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domingo, 5 de fevereiro de 2017

Uma Vida Para Sempre


Com os olhos inchados de tantas lágrimas, o estoque de post-it acabado e o coração explodindo de alegria, vamos à resenha da semana. Hoje falo sobre um livro emocionante e encantador, que está entre as minhas melhores leituras de 2016,“Uma vida para sempre” da autora Simone Taietti.

Ethel diz estar morrendo, contudo, não afirma isso apenas em razão de sua doença. Talvez a única certeza de nossa existência seja a morte, o fato de que ela chega para todos. Mas nem por isso deixa de ser a maior incógnita da vida.
Em um hospital, em meio à dor das histórias dos pacientes, Ethel encontrou amigos. Entre passeios em cemitérios, frequentando velórios e enterros de estranhos, ela tenta preparar a si e aqueles que ama, para o que parece estar ali tão próximo, o fim. Entretanto, não esperava enfrentar algumas surpresas que a fizessem duvidar de tal preparação.
As estatísticas ruins, a inexorável passagem do tempo. Onde reside a lógica disso que nos arranca pedaços, da súbita inexistência do que outrora era vívido e pulsante? Um corpo que jaz. Palavras que se perdem. A finitude de tudo o que é tão belo talvez seja a maior dor do mundo.
Uma vida para sempre é um compilado de desejos, pensamentos e dias.
Quanto dura o para sempre?
Ethel descobriu.


“A Ethel é especial sim, como você havia me falado, mas não por ser portadora de uma anomalia. Ethel é especial sem precisar de justificativa para isso. Ela simplesmente é especial.”


Ethel é aparentemente uma garota comum. Aos seus 17 anos ela deveria ocupar seu tempo com festas, amores e diversão, mas ao invés disso ela está frequentando velórios de estranhos, buscando entender a dor e desvendar a morte. Tudo isso porque ela tem CIPA, Insensibilidade Congênita a Dor Com Anidrose, uma doença rara, com um nome difícil, que nada mais é que a junção da impossibilidade de sentir dor com a impossibilidade de transpirar. A expectativa de vida para pessoas com esta doença é de cerca de 20 anos, e ao descobrir este fato, Ethel começa uma contagem regressiva para seus dias.

“As pessoas parecem não gostar de falar sobre a morte, como se fosse algo proibido. É preciso aceitar este futuro inevitável para, de certa forma, viver plenamente.”

Com isso ela tenta entender a dor que é incapaz de sentir. Em contato com pacientes do hospital que frequenta ela explora histórias e sentimentos, faz amigos e até encontra seu primeiro amor.
A busca para entender a dor a levou a descobrir muitas outras coisas. E nos leva a entender que a vida poder ser mais do que pensamos.

“A dor ensina. A dor protege. Ela pode trazer momentos muito ruins para a nossa vida, mas o que seríamos sem ela? Pois bem, eu acho que sei um pouco sobre isso...”.

Narrado em forma de diário, acompanhamos dia após dia a vida de Ethel. Todos os seus medos, inseguranças e descobertas. Portadora de uma rara doença ela vive com diversas restrições. Sua mãe não se importaria em colocá-la em uma bolha para protegê-la de todo mal. A incapacidade de sentir dor a deixa as cegas para qualquer coisa errada com seu corpo, de uma simples dor de cabeça até fraturas graves, por isso ela sempre deve fazer um autoexame em busca de qualquer acidente que possa ter acontecido com ela.
Sua mãe daria a vida por sua filha e para que ela não sofresse seria capaz de qualquer coisa. Inclusive lhe proibir de frequentar e fazer amigos no hospital, pois acha que a tristeza que envolve aquele lugar pode acabar atingindo o coração da menina.

“Eu preciso de alguém que me ajude a lutar e não que tente a todo momento me tirar da linha de frente da batalha.”

Ethel não concorda com essa teoria. É lá que encontra as respostas para as dúvidas que sempre teve. Ela consegue entender o que a dor faz com as pessoas. Pode parecer um pouco mórbido, mas funciona para ela. Faz com que ela se sinta normal. Ali ela não é a garota doente, é apenas mais alguém lutando para viver.

“O mais engraçado de tudo é justamente essa inexatidão da morte, esse presente de grego que ela representa muitas vezes.”

Também é lá que ela conhece amigos como Gertrude, uma velha senhora que já não pode contar com seus rins e passa por hemodiálises constantes. Uma mulher forte que adquiriu muito conhecimento com sua vivência. É a pessoa que mais dá força para Ethel, sua melhor amiga, confidente, que sempre tem a palavra certa para confortá-la.
Nos corredores do hospital ela conhece Vitor, uma rapaz de 19 anos que luta contra uma leucemia. Eles se apaixonam desde o primeiro instante e vivem uma história de amor linda, valida por várias vidas.
Victor é engraçado e divertido. Sua companhia torna os dias de Ethel mais felizes.

“E mais um daqueles sorrisos tentando ligar sul-americanos e africanos iluminou não só seu rosto, mas todo o quarto. E minha alma.”

Fora do hospital, sua grande amiga é Catarina. Elas se conhecem desde a infância e mesmo com altos e baixos, ainda preservam o carinho e amizade.
Juntos os quatro iniciam um projeto para mostrar a todos a importância da vida. Levando ao maior número de pessoas as suas histórias e ressaltando a importância de viver e aproveitar sempre e não apenas ao descobrir que seu tempo está contado.

“A pergunta dela: “Pelo quê estou lutando, afinal?” acabou de ter uma nova resposta: “Já que você está muito provavelmente com os dias contados, ajude alguém a viver”.”

Nessa jornada eles conseguem atingir um grande público, mas os maiores beneficiados sãos eles próprios, que conseguem enxergar o verdadeiro sentido da vida e transformar seus monótonos momentos a espera da morte em dias memoráveis.
Um livro incrível que toca o coração profundamente. Por suas particularidades, acabamos nos sentindo íntimos de Ethel, olhando tudo com seus olhos. Esta experiência nos permite acompanhar o que  sua vida significa. Como ela se sente sufocada. A angústia de não ser uma adolescente normal.

“Somos pequenos detalhes, descartáveis, e o fato de estar aqui, de pé, lutando apesar de tudo, já é um grande motivo para celebrar.”




Uma leitura para refletirmos o quanto de valor realmente damos à nossa vida. Sempre que estamos em momentos de grandes dificuldades tentamos nos lembrar dos bons motivos, de fazer coisas boas para si mesmo e pelos outros. Mas quantas vezes fazemos isso quando está tudo bem?

”A quantidade de horas ou de dias não é o primordial e sim o que fazemos desse tempo, de que forma nos ocupamos dele.”

Ethel soube tirar o melhor da sua existência enquanto desfrutava dela. Mesmo que supostamente sua expectativa de vida fosse curta, ela estava bem. Entender a dor e a morte era uma preparação para algo que poderia acontecer, mas que não estava previsto. Victor tinha seus dias contados, e ao mesmo  tempo que ela lutava para compreender coisas que nunca sentiu, ela o ajudou a viver sua vida ao máximo. Planejou momentos que marcaram sua memória, o enchendo de felicidade. Marcou seu nome no seu coração e nas lembranças dele. Eles se amaram profundamente, como muitos não fazem durante uma longa vida.

“É por essas e outras que sempre defendo a importância de se olhar as coisas de vários ângulos. Mesmo que um não expresse nada, outro pode te surpreender.”

E foi essa a lição que retirei deste livro. Que não devemos esperar nossos dias estarem contados para viver plenamente. Para amar, sorrir, se divertir, realizar os nossos sonhos. Devemos fazer isso enquanto temos saúde e disposição, pois na realidade não sabemos ao certo quanto tempo temos aqui. Nossa vida pode durar dias, ou anos. O que determina a intensidade dos nossos momentos  é a forma como decidimos aproveitá-los e como podemos gravar nossa existência no coração daqueles que nos cercam.
Fãs de “A culpa é das estrelas”, este livro não tem nada a ver com história de John Green, pois na minha opinião é infinitamente melhor, tenho certeza que irão amar. Recomendadíssimo!

“A gente vive desejando o que não pode ter. Acho que apesar de todos os planos que fazemos, todos temos a plena consciência de que nada sairá como planejado. É sempre assim. As coisas simplesmente não acontecem como desejamos.”


 

 “Dizem que o tempo cura as feridas, mas eu não concordo muito com isso. Ele apenas ameniza, ao passo que a cicatriz continua ali, lembrando-nos de tudo.”

“Às vezes percebemos que estamos empenhando esforços em coisas erradas e que não nos acrescentam em nada. Então, é hora de desistir. E isto não é covardia. É perspicácia, para dizer a verdade.”

“A maturidade é conquistada através de experiências, principalmente das mais duras.”

 “Engraçado mesmo é perceber que o que não tem valor para alguns, representa simplesmente tudo para outros.”

“De que forma fazer algo que me faz querer viver pode me machucar, Ethel?”

“É engraçado como o ser humano adora usar exemplo de outros para tentar consertar sua vida miserável.”

“A dor é aquilo que, mesmo temendo a solidão, suplicamos por viver sozinhos. As lágrimas, o desespero, os urros e inconformismos que denotam a fragilidade que nos é inerente. Longe dos olhos alheios, seja para não magoar, incomodar ou mesmo para sentirmo-nos mais fortes, já que as aparências sempre enganam.”



Título: Uma Vida Para Sempre
Autor: Simone Taietti
Editora: Novo Século
Ano: 2014
Páginas: 347

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Meu Erro Predileto


Hora de conhecer um bad boy irresistível. A resenha de hoje é sobre o New Adult  “Meu Erro Predileto” da autora GiselleTavares.

Jullyanna vivia um conto de fadas até que ela descobre que o seu príncipe perdeu o encanto e voltou a ser um sapo, transformando sua vida perfeita em um pesadelo.

Decidida a nunca mais se apaixonar, e certa de que o amor não existe, ela jura a si mesma que manterá distância do sexo masculino.

Tudo está indo perfeitamente bem até que Daniel entra em sua vida. A partir desse momento, ela se vê sem saída e acaba cometendo uma sequência de erros. O que ela não esperava, era que um desses erros, se tornaria o seu erro predileto.


“Quando se comete um erro por amor, não pode ser chamado de erro. O amor nunca será um erro.”


Jullyana encontrou seu primeiro amor nos tempos da escola. Um relacionamento aparentemente perfeito, que completa seis anos.
Pedro mudou muito desde que se conheceram. O nerd tímido se tornou um gato popular. Mesmo com isso e com o desgaste natural da relação, Jully permaneceu ao seu lado. O conto de fadas termina com ele partindo seu coração.

“Sequei as lágrimas e naquele momento jurei a mim mesma que nunca mais choraria por homem nenhum.”

Destruída, Jully luta para esquecer tudo que aconteceu e seguir em frente, mas não é fácil esquecer uma história tão longa. Para completar seu péssimo momento, após expulsar Pedro do apartamento, ela e as amigas não conseguiram arcar com as despesas do lugar e tiveram que encontrar um novo colega de quarto.

“-Isso vai doer!
-Vai doer hoje e por muito tempo.”

Daniel é um bad boy maravilhoso, que foi concebido especialmente para destruir corações.  Ao colocar os olhos nele, Jully já sabia que aquele deus grego representava problemas.

“Não acredito nisso, em uma hora ele era o cara que eu odiava, agora é o cara que está fazendo o gelo do meu coração derreter.”

Com a convivência ela vai descobrindo que Dan é mais que um rostinho (e corpinho) bonito. Fica impossível frear os sentimentos crescentes e apavorantes que ela tem por ele.
Talvez Daniel seja o único capaz de juntar os cacos de seu coração. Porém problemas no paraíso ameaçam destruir o relacionamento dos dois e eles terão que provar que esse amor é forte o suficiente para superar as tempestades que se aproximam.

“(...)Ficar com você, é como tentar colar os pedaços com um martelo.(...) -Um martelo nunca vai colar, ele somente vai destruir mais ainda os pedaços.”


Jullyana é uma menina doce, meiga e leal. Tem uma relação linda com os amigos Thi e Luz e se doa integralmente ao relacionamento com Pedro. Com a decepção que sofreu, ela altera em parte a sua personalidade, passando a ser mais desconfiada. Além de se sentir triste em muitos momentos. A impulsividade e marra também fazem parte do seu jeito, construindo assim uma personagem sensível e divertida.

“(...) – A menina marrenta, doce, a mulher fatal que me conquistou com um sorriso, com um olhar.”


Daniel, meu novo crush literário, é a perfeição em pessoa. Um príncipe lindo e sexy disfarçado de bad boy destinado a tirar o fôlego do público feminino.  Sabe aquela musica “Moreno, alto, bonito e sensual”? Pois então, foi feita especialmente para ele.

“Filho da mãe, ele tinha que dar esse maldito sorriso perfeito e deixar tudo ainda mais difícil e mais constrangedor?”

Somando a todos os atributos físicos, sua personalidade tem um destaque imenso no pacote homem perfeito, ele é fofo, meigo, irônico e um pouco convencido (com razão). Onde encontra um boy desses, please?

 “-Na boa, se você estava tentando me fazer te odiar, já pode parar, porque você já conseguiu.”

Dan se sente atraído por Jully desde o primeiro instante. O que chama a atenção dele no primeiro momento é a aparência física, mas o jeito explosivo dela o intriga e atrai. Ao passar mais tempo com ela a atração vai se transformando em paixão, e é recíproca.

“O teto do meu quarto tinha estrelas que brilhavam no escuro, para toda vez que eu olhasse para cima percebesse que o universo é um mar de oportunidades.”

Tudo anda bem, mas alguns segredos podem atrapalhar o casal e como sempre, tem aqueles personagens irritantes querendo acabar com a felicidade alheia, além das ameaças anônimas que Jully vem sofrendo. Com tantas adversidades, somente um amor verdadeiro poderia sobreviver. Mas será que o deles é forte o bastante?


“(...) Infelizmente sou o resultado de sonhos interrompidos, planos abandonados e um “para sempre” que teve um fim.”


Uma única palavra pode me definir ao terminar de ler este livro: Apaixonada!
Sou fã de new adult e ver uma obra nacional deste gênero e desta qualidade encheu meu coração de alegria.
A primeira vez que vi o livro me apaixonei pela capa. Após folhear a primeira vez vi a playlist e me encantei ainda mais. Dan foi amor à primeira vista e para completar esse ciclo de sentimentos, fiquei maravilhada com a escrita da autora Giselle Tavares.
É uma narrativa atual e gostosa, escrita com todos os elementos necessários para cativar e prender o leitor. Em alguns momentos compartilhamos o sofrimento dos personagens, em outros nos divertimos com as situações, diálogos e personalidades deles. Tudo na medida certa, sem exageros.
Essa dosagem foi fatal pra mim. Devorei o livro em uma noite. Já estava encantada pelo romance, mas foi com o mistério que surgiu ao longo da narrativa que me senti presa a leitura.
Amei tudo, entrou para os meus favoritos e deixo aqui a minha recomendação para todos os que curtem um bad boy. Vocês precisam conhecer o Dan, ele é irresistível! E a história? É tão encantadora que será impossível largar antes do fim.

“Se tiver que escolher entre a verdade e o amor, escolha o amor, pois o amor é a maior verdade que existe.”

Adquira seu exemplar clicando aqui.


Título: Meu Erro Predileto
Autor: Giselle Tavares
Editora: PenDragon
Ano: 2016
Páginas: 210

sábado, 24 de dezembro de 2016

Alma Gêmea

Um dos maiores presentes que recebi neste ano foi conhecer o trabalho da autora Ana Ferrarezzi. A cada nova obra minha admiração por ela aumenta consideravelmente, tornando-se uma das minhas escritoras favoritas. Por este motivo, na véspera do natal, trago a resenha do livro “Alma Gêmea”, um dos meus favoritos, que certamente conquistará o coração de muitos leitores. Feliz Natal!


Lá, no meio da Floresta Amazônica, há uma tribo legendária – A Tribo Curupira. Joaquim acaba se deparando com um membro dessa tribo, em uma de suas expedições. Ele machuca seu pé, acaba sendo acolhido e se depara com o a planta sagrada capaz de transportar algo pelo tempo e espaço. Após muito esforço, convence o pajé a lhe dar uma amostra dessa planta. O pajé o alerta sobre o risco. Joaquim, aceita a responsabilidade. Com o tempo, Joaquim descobre o verdadeiro sentido das palavras desse sábio Pajé. Letícia encontra uma erva com cheiro de canela no seu Consultório de Psicologia. Decide tomá-la. Cai no sono. Então acorda em um corpo diferente em 1906. Ela não sabe como veio parar nesse corpo, nem tampouco entende como veio parar na França, testemunhando o vôo de consagração de Santos Dumont. Mas as circunstâncias a leva até Joaquim; o homem de seus sonhos. É uma bela história sobre o poder do encontro entre duas almas gêmeas, que vivem em épocas diferentes, que rompem a barreira do improvável para perceber que o sentimento que os une jamais pode ser quebrado. Venha explorar os segredos e mistérios do Alma Gêmea.


Leticia é uma psicóloga iniciando sua carreira profissional. Ainda tem poucos pacientes, mas sua profissão e seu consultório não são suas maiores preocupações.
Ainda muito jovem ela se casou com Glauber, um cardiologista promissor. Embora essa união lhe garanta certa estabilidade financeira, também é o foco de toda sua infelicidade. Mesmo casando sem amor, ela jamais imaginaria o inferno que os seus dias se transformariam. Glauber é sempre distante, não faz questão de passar um tempo com ela, preferindo sair do trabalho e se embriagar a voltar para sua esposa.

“Hoje estava tão certa quanto seu conhecimento e experiência permitia, que o amor era um sentimento supervalorizado.”

Já cansada dessa vida, Letícia começa a planejar seu futuro longe do homem que nunca amou. Ela conta com o apoio fervoroso de sua amiga Gisele para abandonar o marido e recomeçar.
Entre uma sessão e outra ela encontra um pacote com uma erva desconhecida com cheiro de canela. Consumindo-a cai em um sono pesado e se transporta para o ano de 1906, na França.
No inicio ela acredita ser um sonho absurdamente realista, mas como sempre volta para o mesmo lugar cada vez que dorme, entende que sua alma está viajando no tempo. Assim ela passa a viver a vida de Clarisse, uma garota em busca de justiça, que esta envolta em um perigoso plano para vingar a morte de seus pais.
Nessa viagem ela conhece Joaquim, um homem lindo, inteligente e espirituoso que concorda em ajudá-la em seus planos.
Nessa trajetória eles encontram diversos perigos em uma estrada de traições e mortes. Mas também encontram algo que não esperavam: o amor.
Diante disso eles terão de romper as barreiras do tempo e derrotar seus inimigos para viver esta linda história de amor.


Estou completamente apaixonada por este livro.
Amo histórias que envolvem viagens no tempo. Narrado em terceira pessoa, este romance traz ate o leitor uma história leve e divertida, recheada de mistérios e perigos. Onde cada passo é incerto e a única certeza é o amor de Joaquim e Letícia. Ainda conta com um embasamento em lendas brasileiras, o que torna a narrativa muito mais especial, resgatando nosso folclore da maneira mais encantadora possível.
Os personagens são cativantes e envolventes. Leticia é uma mulher interessante. Casou sem amor, forçada por uma situação e nunca encontrou um resquício de felicidade ao lado do seu marido. Glauber é um homem frio que não soube valorizar tudo que a esposa fez por ele. Ela é uma mulher inteligente, bonita e está disposta a se libertar dessa união para seguir em frente, talvez encontrar o amor verdadeiro e a tão sonhada felicidade.

“Seu marido era do tipo que dá a impressão de que é um livro aberto quando, na verdade, com o convívio, descobrem-se camadas impermeáveis em sua vida.”

Como todas as viajantes do tempo, ela acaba protagonizando cenas hilárias no passado. O choque entre os costumes é sempre um empecilho para todas as mocinhas que viajam entre as décadas. Ao conhecer Joaquim ela finalmente encontra o amor, ainda que mais de 100 anos estejam entre eles.
Joaquim é um engenheiro que revitaliza casas, como hobbie se dedica à botânica. Lindo, inteligente e espirituoso, sua boa aparência já o colocou em alguns apuros. Como resistir aos seus olhos azuis?

“Ela queria dar uma bofetada no meio daquele sorriso perfeito de Joaquim, até o faria, se aquele patife não vivesse em seus sonhos.”

Leticia não ficou imune a eles, logo se viu apaixonada, mas sabia que estar ao lado de Joaquim seria quase impossível.
Ainda que Joaquim tenha uma vida libertina, ele acredita no amor verdadeiro. Encontrá-lo em Leticia enquanto sua alma habitava o corpo de Françoise não estava em seus planos. Ele se apaixonou pelo seu jeito, por sua personalidade. Quando descobriu que sua amada na verdade vivia no século XXI, ele lutou contra tudo e todos para reencontrá-la, mesmo tendo que enfrentar as barreiras do tempo para estar ao seu lado.
Os personagens secundários também encantam. Depois de Joaquim, meu preferido foi seu primo Fernando, um cafajeste encantador, divertido e irônico, que faz tudo que pode para garantir que Joaquim e Leticia se encontrem novamente, mesmo que isso coloque sua própria vida em perigo. Juntamente com Anabelle, irmã de Françoise, eles participam do plano de vingança contra os assassinos dos pais das jovens e também da missão de Joaquim para encontrar sua amada. Amigos leais que se dedicam integralmente em ajudá-lo.
Gisele é a melhor amiga de Leticia e está sempre por perto. É a maior incentivadora da sua separação e a acompanha até o final da trama.
Em meio a tantas adversidades o amor deles não diminui, muito pelo contrario, cresce mais a cada dia. Leticia sabe que não poderá ser feliz com outro homem, e Joaquim, que sempre quis encontrar o amor, vê em Leticia a única chance de vivê-lo.
Mesmo com todo o romance que envolve a história, existem os perigos. Alguém está em busca da erva e fará de tudo para consegui-la, não importando quantas vidas se percam para alcançar este fim.

“Sei o quão é difícil confrontar seus demônios. Eu sempre os confronto de uma forma ou de outra... No entanto, algo que aprendi na vida é que não dá para evitar esse confronto. Isso porque seus demônios estão aí, na sua frente, a encarando. Não há como os ignorar.”

A narrativa alterna entre os anos de 1906 e 2015, podemos observar o que cada um está vivendo, e também perceber que o passado e o presente são vividos ao mesmo tempo.
O livro é extremamente envolvente. Depois que comecei a leitura, não consegui mais parar. Joaquim e Fernando entraram para a minha listinha de personagens favoritos.
Incluir a lenda da tribo Curupira na história foi um grande diferencial. Lemos tanta coisas sobre a cultura estrangeira, que às vezes nosso próprio folclore fica esquecido e é de suma importância que ele seja relembrado. Nada melhor para isso que incluí-lo em um romance tão arrebatador.
Sou uma admiradora fervorosa do trabalho da autora e este livro virou o meu favorito. Amo este tema. Já havia me encantado com a série Perdida, da autora Carina Rissi, e Outlander, de Diana Gabaldon. Alma gêmea conseguiu me conquistar da mesma maneira, superando todas as minhas expectativas.  A escrita é leve e descontraída, marca registrada da autora, isso envolve o leitor de tal forma, que o tempo voa enquanto lemos. Fiquei encantada e apaixonada, torcendo sempre pelos personagens.
Simplesmente sensacional. Recomendo a todos que gostam de livros neste formato. Deem uma chance a Joaquim e aproveitem a viagem.

 “Meu pai sempre diz que um louco é, na verdade, uma pessoa normal que fala uma verdade na qual os outros não estão preparados para ouvir.”

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Título: Alma Gêmea
Autor: Ana Ferrarezzi
Editora: Autografia
Ano: 2016
Páginas: 295

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O inverno que não acabou e outros contos

A beleza e obscuridade do cotidiano são descritos nos contos deste livro. A resenha de hoje é sobre o livro “O inverno que não acabou e outros contos” do autor Adriano de Andrade.

Um homem lutando contra as suas – amargas – lembranças; um psicopata oculto perturbando sua vítima em um cenário obscuro; dois mundos distintos que seguem caminhos paralelos e quase se cruzam; um erotismo imaginário preenchido com sofrimento alheio; o sonho perdido de uma criança e o vício na vida de um gênio. Elementos que compõem as narrativas curtas deste livro; uma seleção de contos para colocar suas sensações à flor da pele. Em um universo que percorre diferentes cenários relacionados às aflições que cercam o indivíduo, O inverno que não acabou e outros contos revela a eterna alternância dos sentimentos que resumem a esperança e a descrença na atitude humana.



Esta obra é a tradução da vida humana, dos sentimentos que acompanham nossos dias, fatos que nos deparamos. Nela é possível observar a dinâmica dos relacionamentos amorosos e familiares, o desespero, a ganância e muitos outros.

“Coincidência ou não, era exatamente disso que eu precisava. Ser redescoberto. Ou me redescobrir. Tanto faz.”

Escrito de forma clara e agradável as situações mais comuns são retratadas, escavando as emoções humanas e expondo a forma como elas afetam as pessoas. O livro não é focado em polemizar, embora alguns assuntos tratados possam ser considerados polêmicos, mas sim nos momentos mais corriqueiros, tanto bons, como ruins.

“O que eu realmente queria era deixar meu passado em algum lugar, distante e guardado, para que ninguém mexesse nele, como se isso fosse possível.”

Violência doméstica, ciúmes, decepções, escuridão, pobreza, vícios, loucura, sedução, abandono, nostalgia, reencontros são alguns assuntos tratados nestas páginas.

“(...)As coisas são cíclicas, precisam sempre de renovação.”

A linguagem leve possibilita uma leitura diferente. Posso afirmar que de todos os livros de contos que já li este foi o que mais me cativou.
Atribuo isso ao equilíbrio entre humor e descontração para tratar de assuntos sérios, e mesmo nos contos mais sombrios, a linguagem ainda se sobressai, engrandecendo a experiência do leitor.
O autor soube mostrar todas as belezas do dia-a-dia que acabam se perdendo na correria diária. E também o quanto a mente humana pode ser sombria e assustadora em determinados momentos.

“Estranho como as coisas mudam de repente. Mas não dá mudar assim tão rápido.”

A vida corrida, quase sempre na busca pela materialidade, nos atinge com uma cegueira temporária seletiva. Enxergamos o que fazemos e vivemos, mas não o que tudo isso significa.

“Encontrou no mar um confidente de paciência inesgotável.”

Perdemos o tato de apreciar a obra de arte que é a nossa jornada na terra. Não deixamos tempo para observar a verdadeira beleza ao redor.

“A vida começa de forma mágica.”

E é isso que Adriano nos traz: que podemos tirar algo interessante desses momentos que passam despercebidos.

“Nenhum pesadelo é tão ruim que os olhos não o façam piorar.”

Os meus contos favoritos foram: Conversa de asfalto, que usa seres inanimados para ilustrar os ciclos da vida, e Roda de amigos, que fala sobre reencontros e aceitação. Sobre a importância de respeitar os semelhantes.

“As marcas que você carrega revelam o quanto você foi útil na vida de muita gente.”

A capa dá uma ideia de um livro sombrio, e embora alguns contos possam ser considerados perturbadores, não há apenas este formato, logo irá agradar um público mais vasto.

“As janelas batiam por conta de um vento inquieto e raivoso, disposto a varrer minhas memórias daquele lugar.”

Recomendo a leitura. Aproveitem a leveza e beleza dessa obra e reflitam sobre aquelas pequenas coisas que nos esquecemos de pensar no dia-a-dia, mas são extremamente importantes.

“Quer sentir felicidade amanhã, é só imaginar o que tá acontecendo hoje.”

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Título: O inverno que não acabou e outros contos
Autor: Adriano de Andrade
Editora: Novo Século
Ano: 2015
Páginas: 144

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Campeões de Gaia

Uma fantasia capaz de fazer uma fã de romances, como eu, se render e viciar na história. Merece uma salva de palmas e muitos novos leitores. A resenha de hoje é sobre o primeiro livro da Trilogia dos Três Domínios,  “Campeões de Gaia”, do autor L.L. Stockler.


 “Que as estrelas iluminem o caminho.”

Há cerca de quatrocentos anos, Celo, deus-pai e senhor dos céus, teria designado uma família para governar toda Gaia e instaurar sua ordem divina. Sobre as cinzas de seus inimigos, os Draconem então construíram o maior e mais vasto império já visto, dominando a tudo e a todos, como lhes era de direito.
Quando seu pai morre trinta e cinco anos após a Rebelião de Krallik, Kayla percebe que não havia mais nada que a prendesse à pacata fazenda onde crescera no interior de Jardinsul. Ela estava livre para explorar o mundo, que até então conhecia apenas pelas páginas de livros, e gravar seu nome na História. Determinada sua partida, Trevor, seu leal amigo, não vê escolha se não segui-la e descobrir, junto dela, o seu próprio destino.
Entretanto, a dupla logo aprenderá que a realidade pode ser mais dura do que contavam as histórias, que sequelas de séculos de disputas podem ser fortes o bastante para pôr em xeque a paz imperial, e consigo a vida de todos os habitantes de Gaia.



Com a morte de seu pai, Kayla não vê sentido em continuar na pequena vila sem nome do interior da província de Jandirsul. Ela não tem mais família, nada a prende naquele lugar, a não ser seu melhor amigo, Trevor. Kayla tem uma sede impressionante de explorar o mundo, conhecer tudo aquilo que só viu nos livros, desvendar o oculto e marcar seu nome na história.
Trevor é feliz onde vive, com sua vidinha pacata e sua bela família. Ele poderia terminar seus dias ali, mesmo que não tenha sido esse o destino traçado para ele. Mas como pode ver Kayla partir? Como continuar em paz deixando sua melhor amiga se afastar, talvez para nunca mais voltar? Como aceitar que a deixou desbravar o mundo sem sua proteção?
Embora ali fosse um lugar feliz, Trevor sabia que teria que partir. Entrar nessa aventura com Kayla, enfrentar os perigos do mundo, e neste processo, descobrir quem ele realmente é.
Partindo, os dois amigos encontram muitas aventuras, tornam-se mercenários, enfrentam bandidos, duelam. Eles estão tendo a vida que sonharam, destemidos e corajosos, enfrentando todos os perigos para, um dia, serem lembrados.

“A vida não são flores, menina.”

Porém a vida no poderoso Império Draconem pode ser muito mais perigosa do que eles pensavam. E subitamente os jovens se veem envoltos em uma disputa de poder regada a sangue, violência e vingança. Esta é a grande chance dos dois escreverem seu nome na história de Gaia, mas antes disso, eles terão de lutar para permanecerem vivos.

“O mundo se estende diante de vocês, basta esticar a mão e pegá-lo.”


Uma aventura fantástica recheada de ação, perigos e traições. Campeões de Gaia é aquele livro que te prende e te leva para dentro da história, que te permite viver junto com Kayla e Trevor todas aquelas aventuras eletrizantes.
Ambientado no Império Draconem, podemos acompanhar como era a vida neste tempo fictício. Os valores da população, a rotina dos mercenários e aventureiros, as disputas por poder, o descontentamento do povo, as rebeliões e injustiças.
Kayla e Trevor viviam tranquilamente em uma pequena província e tinham a garantia de segurança naquele pequeno povoado. Trevor poderia passar anos assim, cuidando de suas terras, perto da sua família. Porém Kayla não pensava da mesma maneira. Sua família já havia partido e nada a segurava ali.
Ela queria conquistar o mundo, marcar seu nome na história, viver todas as aventuras que ela só tinha presenciado nos livros. Uma menina de personalidade forte. Muitas vezes suas escolhas e atitudes podem chocar o leitor. Ela é extremamente fria e calculista, faz aquilo que tem que fazer, seja partir da sua cidade natal ou tirar a vida de alguém. Ela não tem reflexões sentimentalistas, simplesmente faz o que acha que é correto. Esse jeito polêmico pode dividir opiniões, alguns leitores podem achá-la inconsequente, eu a achei genial. Amei a personagem, sua coragem e ironia, fazendo tudo conforme sua cabeça manda. Encarando os perigos sem medo, convicta de que tem força suficiente para vencê-los.

“Para ela, a morte era tão necessária à vida assim como a noite era ao dia. A morte é o destino dos vivos e ponto final.”

Trevor é o oposto de Kayla. Ele é aquele bom moço, responsável. Mesmo sendo feliz na sua terra, não aguenta ver Kayla partir sozinha e embarca nessa viagem com o intuito de protegê-la, somente isso já diz muito sobre seu caráter.
Um garoto bonzinho que vive diante da moral e dos bons princípios, comprometido com sua honra, fazendo sempre o que é certo. Não consegue realizar algo sem pensar em como isso afetaria aos que estão ao seu redor.
A amizade entre os dois é linda e verdadeira. Um está preparado para dar a vida pelo outro. As personalidades extremamente diferentes se completam e os tornam inseparáveis. Mesmo enfrentando grandes perigos, juntos eles têm força para sobreviver.

A jornada desses dois amigos é intensa. A cada dia eles encontram dificuldades maiores, aventuras mais perigosas. Tornam-se mercenários e aceitam trabalhos que a maioria rejeitaria, lutam contra bandidos, rebeldes, seres místicos. Além de toda a ganancia por poder que eles presenciam. O que as pessoas fazem nessa busca cega por domínio e riqueza no livro é tão cruel. O povo sofre tanto e o mais triste de tudo isso é ver que a nossa realidade é semelhante: repleta de governantes corruptos buscando uma melhor qualidade de vida e massacrando a população para alcançar este fim.

“Eles mentem para si próprios. Negam a realidade que se estende à sua frente. Negam a revolta que queima ao seu redor. Negam a desigualdade fomentada ao seu lado! Negam que são os verdadeiros causadores deste estigma que tanto envenena e destrói a sociedade! Preferem apontar o dedo e jogar a culpa para o primeiro coitado que encontrarem do que encarar os fatos.”

Uma leitura sensacional. Não sou a maior fã de fantasia, mas este livro conquistou meu coração, entrou para os meus favoritos e me fez ver com outros olhos este gênero.
Tenho certeza que L.L. Stockler andou tomando chá das cinco com George R. R. Martin, porque aprendeu direitinho com ele a melhor forma de conquistar, destruir e reconquistar o coração do leitor.
Recomendo a leitura aos fãs de fantasia e também aos iniciantes nestes universos fantásticos. Certamente as aventuras de Kayla e Trevor serão uma iniciação perfeita para vocês, arrebatando corações e adquirindo novos fãs. Ansiosíssima pelo próximo volume da trilogia! *-*

“Serão o suficiente quando puderem derrotar cem inimigos sem derramar uma gota de suor, quando moverem montanhas com as mãos e se tornarem verdadeiros campeões de Gaia. Só então serão o suficiente para todos os perigos que a vida é capaz de lhes impor.”

Adquira seu exemplar clicando aqui.



“Mais vale uma vida curta e boa do que uma longa e entediante.”

“Sorte é para os fracos.”

 “Acho que você tem o direito de se portar como um babaca quando se é um príncipe.”

“-A corrupção está longe de ser uma questão de tempo (...). Apenas diz respeito ao preço, basta pagar-lhes a moeda certa.”

“O direito é uma ficção criada pelos governantes para justificar o próprio governo.”



Título: Campeões de Gaia
Autor: L.L. Stockler
Editora: Novo Século
Ano: 2016
Páginas: 318

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O Que Aprendi Com O Amor

Na resenha de hoje vamos falar sobre o amor. Esse sentimento que nos acompanha todos os dias e foi reproduzido lindamente em verso e prosa pela autora Francélia Pereira. O livro “O que aprendi com o amor” retrata as várias faces e a forma como o amor nos atinge.


O amor sempre foi um sentimento inspirador, um sentimento que nos faz sorrir de pura felicidade, quando correspondido; e que nos joga na mais profunda tristeza, quando desprezado.

Nesse pequeno livro, que mistura verso e prosa, Francélia Pereira tenta registrar um pouco de tudo que aprendeu na companhia desse sentimento tão incompreendido por nós, o Amor!




O amor é o primeiro sentimento da nossa vida. Amamos nossa família, nossas descobertas, nossos bons momentos. Ele permanecerá conosco até o final e se manifestará de diversas formas.
Neste livro a autora representa parte daquilo que ela aprendeu com este sentimento, os erros e acertos; as partes boas e ruins. Como tudo na vida, o amor também é instável e nem sempre acaba como gostaríamos. São essas experiências que nos permitem conhecê-lo a fundo e, assim, transformá-lo em uma parte feliz do nosso dia-a-dia.

“Quem disse que os sentimentos foram feitos para serem correspondidos...”

Um livro lindo que além do seu conteúdo encantador, também conta com uma capa convidativa, diagramação maravilhosa e ilustrações fofíssimas, feitas por Tiago Calado.



A poesia foi o meu primeiro contato com a literatura. Ainda na escola, comecei lendo todas as obras disponíveis de Vinicius de Moraes. Cada nova estrofe me conquistava mais que a anterior. Depois disso conheci diversos outros poetas: Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Mário Quintana, Cecília Meirelles, Cora Coralina, Paulo Leminski e Luís de Camões.
Após esse período, comecei a ler romances e a poesia ficou em segundo plano. A leitura desta obra me trouxe as boas lembranças daqueles tempos e de todas as lindas linhas que apreciei.
A escrita de Francélia é encantadora, muito atual e fácil de compreender. Ela consegue colocar os sentimentos no papel com uma facilidade incrível. Nas palavras redigidas, conseguimos comparar nossas próprias experiências, além de compreender a mensagem e assimilar os bons conselhos para a vida.

“Impomos ao amor provas difíceis demais, cobramos dele tudo aquilo que não somos capazes de fazer; então cansado, humilhado e desprezado o amor desiste de nós.”

O amor é um sentimento lindo e que, de alguma forma, sempre está em nossos corações. Porém é no campo amoroso que muitas vezes não sabemos lidar com ele.

“Viver sem sentimentos
É existir, e de um jeito
Muito chato”

É algo tão inconstante e incerto. E ainda não depende apenas de nós. Muitas vezes esperamos um desfecho, mas não somos correspondidos.

“Vive-se saudade
De algo que nunca foi
E nunca será...”

A reciprocidade é uma alegria. A rejeição é um mar de tristeza. Apenas as experiências nos ajudam a fazer dele um aliado e não um inimigo.
Tudo que é extremo nos faz mal. A dependência do amor é um câncer em nossa alma, faz com que nossas opiniões fiquem distorcidas, provoca ações que não faríamos em outro contexto, incita pensamentos destrutivos que jamais deveriam nos assombrar.

“Não se iluda
Não confunda lembranças com esperança”

Bom mesmo é amar na medida certa, com calma e serenidade. Se for correspondido, ótimo! Mas e se não for? Que bom, também! Porque não se ama sozinho. E se este é o seu caso, sorte sua não perder tempo com algo sem futuro. Logo você encontrará a pessoa certa que fará seu coração disparar e seus dias se tornarem mais felizes. Assim como os dias dela serão muito mais coloridos com a sua presença.

“Sem desejo ou apego, o Amor cura, liberta... Torna-se pura Inspiração!”

Quando o verdadeiro amor é encontrado, aprendemos a conviver com defeitos e qualidades. Aprendemos que as dificuldades são mais fáceis quando são vencidas em equipe e que o gosto dos dias superados juntos é infinitamente melhor que uma vitória individual.
Vai ter lágrimas, vai ter risos; vai ter brigas e reconciliações; vai ter tristeza, mas terá alguém para segurar sua mão e afirmar que tudo vai ficar bem. E, principalmente, haverá o entendimento que o amor não é uma propriedade, não é uma imposição, nem uma necessidade. É um presente de Deus que garante que nosso coração continue sempre aquecido e habitado pelas pessoas amadas.

“Hoje sei que “morrer no outro” é trair a própria existência, é negar a si mesmo a capacidade de Ser.”

A leitura do livro me ensinou muitas coisas e me fez pensar em muitas que já tinha aprendido ao longo dos anos. A autora está de parabéns por esta obra incrível que me tocou profundamente e certamente terá o mesmo efeito em todos os leitores.
Ao final, pense naquilo que você aprendeu com o amor e use isso ao seu favor, sempre para alcançar dias mais felizes.

“O amor merece ser louvado e exaltado em todos os tempos.”





Título: O que aprendi com o amor
Autor: Francélia Pereira
Editora: Indie
Ano: 2016
Páginas: 70