realizou seu maior desejo ao ver Ben novamente, mas ele cresceu, os lindos braços tatuados encobrem as marcas dos maus tratos do passado e as mulheres caem aos seus pés por onde ele passa, mas Benny não quer nenhuma delas. Depois de 14 anos, sua melhor amiga está de volta e ele fará o que for possível para fazê-la ficar.

Quando se sofre tantas perdas e desilusões como eu sofri, aparentemente nos tornamos mais corajosos e resistentes às pancadas e decepções. Eu podia ser muitas coisas, mas medroso nunca foi um dos meus defeitos. Eu só desejava que o sentimento fosse recíproco e que minha gata ficasse feliz por descobrir o quão profundo era o meu carinho e amor por ela.

Ao acompanhar as dificuldades de Catarina com sua surdez, um questionamento é inevitável: As pessoas não precisam falar sobre suas limitações para serem aceitas ou respeitadas, ou será que precisam?

"Meus olhos se encheram de lágrimas, mas pisquei o mais rápido que pude para contê-las e corri até onde estava minha mala. Tinha tão poucas coisas que minha vida inteira cabia dentro dela. Minha vontade era de implorar ao homem que me deixasse ficar, mas o pouco de orgulho que restava dentro de mim me impediu de fazer isso. Depois de uma última olhada no lugar que tinha sido minha casa pelos últimos três meses, virei-me de costas e comecei a caminhar sem destino pelas ruas."

Cat é uma garota forte, mas cresceu com a insegurança sempre a acompanhando; ficar com Benny, tendo a tão sonhada vida feliz ao lado de pessoas que ama é ameaçada apenas por uma coisa e é ela quem tem a decisão sobre isso.


Uma história pra levar pra vida! Em A Melodia do Coração, aprendemos sobre superação, amizade, confiança e força, força para enfrentar as adversidades da vida, para vencer os obstáculos que aparecem a cada curva e aprender que o amor é sempre o melhor caminho.

Eu amei cada detalhe deste livro, não falei muito sobre os outros personagens, mas cada um deles tem um lugar especial no meu coração! São todos pessoas do bem, e principalmente Cat e Benny, que mesmo com todos os problemas que tiveram em suas vidas, não deixaram que nenhum deles os guiasse, se não para o bem, e é assim que eles vivem, fazendo sempre o melhor por quem precisa, não olhando para qualquer deficiência, dificuldade ou rótulo.





Encontre o livro no Skoob

Onde Comprar: E-book - Amazon| Físico - Facebook | Físico - DM Art e Design



A autora


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Michelle Mariani é formada em Publicidade e Propaganda, mas seu dia a dia é dividido entre editar vídeos para a TV, criar peças publicitárias e escolher o próximo livro da sua lista infinita de leituras. Natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, tem uma paixão enorme por romances água com açúcar, o que já arrancou risadas das amigas por odiar ler dramas exagerados e por amar saber o que acontece no final de cada livro antes mesmo de começar a leitura. 
Desde a infância é, uma leitora compulsiva, mas só se arriscou a escrever depois de adulta, decidindo que já estava na hora de colocar no papel o seu romance dos sonhos.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Os últimos dias de Dilúvio da Serra


A resenha de hoje é de um livro simplesmente sensacional! Os últimos dias de Dilúvio da Serra, do autor Adriano Paciello, publicado pela Chiado Editora, é a primeira surpresa de 2017, entrando facilmente para os favoritos e caindo na lista de indicações para a vida.


Sinopse:
Dilúvio da Serra é uma cidade repleta de superstições e sua aversão ao número 13 é uma obsessão. Prestes a completar 100 anos e com 12.999 habitantes, uma chuva avassaladora e o iminente nascimento do próximo diluviano endossam o medo da extinção do local. Pegue seu guarda-chuva e acompanhe os últimos dias de Dilúvio da Serra.




O que move uma crença? Uma crença pode mover uma cidade? As vésperas de seu aniversário de cem anos, Dilúvio da Serra respira superstição. Uma crença que começou junto à sua fundação, quando a esperança fazia parte da vida das doze famílias que ali fizeram morada.

Mognos da Serra seria o nome. Uma bonita placa de madeira para batizar o local e seguir a vida. Estamos em 1813, mais precisamente no dia 13 de setembro daquele ano, às 13 horas. O discurso de inauguração nem chegou a acontecer, pois a chuva veio forte e terminou com tudo. Depois de doze dias de chuva incessante, uma explicação. Fizeram todas as ligações possíveis e o problema era um número: 13 na data, no número de letras do nome da cidade, o “M” de Mognos, ocupando a décima terceira posição no alfabeto; era o número em tudo e isso justificava sua ruína.

Ali não havia espaço para a lógica, para o bom senso.


“O amor incondicional a algo, a alguém, aos olhos dos normais, soa como uma aberração, incomoda, revolta, contudo, enquanto o véu mágico estiver cobrindo a realidade, dor e limites ficam a dias de distância.”

Passados doze dias, um novo nome, uma nova placa de madeira, o milagroso fim da chuva e uma vida que seguiria irreversivelmente contada.

O tempo foi passando e a cidade foi crescendo de uma forma peculiar, sempre guiados pelas contagens e exclusão de quase tudo que houvesse o número 13 ou sua letra correspondente no alfabeto.

Dilúvio da Serra, próximo ao seu primeiro centenário, teme o fim. Com 12.999 habitantes e a chegada próxima de mais um diluviano, eles aguardam fielmente o cumprimento da profecia, que dita a extinção da cidade.

Neste cenário, o Padre Magno Manqueso, único a iniciar seu nome com M e a conter no nome treze letras, tenta abrir os olhos dessas pessoas e mostrar que a deve ser maior que suas crendices, mas para isso, ele deve enfrentar Johann Von Becke, que traz como tradição de família o medo e a precaução a tudo que possa atrair a desgraça novamente à sua cidade.

Beirando a insanidade, Johann tenta, de todas as formas, manter a crença da população de Dilúvio de Serra, enquanto Magno luta para trazer o bom senso àquelas pessoas. Com os dias contados para o centenário, os quase treze mil habitantes que mesmo temendo, aguardam o fim, se encaminham para uma catástrofe quase que desejada.

Que livro! Não tenho outras palavras para descrevê-lo; um final inimaginável e não sei se posso defini-lo assim, mas “hecatômbico” seria uma palavra adequada, mesmo que aparentemente esta variação não exista. Mas e as crendices, elas existem? São reais? A fixação por um número pode abalar uma sociedade inteira ou a fúria da natureza age conforme sua vontade, ignorando o temor dos que em meio ao pavor na terra vivem? Todo o medo que a população diluviana alimentou por cem anos, tem sequer uma gota de fundamento? De um lado, um homem que cresceu rodeado por histórias fatais associadas a um número, de outro, um Padre decidido a livrar a população de um medo infundado. No meio, pessoas que não sabem viver de outra forma se não a qual foram instruídas a viver, pois é o que se espera de uma desencorajadora e sincera cidade que acolhe seus visitantes assim: quando se entra “Pena que viestes; ao sair, Bom que vais”.

Os últimos dias de Dilúvio da Serra traz uma análise profunda da sociedade, entrou para meus favoritos e ao contar seu resumo para amigos, que infelizmente não carregam consigo o hábito da leitura, é impossível não assistir essa história, que em poucas páginas e raros diálogos, fala tanto e mostra muito. Quando penso em Dilúvio, posso visualizar perfeitamente a grande praça, a confeitaria e alguns personagens ali tomando café. Os acontecimentos ocorridos nos dias que antecederam ao centenário da cidade e que foram por Adriano Paciello contados, ficaram marcados em minha memória quase que como um filme, não sendo mais nítido apenas do que a certeza de que as lendas, as crenças, são o que as pessoas fazem delas.

Onde comprar: Chiado Editora I Martins Fontes Paulista


Título: Os Últimos Dias de Dilúvio da Serra
Autor: Adriano Paciello
Ano: 2016
Editora: Chiado
Páginas: 127
Gênero: Ficção / Romance

O autor:



Adriano Paciello

Professor de Lingua Portuguesa ha 21 anos no ramo de cursos preparatórios a concursos públicos

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A chance de encontrar o amor no metrô


Trago hoje para vocês uma história linda sobre os caminhos incertos. O que pode haver no fim daquele dia que parece todo atravessado, todo errado, que te tira da rotina e te faz mudar totalmente a rota? 


Não é um bom dia para Tess. Depois de acordar extremamente atrasada para um importante compromisso na faculdade, perceber que seu carro não vai sair do estacionamento naquele dia e constatar que não tem qualquer dinheiro para pagar um taxi, ela já sabe que terá um longo dia. Mesmo atrasada e sabendo que Liv, sua melhor amiga, deve estar pensando em uma forma bem criativa de lhe matar, Tess escolhe a última opção que lhe resta, ir de metrô.

É nesse dia totalmente anormal, indo à faculdade em um horário que normalmente já estaria na aula, que ela conhece Adam, o garoto que senta ao seu lado no vagão. Quando tenta a todo custo ver o nome do livro que ele está lendo, Tess e Adam acabam iniciando uma conversa e em pouco tempo, se conhecem e se entendem de uma forma difícil até para amizades de longo prazo.

 Tess tem um tipo de trauma que carrega desde a infância por conta de lugares escuros, Adam foi diagnosticado há pouco tempo com diabetes. O curto trajeto no metrô se mostra complicado além do normal e faz com que ambos revivam o terror de seus problemas pessoais.

Depois de muitas reviravoltas, na qual Adam vai embora de repente, Tess finalmente chega à estação próxima à faculdade. Antes de descer ela nota que o livro de Adam ficou no metrô. Por algum motivo ela sabe que precisa devolver o livro e com apenas o carimbo da loja onde o exemplar foi comprado, Tess inicia uma aventura em busca do garoto.

Esta história nos faz refletir sobre as coincidências da vida. Destino ou acaso? Às vezes, junto de um dia totalmente atravessado, onde tudo parece estar fora do comum, pode ser que surpresas apareçam.

"Saiba que os dias que parecem ser ruins podem ser os melhores da sua vida".

Mostrando como um único dia pôde alterar a vida de Tess e também a de Adam, este é um conto leve e divertido, que nos faz pensar, ao final da leitura, em como os caminhos errados nos levam para os destinos certos.

 O primeiro pensamento é: quero mais! Rafael podia fazer um livro a partir da história desses dois. Em uma história onde não há nada de triste, consegui terminar a última frase com os olhos cheios de água, emoção de alegria, o que todo romance deveria proporcionar.


Parabéns Rafael. Sua escrita me cativou. 

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Sobre o autor:



Rafael nasceu em Salvador em 1994, formado em gastronomia pela UNIFACS, apaixonado por confeitaria, e atualmente estudante de engenharia civil na UNIUBE, é apaixonado por literatura e ama inventar histórias que poderiam acontecer com qualquer pessoa.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O Atirador de Duas Faces


A cena de um crime é montada. Sem saber o motivo, o detetive Sávio Saldanha é colocado no meio de uma chacina e ao mesmo tempo em que precisa desvendar o motivo dos assassinatos, precisa correr contra o tempo para não se tornar a próxima vítima. E este é apenas o início de um romance policial cheio de ação.

Sávio Saldanha se tornou um detetive após sair da Polícia Militar, onde rivalizou com o perigoso sargento Carlos Fontes. Sarcástico, estressado e politicamente incorreto, Saldanha tem uma boa fama por conseguir resolver os problemas comuns em seu serviço e atender aos pedidos de seus clientes. Após uma possível armação para incriminá-lo, ele tentará com a ajuda de seu amigo – o policial Daniel Gomes – a solucionar uma pequena onda de assassinatos na região de São Gonçalo e Niterói.

"Saldanha até cogitou a possibilidade de conseguir resolver esse mistério em uma única oportunidade, mas mal sabia ele que estava completamente enganado...
O palco de seu primeiro engano? Niterói.
O ano? 2002."

Pondo em prática seu trabalho de investigador, Saldanha precisa descobrir quem está cometendo os assassinatos e que tipo de ligação envolve as vítimas. Quando enfim descobre o que liga os assassinatos, ele percebe que o problema é maior do que imaginava, pois um fantasma de seu passado parece ser o estopim de toda essa matança.

Os cenários foram muito bem construídos e é impossível não gostar do protagonista, um homem nada simpático e bastante sarcástico, mas que cativa o leitor com seu jeito rude e sua inseparável Jaqueline, uma espingarda Calibre 12. Ele conquistou muitas inimizades entre os policiais, sendo o Sargento Fontes seu maior rival, mas tem em Daniel Gomes um amigo fiel, permitindo ao leitor ver a realidade em que vivem os mocinhos e os “vilões” dentro da corporação.

Sem a aprovação de Saldanha, uma ex-policial da 72ªDP é designada para lhe ajudar nas investigações e essa dupla improvável acaba aumentando ainda mais a ação para desvendar essa onda de assassinatos.

"Eis que Saldanha ergue Jaqueline, mais alto, e vai para o meio da rua, apontando firmemente para o Ford Corcel que vinha em sua direção [...]. O motorista freia o máximo que pode, pois seu medo maior é que o louco de calibre 12 atire acidentalmente. [...]
- Bom garoto... – Disse Saldanha – Estou requisitando seu carro agora!
- Cadê seu distintivo meu chapa? – Perguntou o motorista gordo.
- Meu distintivo e minha jurisdição são a distância entre a minha munição – Ele engatilha a arma – e o seu cérebro no banco traseiro, entre o dedo e o gatilho. SAI!"

O atirador de duas faces mostra-se um assassino implacável e não mede esforços para atingir seu alvo. Mas quem é ele afinal? O que o move?

Sabe quando você parece estar lendo o roteiro de um filme de ação policial? Foi assim que eu me senti. Ação do início ao fim e um mistério impossível de ser decifrado antes das últimas páginas. É o primeiro livro nacional que leio nesse gênero e a nota com certeza é dez! São poucas páginas, mas não faltou espaço para a adrenalina correr solta. Com uma ótima linha de acontecimentos e sem tempo para distrações, Luiz Guilherme Dias encerra seu primeiro livro com um final digno de um romance policial.

Título: O atirador de duas faces.
Autor: Luiz Guilherme Dias.
Páginas: 82.
Editora: Desfecho Romances.


O autor



Luiz Guilherme Dias do Nascimento é de Itaboraí, cidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, tem 22 anos, é estudante de Ciências Econômicas da Universidade Federal Fluminense e atualmente trabalha como Office Boy na cidade de Niterói. A paixão tardia pela leitura e pela escrita fez com que suas referências fossem os filmes do final dos anos noventa e início dos anos 2000.