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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O inverno que não acabou e outros contos

A beleza e obscuridade do cotidiano são descritos nos contos deste livro. A resenha de hoje é sobre o livro “O inverno que não acabou e outros contos” do autor Adriano de Andrade.

Um homem lutando contra as suas – amargas – lembranças; um psicopata oculto perturbando sua vítima em um cenário obscuro; dois mundos distintos que seguem caminhos paralelos e quase se cruzam; um erotismo imaginário preenchido com sofrimento alheio; o sonho perdido de uma criança e o vício na vida de um gênio. Elementos que compõem as narrativas curtas deste livro; uma seleção de contos para colocar suas sensações à flor da pele. Em um universo que percorre diferentes cenários relacionados às aflições que cercam o indivíduo, O inverno que não acabou e outros contos revela a eterna alternância dos sentimentos que resumem a esperança e a descrença na atitude humana.



Esta obra é a tradução da vida humana, dos sentimentos que acompanham nossos dias, fatos que nos deparamos. Nela é possível observar a dinâmica dos relacionamentos amorosos e familiares, o desespero, a ganância e muitos outros.

“Coincidência ou não, era exatamente disso que eu precisava. Ser redescoberto. Ou me redescobrir. Tanto faz.”

Escrito de forma clara e agradável as situações mais comuns são retratadas, escavando as emoções humanas e expondo a forma como elas afetam as pessoas. O livro não é focado em polemizar, embora alguns assuntos tratados possam ser considerados polêmicos, mas sim nos momentos mais corriqueiros, tanto bons, como ruins.

“O que eu realmente queria era deixar meu passado em algum lugar, distante e guardado, para que ninguém mexesse nele, como se isso fosse possível.”

Violência doméstica, ciúmes, decepções, escuridão, pobreza, vícios, loucura, sedução, abandono, nostalgia, reencontros são alguns assuntos tratados nestas páginas.

“(...)As coisas são cíclicas, precisam sempre de renovação.”

A linguagem leve possibilita uma leitura diferente. Posso afirmar que de todos os livros de contos que já li este foi o que mais me cativou.
Atribuo isso ao equilíbrio entre humor e descontração para tratar de assuntos sérios, e mesmo nos contos mais sombrios, a linguagem ainda se sobressai, engrandecendo a experiência do leitor.
O autor soube mostrar todas as belezas do dia-a-dia que acabam se perdendo na correria diária. E também o quanto a mente humana pode ser sombria e assustadora em determinados momentos.

“Estranho como as coisas mudam de repente. Mas não dá mudar assim tão rápido.”

A vida corrida, quase sempre na busca pela materialidade, nos atinge com uma cegueira temporária seletiva. Enxergamos o que fazemos e vivemos, mas não o que tudo isso significa.

“Encontrou no mar um confidente de paciência inesgotável.”

Perdemos o tato de apreciar a obra de arte que é a nossa jornada na terra. Não deixamos tempo para observar a verdadeira beleza ao redor.

“A vida começa de forma mágica.”

E é isso que Adriano nos traz: que podemos tirar algo interessante desses momentos que passam despercebidos.

“Nenhum pesadelo é tão ruim que os olhos não o façam piorar.”

Os meus contos favoritos foram: Conversa de asfalto, que usa seres inanimados para ilustrar os ciclos da vida, e Roda de amigos, que fala sobre reencontros e aceitação. Sobre a importância de respeitar os semelhantes.

“As marcas que você carrega revelam o quanto você foi útil na vida de muita gente.”

A capa dá uma ideia de um livro sombrio, e embora alguns contos possam ser considerados perturbadores, não há apenas este formato, logo irá agradar um público mais vasto.

“As janelas batiam por conta de um vento inquieto e raivoso, disposto a varrer minhas memórias daquele lugar.”

Recomendo a leitura. Aproveitem a leveza e beleza dessa obra e reflitam sobre aquelas pequenas coisas que nos esquecemos de pensar no dia-a-dia, mas são extremamente importantes.

“Quer sentir felicidade amanhã, é só imaginar o que tá acontecendo hoje.”

Adquira seu exemplar clicando aqui.



Título: O inverno que não acabou e outros contos
Autor: Adriano de Andrade
Editora: Novo Século
Ano: 2015
Páginas: 144

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O Que Aprendi Com O Amor

Na resenha de hoje vamos falar sobre o amor. Esse sentimento que nos acompanha todos os dias e foi reproduzido lindamente em verso e prosa pela autora Francélia Pereira. O livro “O que aprendi com o amor” retrata as várias faces e a forma como o amor nos atinge.


O amor sempre foi um sentimento inspirador, um sentimento que nos faz sorrir de pura felicidade, quando correspondido; e que nos joga na mais profunda tristeza, quando desprezado.

Nesse pequeno livro, que mistura verso e prosa, Francélia Pereira tenta registrar um pouco de tudo que aprendeu na companhia desse sentimento tão incompreendido por nós, o Amor!




O amor é o primeiro sentimento da nossa vida. Amamos nossa família, nossas descobertas, nossos bons momentos. Ele permanecerá conosco até o final e se manifestará de diversas formas.
Neste livro a autora representa parte daquilo que ela aprendeu com este sentimento, os erros e acertos; as partes boas e ruins. Como tudo na vida, o amor também é instável e nem sempre acaba como gostaríamos. São essas experiências que nos permitem conhecê-lo a fundo e, assim, transformá-lo em uma parte feliz do nosso dia-a-dia.

“Quem disse que os sentimentos foram feitos para serem correspondidos...”

Um livro lindo que além do seu conteúdo encantador, também conta com uma capa convidativa, diagramação maravilhosa e ilustrações fofíssimas, feitas por Tiago Calado.



A poesia foi o meu primeiro contato com a literatura. Ainda na escola, comecei lendo todas as obras disponíveis de Vinicius de Moraes. Cada nova estrofe me conquistava mais que a anterior. Depois disso conheci diversos outros poetas: Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Mário Quintana, Cecília Meirelles, Cora Coralina, Paulo Leminski e Luís de Camões.
Após esse período, comecei a ler romances e a poesia ficou em segundo plano. A leitura desta obra me trouxe as boas lembranças daqueles tempos e de todas as lindas linhas que apreciei.
A escrita de Francélia é encantadora, muito atual e fácil de compreender. Ela consegue colocar os sentimentos no papel com uma facilidade incrível. Nas palavras redigidas, conseguimos comparar nossas próprias experiências, além de compreender a mensagem e assimilar os bons conselhos para a vida.

“Impomos ao amor provas difíceis demais, cobramos dele tudo aquilo que não somos capazes de fazer; então cansado, humilhado e desprezado o amor desiste de nós.”

O amor é um sentimento lindo e que, de alguma forma, sempre está em nossos corações. Porém é no campo amoroso que muitas vezes não sabemos lidar com ele.

“Viver sem sentimentos
É existir, e de um jeito
Muito chato”

É algo tão inconstante e incerto. E ainda não depende apenas de nós. Muitas vezes esperamos um desfecho, mas não somos correspondidos.

“Vive-se saudade
De algo que nunca foi
E nunca será...”

A reciprocidade é uma alegria. A rejeição é um mar de tristeza. Apenas as experiências nos ajudam a fazer dele um aliado e não um inimigo.
Tudo que é extremo nos faz mal. A dependência do amor é um câncer em nossa alma, faz com que nossas opiniões fiquem distorcidas, provoca ações que não faríamos em outro contexto, incita pensamentos destrutivos que jamais deveriam nos assombrar.

“Não se iluda
Não confunda lembranças com esperança”

Bom mesmo é amar na medida certa, com calma e serenidade. Se for correspondido, ótimo! Mas e se não for? Que bom, também! Porque não se ama sozinho. E se este é o seu caso, sorte sua não perder tempo com algo sem futuro. Logo você encontrará a pessoa certa que fará seu coração disparar e seus dias se tornarem mais felizes. Assim como os dias dela serão muito mais coloridos com a sua presença.

“Sem desejo ou apego, o Amor cura, liberta... Torna-se pura Inspiração!”

Quando o verdadeiro amor é encontrado, aprendemos a conviver com defeitos e qualidades. Aprendemos que as dificuldades são mais fáceis quando são vencidas em equipe e que o gosto dos dias superados juntos é infinitamente melhor que uma vitória individual.
Vai ter lágrimas, vai ter risos; vai ter brigas e reconciliações; vai ter tristeza, mas terá alguém para segurar sua mão e afirmar que tudo vai ficar bem. E, principalmente, haverá o entendimento que o amor não é uma propriedade, não é uma imposição, nem uma necessidade. É um presente de Deus que garante que nosso coração continue sempre aquecido e habitado pelas pessoas amadas.

“Hoje sei que “morrer no outro” é trair a própria existência, é negar a si mesmo a capacidade de Ser.”

A leitura do livro me ensinou muitas coisas e me fez pensar em muitas que já tinha aprendido ao longo dos anos. A autora está de parabéns por esta obra incrível que me tocou profundamente e certamente terá o mesmo efeito em todos os leitores.
Ao final, pense naquilo que você aprendeu com o amor e use isso ao seu favor, sempre para alcançar dias mais felizes.

“O amor merece ser louvado e exaltado em todos os tempos.”





Título: O que aprendi com o amor
Autor: Francélia Pereira
Editora: Indie
Ano: 2016
Páginas: 70

sábado, 3 de setembro de 2016

Imprevisibilidade



A resenha de hoje é sobre o livro Imprevisibilidade, que mostrará uma nova face do trabalho da autora Ana Ferrarezzi, nossa parceira. A autora já havia me conquistado com seu romance “O Velho Vestido de Noiva” e vem surpreendendo mais a cada dia.



Aquele inesperado desvio em nosso caminho, ou aquela curva tão aguda que nos dá a impressão de que estamos retornando ao ponto de partida do qual havíamos acabado de sair.


Até que nos encontramos em um outro lugar completamente novo. 

Cada conto reflete um enredo singular, proporcionando uma diversidade inexata de temas e narrativas. Com histórias completamente novas, o livro Imprevisibilidade, é uma leitura indispensável para aquele que busca, na leitura, momentos de prazer.




Imprevisibilidade é o livro de contos e minicontos da autora Ana Ferrarezzi,
Retrata diferentes pontos de vista sobre as mais diversas situações. Nele encontramos amor, ódio, medo, ironia, traição, etc.

“Todos pareciam aguardar uma espécie de entretenimento, inebriados pelas delícias do início de uma grande peça teatral.”

A escrita é gostosa e descontraída, marca registrada da autora. Torna a leitura gostosa e muito cativante. Após começar é impossível parar antes do final.
Li em apenas um dia e adorei.  Diverti-me bastante e também refleti sobre fatos que passam despercebidos no dia-a-dia, mas que os contos sempre nos fazem repensar.

“O amor realmente machuca. Melhor ficar longe, mesmo.”

Foi muito interessante conhecer os minicontos. Nunca tive contato com esse tipo de literatura e fiquei impressionada com o quanto pode ser dito, quanto significado poucas palavras podem expressar.

“Não se pode optar, assim como se faz com um recheio de bolo, qual morte lhe agradará.”

Como fã da autora, gostei de conhecer este novo lado do seu trabalho, tão expressivo quanto os romances. Acompanhem os lançamentos, e para quem ainda não viu, clique aqui para ler a resenha de O Velho Vestido de Noiva.

“Sempre cumprimos ordens. Isto é uma ordem!”



Título: Imprevisibilidade
Autor: Ana Ferrarezzi
Editora: Autografia
Ano: 2015
Páginas: 122

Minicontos Coloridos

“Todo sonho tem um preço.”


Em tempos de livros de pintar, Minicontos Coloridos traz uma provocação diferente: autores de diversas partes do Brasil criaram contos inspirados em cores, cores que originalmente davam título aos contos. Nesta edição, porém, as cores foram suprimidas e você pode pintar os espaços acima do texto de acordo com sua percepção.


Para começar, o que é um miniconto?
“Miniconto é um tipo de conto muito pequeno, digamos que com no máximo uma página, ou um parágrafo. Alguns dizem que ele é o primo mais novo do poema em prosa, outros apontam as fábulas chinesas como origem, de certo é que desde meados do século XX o conto tem experimentado – com sucesso – formas extremamente breves a partir de textos de gente como Cortázar, Borges, Kafka, Arreola, Monterroso e Trevisan.” 



Recebido da nossa parceira, a autora Ana Ferrarezzi, que participou deste projeto, Minicontos Coloridos é uma proposta diferente para a febre dos livros de colorir.
Embora pequenos, os contos são muito bem estruturados e conseguem passar a mensagem que propõe.
Quantas palavras são necessárias para passar um sentimento aos leitores? Certamente não muitas. A maneira de escrever é o que faz a diferença.
Todos os autores participantes conseguiram, de forma estupenda, falar sobre os mais diversos temas. Sobre a vida, o medo, as relações humanas.
Ana, com dois minicontos, falou sobre arte e as inseguranças do amor. Mantendo seu estilo leve e fluido.
A proposta do livro é que o leitor sinta as palavras e atribua uma cor a cada miniconto, de acordo com o que sentiu na leitura.
Achei mais divertido que outros livros de colorir, porque nesse podemos atribuir as cores aos sentimentos. Mais dinâmico e misturando leitura com diversão. Aprovadíssimo!


Título: Minicontos Coloridos
Autor: Ana Ferrarezzi. et al.
Editora: Editora Metamorfose
Ano: 2015
Páginas: 96