sábado, 2 de abril de 2016

Li num livro

Eu li num livro
Estava escrito nas entrelinhas
Que um erro pode ser consertado
E que uma pessoa não deve ser julgada apenas pelo seu passado
Eu li num livro
Que a esperança é a ultima que morre
Que o covarde é o primeiro que corre
E que um sonho as vezes é só um sonho
Estava escrito em cada linha
Que as vezes a culpa não é sua nem minha
Que uma pessoa pode até viver sozinha
Mas sempre vai precisar de alguém em seu coração
Eu li num livro
As palavras que eu gostaria de ter escrito
Porque o que é belo nem sempre é bonito
E um sussurro dito aos ouvidos
poderá soar como um grito"
(André Luis Aquino)

Por ;Cássia Pires

quinta-feira, 24 de março de 2016

O Menino do Pijama Listrado


A resenha dessa semana é esse livro maravilhoso que retrata com um quê de inocência os horrores da Guerra. Adaptado para o cinema em 2008, é uma ótima opção para quem, apesar de toda a tristeza que a história traz, aprecia lições de amizade onde a barreira das diferenças sociais e humanas não tem limite algum.
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Lucas vive sua infância como qualquer garoto comum, vai à escola, brinca com os garotos da rua, seus três melhores amigos e não entende nada do que se passa no mundo dos adultos. Situação muito bem vinda quando se vive em meio a Segunda Guerra Mundial.


O Menino do Pijama Listrado vem com uma visão totalmente infantil, em nenhum momento é tocado no assunto Guerra, nem nazismo, nem Hitler nem nada, só o que sabemos ao ler é o que acontece pelos olhos de Lucas.
É seguindo essa visão que vemos Lucas deixar para trás seus amigos e sua casa para ir morar em um casarão que fica junto ao novo emprego de seu pai, e que, aliás, é um péssimo lugar para crianças, sozinho em uma mansão feia e velha, e principalmente, sem outras crianças para brincar, a não ser sua irmã Gretel, que em seu ponto de vista, é um caso perdido.
Lucas sabe que seu pai, sempre dentro de um uniforme lindo e bem passado, trabalha para o Fúria, ele não sabe bem o que o pai faz, mas julga ser algo importante e tem orgulho disso. Enquanto espera que o tempo necessário passe nessa casa longe de tudo e de todos, sempre com esperança de voltar para sua verdadeira casa, ele começa a fazer algo para se entreter, é aí que começa a desvendar o novo lugar onde vive.
A primeira coisa que teve vontade ver mais de perto era a cerca grande e alta que ficava a alguns metros da casa e que sempre observava da janela de seu quarto; as pessoas lá pareciam sempre estar de pijama, assim como as pessoas que cuidavam dos afazeres de sua casa, assim como o cortador de batatas que um dia o ajudou quando caiu de um balanço e se feriu, ele dissera que era médico em algum outro lugar, e Lucas não entendeu porque agora descascava legumes.
Sem consultar ninguém, Lucas vai até a cerca e acompanha sua extensão até o ponto em que encontra um menino sentado próximo a ela, porém, ele estava do outro lado, e Lucas ficou muito triste, pois se estivesse do mesmo lado, poderiam brincar. Era o primeiro menino que encontrava, e, no entanto, estava do outro lado da cerca.
O menino se chamava Shmuel, e incrivelmente havia nascido no mesmo dia que ele; tinham a mesma idade, nove anos, e por isso Lucas achava que eram quase gêmeos. Mal sabiam eles que havia muito mais do que apenas uma cerca que os separava, mas universo infantil que John Boyne criou, essa barreira é algo sem a mínima importância.
Lucas começou a ir até a cerca com frequência e sempre encontrava Shmuel sentado lá, conversavam e comiam lanches que o outro menino aceitava com muita alegria, pois parecia sempre estar com fome.

O Menino do Pijama Listrado conta uma história de amizade num tempo difícil, onde apenas os inocentes podiam viver e criar laços sem entender a época pela qual estavam passando. Fiquei impressionada quando descobri que o autor escreveu o livro em dois dias e meio. Dois dias e meio, imaginem! É um romance simples e ao mesmo tempo profundo, retrata a inocência onde só a horror, e mostra como pode ser fantástico o mundo que as crianças criam sem saber da realidade na qual vivem.

Título: O Menino do Pijama Listrado
Autor: John Boyne
Editora: Seguinte (Companhia das Letras)
Páginas: 186
Ano: 2007

domingo, 20 de março de 2016

O Velho Vestido de Noiva

Olá, leitores!

A resenha da semana é do livro “O Velho Vestido de Noiva” da nossa autora parceira Ana Ferrarezzi.


"Amélia se depara com uma devastadora notícia. Seu marido, o homem a quem se dedicou inteiramente durante trinta anos, pediu divórcio. Sem saber como prosseguir com sua vida, e aguardando que um milagre venha lhe dar uma direção, ela leva o seu vestido de noiva para uma reforma. Então, no meio do caminho, depara-se com um desdobramento inesperado.Fábio é dono de um bistrô famoso no Recreio, Rio de Janeiro. Desde seu traumático divórcio, abraçou uma vida solitária. Até se deparar com Amélia no ateliê de sua irmã, Letícia. Apesar de intrigado com a tristeza exposta nos olhos da bela mulher, manteve sua rotina. Então, ao caminhar pela rua, esbarra em seu desdobramento inesperado. Um livro intrigante, criativo, que acompanha com sensibilidade a transformação na vida desses dois personagens."

Ana nasceu recentemente, no Rio de Janeiro, aos 40 anos. Ela é Psicóloga, Artista Plástica e Escritora; tudo ao mesmo tempo. Possui um estilo interessante. Seus enredos são envolventes, bem-humorados, e capazes de transportar o leitor à um mundo completamente novo.
 O livro é um romance, que conta com muitas tramas, mistérios, surpresas, histórias a serem desvendadas e esclarecidas. Foi lançado pela editora Novo Século, com o selo Talentos da Literatura Brasileira.
Como adicional ao encanto do livro, ele vem com um humor sutil e envolvente, sensualidade e uma grande lição de vida, tornando a história única e significativa.
Retrata o quanto podemos nos perder em meio à rotina. Como  o passar do  tempo pode matar nossos sonhos, nossa essência e minimizar nosso poder de reação.
Amélia foi uma jovem adorável, cheia de vida e expectativas. Casou cedo e apaixonada. Acreditou que isso seria o bastante para sua vida.
Ao passar os anos, desistiu da sua graduação. Encontrou novos sonhos no mundo das artes, mas não teve encorajamento para prosseguir nesse caminho, não vendeu uma obra sequer.
A garota que outrora foi uma sonhadora, pensando em ser uma profissional de sucesso, vê seu casamento ruir após longos anos.
O casamento dos sonhos tornou-se apático, morrendo dia após dia, sem que ela pudesse fazer nada para mudar esta realidade. Apenas o medo de Amélia o mantinha em pé.
O medo do desconhecido a prendeu nesta rotina. Nunca trabalhou, sempre foi sustentada por Murilo. A dona de casa ideal, sempre preocupada com o bem estar do marido, vivendo mais por ele do que por si mesma.
 Murilo, um grande advogado com prósperos negócios, prestigio e muito poder, adquirido nos anos de profissão, mantinha essa comodidade, de ter uma mulher submissa e dependente ao seu lado.
Amélia perdeu sua autoestima, deixou de se admirar como mulher, deixou que o tempo apagasse de sua memória tudo aquilo que era atrativo perante os olhos de outras pessoas, tornando-se assim insegura e temerosa.
Ao ver seu casamento chegar ao fim, sendo abandonada por Murilo. Trocada por uma mulher mais jovem, Amélia se vê perdida, observando tudo que lhe parecia seguro ir por água abaixo. Buscando uma espécie de milagre, que lhe devolveria a segurança que sempre a acompanhou. Assim ela decide reformar seu velho vestido de noiva, acreditando que a restauração do mesmo levaria à restauração da sua realidade perdida, do casamento fracassado, de tudo aquilo que parecia a sua única saída.
A mesma reforma levou a uma nova perspectiva de vida. Ao chegar ao ateliê conheceu Fabio, homem intenso, sedutor e carismático. Dono de um famoso restaurante, que desde o primeiro olhar, se viu profundamente atraído por Amélia.
Buscando se reencontrar, ela lhe pede um emprego, e é atendida. Assim começa a se redescobrir.
Ao atingir este ponto, os desvios inesperados a levaram a mudar sua vida e seus conceitos. Deixou de ser uma dona de casa submissa e sustentada pelo marido para lutar pela sua independência. Garantir seu sustento vindo do seu próprio esforço, recuperar a autoestima e sentir-se desejada novamente. Ela percebe que pode ser mais que um objeto nas mãos de Murilo.
Após a surpreendente separação, o amor de Fabio a conduziu por outro caminho, redescobrindo assim a alegria de viver.
Mas como em todas as histórias de amor, esta também teve dificuldades. Estas irão testá-la, desafiando Amélia a lutar pelo homem que ama e pela sua felicidade.

Cada capítulo do livro tem o poder de nos fazer reviver situações que acontecem em nossa própria vida, podendo comparar com o que acontece com Amélia. Pontos fracos e fortes, dramas, medos, superações. Assim podemos nos inspirar na sua coragem para melhorar nosso dia a dia.
Só se vive uma vez, a partir do momento em que nossos sonhos e desejos chegam ao final, morremos lentamente por dentro, um pedaço por vez. Achamos que não podemos alcançar nossos objetivos ou a admiração dos demais.
Nos sentimos tão singulares, que o nosso amor próprio nos abandona. Chegamos a deixar de viver, para apenas existir. Atolados em uma rotina de infelicidade e arrependimentos, contando os dias até o fim da vida, sem nenhuma grande contribuição para o ambiente em que nos encontramos.
A felicidade está ao nosso alcance, porem às vezes necessitamos de um empurrãozinho do destino, uma ajuda dos desvios inesperados para encontrá-la.
E nesse momento, devemos abandonar o medo e a insegurança, para assim segurá-la firme, pois somos merecedores de todas as coisas boas que a vida nos traz.
Recomendo a todos esta leitura. A escrita fluida e encantadora me conquistou de imediato. A sensibilidade com que os temas corriqueiros são abordados me fez refletir. E o bom humor e mistério contido nas entrelinhas foi o toque final para tornar este um dos meus livros favoritos.
Que a mensagem trazida na história de Amélia esteja sempre conosco. Despertando nosso espírito de luta e inconformismo com aquilo que não nos faz bem e nos guiando rumo a felicidade.
Siga a autora no Facebook, para acompanhar seu trabalho.


Adicione o livro nos seu Skoob, (só clicar ali.)
E adquira seu exemplar na Saraiva, com um preço maravilhoso, clicando  aqui.

Título: O Velho Vestido de Noiva
Autor: Ana Ferrarezzi
Editora: Novo Século
Ano: 2015
Páginas: 224

terça-feira, 8 de março de 2016

Toda Luz que Não Podemos Ver


A Segunda Guerra Mundial foi plano de fundo para incontáveis histórias de vida. Em Toda Luz que Não Podemos Ver, Anthony Doerr nos apresenta dois personagens principais distintos que, mesmo em lados opostos da guerra, acabam cruzando seus destinos de uma forma inevitável e inesquecível.


Marie-Laure LeBlanc tem seus últimos vislumbres do mundo aos seis anos de idade, pouco tempo depois, ela está cega. Seu pai é chaveiro do Museu de História Natural da França e cria para ela uma maquete do bairro onde vivem, para que ela aprenda a andar sozinha sempre que precisar.
Em uma região de minas da Alemanha, Werner é um órfão que vive com sua irmã em um lar para crianças. Quando encontra um rádio velho e consegue consertá-lo, não poderia imaginar que seu talento para consertar e lidar com esses aparelhos lhe arranjaria uma vaga em uma escola nazista.
Quando finalmente a Guerra se aproxima, é confiado ao pai de Marie-Laure uma grande missão, transportar um tesouro que pode ser o bem mais precioso da França. Quando a missão fracassa e ele não encontra o destinatário do tesouro, parte para Saint-Malo em busca de abrigo, cidade onde mora seu tio, um veterano da primeira Guerra que é atormentado por fantasmas do passado e há muitos anos não sai de sua própria casa. Enquanto o tempo e a Guerra vão se alastrando, com uma riqueza inimaginável de detalhes, o livro vai contando a história desses dois personagens em uma época que abalou as estruturas do mundo todo. Marie-Laure ganha uma nova maquete para se guiar em Saint-Malo e Werner, na Alemanha, projeta rádios transmissor-receptores enquanto espera a idade certa para ir para frente de combate.
Nesse mesmo contexto, o sargento-mor Reinhold Von Rumpel sai pelo mundo atrás de pistas de um místico diamante que teria o poder de trazer a imortalidade a quem se apoderasse dele, com a esperança de se manter seguro perante a guerra e curar-se de um mal que aos poucos leva suas forças, ele fará o que for necessário para encontrar essa pedra.
Intercalando personagens, tempo e realidades diferentes, Anthony Doerr conseguiu escrever um livro muito mais do que Incrível, há muito tempo não lia uma história tão bem escrita, tão rica em detalhes e que nos cativa a cada página; escrito em capítulos curtos, podemos ir imaginando como tudo vai acontecer, mas prever como tudo se encaixará no final, é impossível.

Muito merecidamente ganhou o prêmio Pulitzer de ficção de 2015, e sua adaptação para o cinema já está a caminho. Com toda a certeza será um dos filmes mais esperados de todos os tempos. Temas que retratam a Segunda Guerra Mundial são sempre delicados. Toda Luz que Não Podemos Ver tem delicadeza, amor, amizade, compaixão e esperança, sentimentos conflitantes com o cenário no qual está descrito, mas que mostram que as imposições definidas pelo lado pelo qual se luta são seguidos fielmente apenas por quem quer que assim seja, mesmo em uma guerra.

Título: Toda Luz que Não Podemos Ver
Autor: Anthony Doerr
Editora: Intrínseca
Ano: 2015
Páginas: 528

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Só Você

Olá leitores! Iniciamos este ano um projeto de incentivo a literatura nacional.
Em nosso país temos inúmeros escritores maravilhosos e queremos trazer alguns deles para apresentar pra vocês. Desde o início do projeto, estamos em busca de novos parceiros e alcançamos muitas parcerias maravilhosas. Hoje apresentaremos o livro da primeira escritora que confiou em nosso trabalho.
É o livro “Só você”, da escritora Manu Rolim, que foi lançado pelo selo Talentos da Literatura Brasileira, da editora Novo Século.


Sinopse: A linda estudante pernambucana Ellis decide passar suas férias de verão na paradisíaca Praia dos Reis, onde se envolve na relação mais sensual e intensa de sua vida com um homem irresistivelmente atraente e possessivo: o médico Felipe. Acostumado a ter todas as mulheres que deseja e descartá-las em seguida, logo percebe que com essa garota as coisas seriam diferentes. Felipe está disposto a fazê-la só dele e não medirá esforços para isso. Um verão com muita paixão, muito sexo, muita intensidade... Dizem que amor de verão não dura para sempre. Será esse capaz de superar o ciúme, a distância e a volta à realidade?



O livro narra a história de Ellis e Felipe, e o romance que iniciou nas férias de verão, em um lugar paradisíaco.
Ellis, estudante de nutrição, tem uma personalidade aparentemente pacata, sempre certinha, sem muitos riscos. Mas ao iniciar as férias resolve colocar o pé na estrada com seus amigos e aproveitar o descanso na praia. A partir daí começamos a conhecer a verdadeira Ellis que, com certeza, vai conquistar vocês. A primeira impressão que tive da personagem foi que ela seria uma menina ingênua, mas me enganei feio. Ela é decidida, inteligente, determinada e engraçada.
Felipe é médico e faz residência no Rio De Janeiro. Com Felipe não me enganei: determinado, sexy, lindo e meio cafajeste, mas tudo bem, no andamento do livro ele vai se redimindo desta parte.
Ainda tenho que destacar os amigos de Ellis, que dão um brilho a mais para a narrativa. Debi e Gu. Esse trio é sensacional, eu já estava me sentindo parte do grupo de amigos durante a leitura, de tão acolhedores que eles são. Uma amizade incrível, sempre apoiando e disposto a mover montanhas pelo outro. Uma família de verdade e essas amizades são as melhores.
O cenário é maravilhoso. Uma praia incrível, agitada, cheia de gente bonita. Lugar perfeito para fazer novas amizades e curtir as férias. #INVEJA
Em meio a esses elementos, nasce a história de amor entre Felipe e Ellis, que é cheia de momentos hot’s, divertidos e, claro, de alguns conflitos.
A escrita da Manu é muito leve, não é uma leitura cansativa. Eu li em dois dias, não conseguia largar, querendo saber o que aconteceria na próxima página.
Me diverti muito a cada capítulo. O que mais me encantou foi a amizade entre Ellis, Debi e Gu. A intensidade e a força do amor entre Felipe e Ellis nos encantam e fazem com que a torcida para que tudo dê certo entre eles fique maior a cada página.  Em algumas partes o livro me trouxe o mesmo sentimento de quando li a série “Sem Limites” da autora Abbi Glines, que por sinal, é uma das minhas favoritas.
Ah, não falei antes? Terá continuação! E eu já estou morrendo de curiosidade para saber o seguimento da história. Manu, tenha piedade de mim e lance logo o próximo livro. Preciso saber o que irá acontecer!


O livro entrou para meus favoritos no Skoob e levou 5 estrelas. Recomendo a todos os fãs de livros quentes, pois não faltam partes picantes e com certeza vocês vão amar.




Título: Só Você
Autora: Manu Rolim
Editora: Novo Século
Ano: 2015
Páginas: 224

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O Castelo de Vidro - Jeannette Walls

Memórias de uma família que aprendeu a criar finais felizes.


Rex e Rose Mary Walls era pais nada convencionais. Rex era um escritor fracassado, um homem brilhante e carismático. Sabia que sua família era especial e por isso sonhava construir uma grande casa no deserto, o Castelo de Vidro. Compreendia perfeitamente a imaginação dos filhos. Ensinava-lhes física, geologia e, acima de tudo, como enfrentar a vida intrepidamente. Em uma noite de Natal, ofereceu a cada um deles uma estrela de presente. Mas, quando estava bêbado, Rex era desonesto e violento. Rose Mary, pintora e escritora, era uma mulher alheia às necessidades dos filhos e pensava mais na arte do que na comida e no bem-estar da família.

A princípio, os Walls viviam como nômades. Mudavam-se constantemente de uma cidade para outra, habitando armazéns abandonados e acampando nas montanhas. Praticamente todo o dinheiro vinha de bicos do pai, mesmo sendo a mãe uma professora diplomada. Mais tarde, quando não conseguiam mais se sustentar com suas fontes de renda incomuns – ou quando o glamour de uma vida de aventuras desapareceu –, recolheram-se na pequena cidade mineradora de Welch.
O pai fazia de tudo para fugir da realidade. Bebia, roubava dinheiro de casa e passava dias desaparecido. A mãe não ligava para os filhos. Assim, Jeannette aprendeu a sobreviver muito cedo. À medida que os problemas da família aumentavam, Jeannette, as duas irmãs e o irmão tinham que cuidar de si mesmo sozinhos – arranjavam comida, limpavam a casa e encorajavam os pais a trabalhar, enquanto se amparavam mutuamente e procuravam dar alguma normalidade às suas vidas. Quando finalmente Jeannette e os irmãos tomaram coragem para abandonar Welch e tentar o sucesso em Nova York, seus pais os seguiram e optaram, finalmente, por viver como sem-teto, mesmo enquanto os filhos prosperavam.
Durante vinte anos, sempre que alguém perguntava pela sua família, Jeannette Walls mudava de assunto. Nunca contava detalhes do seu passado. Neste livros ela finalmente revela todos os segredos sobre suas origens. Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, esta não é uma história triste. Sem qualquer resquício de autopiedade, Jeannette Walls descreve suas aventuras de forma divertida, e seus pais, com profundo carinho e admiração.

O Castelo de Vidro é uma linda história de triunfo sobre todo tipo de adversidade, uma narrativa emocionante sobre o amor incondicional por uma família que, apesar de seus defeitos, deixou para Jeannette Walls uma rica herança: determinação para construir uma vida bem-sucedida.














Escrito em forma de memórias, “O Castelo de Vidro” retrata a infância nômade e pobre da autora em uma família completamente desestruturada mas cheia de sonhos. No decorrer da narrativa, a criança ingênua vai dando espaço para uma Jeannette forçada pela vida a amadurecer rapidamente e a trazer para si responsabilidades muito maiores do que a sua pouca idade permitiria.

Jeannette e os irmãos - Brian, Lori e Maureen - passam por todo tipo de perigo, fome e abandono ao longo da história. Isso ocorre porque seus pais, Rex e Rose Mary, são negligentes, egoístas e irresponsáveis com tudo. O casal Walls não gosta de trabalhar ou ter obrigações e vivem a vida como bem entendem, buscando seus sonhos sem se preocupar com mais nada. Mas, apesar de todas as dificuldades, existe amor de ambos os lados dessa família – cada qual a sua maneira.

Talvez, caro leitor, você possa estar pensando que a narrativa é o “muro das lamentações” da autora. Garanto-lhe que não é! Jeannette retrata os pais, vítimas dos seus próprios sonhos, com muito carinho mas sem eximi-los de suas responsabilidades. Além disso, relata as adversidades da sua infância de forma leve e divertida e nos mostra uma mulher determinada que enfrentou situações difíceis e não desistiu do sonho de ter uma vida melhor do que a que seus pais lhe ofereceram.

Vale a leitura!


E tem mais... VAI VIRAR FILME!
Ainda sem data definida para o início das filmagens ou para a estreia, “O Castelo de Vidro” será adaptado para o cinema. O longa-metragem terá Jennifer Lawrence (“Jogos Vorazes”) no papel de Jeannette e também deve marcar a estreia da atriz como produtora. Fico aqui na torcida para que o filme não decepcione e seja tão incrível quanto a obra escrita!






Título: O Castelo de Vidro
Autora: Jeannette Walls
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2007 - 1ª edição
Páginas: 368